AREsp 1965433 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a parte recorrente não indicou de forma precisa os dispositivos de lei federal supostamente violados, afrontando a exigência da Súmula 284/STF; ademais, não é possível fundamentar recurso especial exclusivamente em princípios que não substituam a...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO TOCANTINS; Recorrida: parte recorrida
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Concurso Público, Princípio Da Publicidade, Notificação
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Parties
ESTADO DO TOCANTINS
Agravante
parte recorrida
Recorrida
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência na fundamentação (Súmula 284/STF)
- 2 impossibilidade de interpor recurso especial com base em princípios constitucionais em substituição à indicação de dispositivo de lei federal
- 3 dever do candidato de acompanhar publicações do concurso e efeitos da desistência por decurso de prazo editalar
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a parte recorrente não indicou de forma precisa os dispositivos de lei federal supostamente violados, afrontando a exigência da Súmula 284/STF; ademais, não é possível fundamentar recurso especial exclusivamente em princípios que não substituam a indicação de lei federal. Em decorrência, manteve-se a não-admissibilidade do recurso especial e majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoram-se os honorários de advogado em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo ESTADO DO TOCANTINS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL REMESSA NECESSÁRIA NÃO CONHECIDA CONCURSO PÚBLICO APROVAÇÃO AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO PESSOAL DA NOMEAÇÃO CONSIDERÁVEL LAPSO TEMPORAL ENTRE A HOMOLOGAÇÃO DO RESULTADO FINAL DO CERTAME E A NOMEAÇAO PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E RAZOABILIDADE SENTENÇA MANTIDA. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, discorre sobre a necessidade de observância do princípio da vinculação ao instrumento convocatório e da isonomia, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Sucede que está explícito no Edital 001/QUADRO-GERAL/2012, de 04 de maio de 2012, que regeu o concurso público para provimento de cargos do quadro-geral de servidores do Poder Executivo, que todos os atos oficiais relativos ao concurso público serão publicados no diário oficial do Estado de Tocantins e que o candidato nomeado terá o prazo e 30 (trinta) dias para tomar posse no cargo, contado da publicação do ato de nomeação, após esse prazo será considerado desistente (fls. 447). Destarte, não há como reconhecer o direito da parte recorrida de ingressar no serviço público estadual, pois, embora o ato da sua nomeação tenha sido devidamente publicado no Diário Oficial do Estado, deixou transcorrer o prazo de 30 (trinta) dias para tomar posse no cargo, ensejando a sua desistência. Ora, cabe ao candidato acompanhar o andamento do concurso e as respectivas atualizações do certame através das publicações no Diário Oficial e no endereço eletrônico da entidade contratante, mormente quando todos as fases e notícias relativas ao certame foram divulgadas por esse meio. De fato, entender que cabia à Administração notificar pessoalmente a parte recorrida, é criar regra editalícia de maneira superveniente, violando os princípios da isonomia e da vinculação ao instrumento convocatório, em detrimento dos outros candidatos que, de maneira hígida e cautelosa, observaram rigorosamente as cláusulas do edital que regeram o concurso público em referência (fls. 448). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Além disso, não é cabível a interposição de recurso especial fundado na ofensa a princípios, tendo em vista que não se enquadram no conceito de lei federal. Nesse sentido: "O art. 105, III, "a", da CF, ao dispor acerca da interposição de recurso especial, menciona a ocorrência de violação à lei federal, expressão que não inclui os princípios". (AgInt no AREsp n. 826.592/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 13/6/2017.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.304.346/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 08/4/2019; AgRg no REsp 1.135.067/SC, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 09/11/2015. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Sendo assim, conclui-se que a convocação para nomeação e posse no cargo para o qual foi aprovada reveste-se de ilegalidade, uma vez que exigir a consulta diária à Imprensa Oficial configura ofensa ao princípio da publicidade e da razoabilidade (fl. 429 ). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.