AREsp 1908315 - DECISAO
O agravo foi negado provimento porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial, cabendo assim a aplicação da regra do art. 932, III, do CPC e, por analogia, da Súmula 182/STJ; além disso, houve majoração dos honorários em 10% nos termos do art....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ZERO UM ENTRETENIMENTO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS EIRELE- SP
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial (admissibilidade)
- Outcome
- negado provimento ao agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Gratuidade De Justiça, Rescisão Contratual, Indenização Por Danos Materiais E Lucros Cessantes, Honorários Advocatícios, Preclusão, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj
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Parties
ZERO UM ENTRETENIMENTO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS EIRELE- SP
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial (art. 932, III, CPC)
- 2 aplicação analógica da Súmula 182/STJ
- 3 incidência da Súmula 7/STJ por conteúdo fático da decisão recorrida
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial, cabendo assim a aplicação da regra do art. 932, III, do CPC e, por analogia, da Súmula 182/STJ; além disso, houve majoração dos honorários em 10% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
negado provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Majoro em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto por ZERO UM ENTRETENIMENTO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS EIRELE- SP em face de acórdão assim ementado (fl. 1.039): SERVIÇOS PROFISSIONAIS MICRO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL DO RAMO DE EVENTOS CONCESSÃO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA CABIMENTO RECURSO PROVIDO. Para o fim de se conceder os benefícios da gratuidade processual, nos termos da Lei nº 1060/50 e artigos 98 e 99 do Novo Código de Processo Civil, satisfaz-se a norma com singela declaração do requerente, não infirmada por qualquer prova dos autos. SERVIÇOS PROFISSIONAIS AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL, C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E LUCROS CESSANTES RESCISÃO CONTRATUAL RECONHECIDA INDENIZAÇÃO E LUCROS CESSANTES INDEVIDOS SENTENÇA CONFIRMADA POR SEUS FUNDAMENTOS ART. 252 DO RITJSP RECURSO NÃO PROVIDO. Não trazendo a apelante fundamentos suficientes a modificar a sentença de primeiro grau, que reconheceu a improcedência dos pedidos de reparação por danos morais e lucros cessantes, de rigor a manutenção integral da sentença, cujos fundamentos se adotam como razão de decidir na forma do art. 252 do Regimento Interno deste Tribunal. Os embargos de declaração opostos na origem foram rejeitados (fls. 1.057/1.060). A decisão agravada negou seguimento ao recurso com base nos seguintes fundamentos: I) "Sem qualquer procedência a assertiva de violação aos arts. 11, 489, II e III, e 492 do CPC, pois a C. Câmara desvendou a controvérsia em consonância com as exigências legais, analisando as questões postas e fundamentando sua decisão, dentro dos limites em que proposta a ação" (fl. 1.077); II) "Violação ao art. 10 do CPC: Não ficou demonstrada a alegada vulneração ao dispositivo arrolado" (fl. 1.077); e III) "ao decidir da forma impugnada, a D. Turma Julgadora o fez diante das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice" (fl. 1.078). Incidência da Súmula 7/STJ. A parte agravante não infirmou os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reiterar as razões do especial e não fazendoalusão alguma à incidência da Súmula 7/STJ ou às razões de sua aplicação. Nesse contexto, impende ressaltar que, em respeito ao princípio da dialeticidade, o agravo em recurso especial deve ser bem fundamentado, sendo necessária a impugnação específica a todos os pontos analisados na decisão recorrida, sob pena de não conhecimento do recurso, por ausência de cumprimento dos requisitos previstos no art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil de 2015, e pela aplicação analógica da Súmula 182/STJ. Nesse sentido, confira-se: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, §4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 701.404/SC, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, DJe 30.11.2018) Nesse precedente, o Colegiado, por maioria, negou provimento aos embargos de divergência e manteve a decisão da Segunda Turma do STJ, que não conheceu do agravo por aplicação da Súmula 182/STJ, visto que a parte agravante não atacou todos os pontos da decisão que não admitiu o recurso especial. Conforme o voto vencedor, tanto no Código de Processo Civil/1973 quanto no Código de Processo Civil/2015 há regra expressa que remete às disposições mais recentes do Regimento Interno do STJ, no sentido da obrigatoriedade da impugnação de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial. Para o Ministro relator, não há possibilidade de impugnação parcial da decisão que deixa de admitir recurso especial, já que tal decisão é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade. A não obediência a essa regra implicaria o exame indevido de questões (já atingidas pela preclusão consumativa, decorrente da inércia da parte agravante em se manifestar no momento oportuno), pois o conhecimento do agravo obriga o STJ a conhecer de todos os fundamentos do recurso especial. Assim, sem a impugnação específica e suficiente para infirmar o fundamento da decisão agravada, aplica-se, por analogia, o enunciado n. 182 da Súmula do STJ. Em face do exposto, não havendo o que reformar, nos termos do art. 34, XVIII, "b", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego provimento ao agravo e, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil/2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, considerando-se suspensas as exigibilidades em caso de assistência judiciária gratuita. Intimem-se.