AREsp 2480095 - DECISAO
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial porque as questões relativas aos arts. indicados não foram objeto de apreciação pelo Tribunal a quo (ausência de prequestionamento) e porque é incabível, em regra, o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela antecipada por meio de recurso especial...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Juízo De Admissibilidade
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Tutela Antecipada, Reexame De Provas E Fatos, Aplicação De Súmulas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Juízo De Admissibilidade
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento dos arts. 757, 760 e 776 do Código Civil e do art. 10 da Lei n. 9.656/1998
- 2 exigência do prequestionamento como pressuposto de admissibilidade do recurso especial
- 3 incabibilidade de reexame, em recurso especial, do deferimento ou indeferimento de tutela antecipada (analogia com Súmula 735/STF)
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial porque as questões relativas aos arts. indicados não foram objeto de apreciação pelo Tribunal a quo (ausência de prequestionamento) e porque é incabível, em regra, o reexame do deferimento ou indeferimento de tutela antecipada por meio de recurso especial (aplicação analógica da Súmula 735/STF).
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por UNIMED BELO HORIZONTE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado (fl. 228, e-STJ): AGRAVO DE INSTRUMENTO. PLANO DE SAÚDE. TRATAMENTO HOME CARE. ABUSIVIDADE DE CLÁUSULA GERAL IMPEDITIVA AO TRATAMENTO. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. TUTELA ANTECIPADA CONFIRMADA. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. -O contrato de plano de saúde que impõe cláusula geral de negativa de cobertura, sem se ater às especificidades da relação contratual ou a fatos supervenientes, que levam o médico a prescrever o tratamento, mostra-se abusiva, revelando o reconhecimento da probabilidade do direito a favor do autor contratante. -Não vislumbrando quaisquer ofensas a precedentes do STJ e ressalvadas as excepcionalidades inicialmente verificadas, a conduzir ao reconhecimento da presença dos requisitos do artigo 300 do Código de Processo Civil, mantem-se o deferimento da antecipação da tutela, na forma do pedido. Em suas razões de recurso especial, o recorrente aponta ofensa aos artigos 757 ,760 e 776 do Código Civil, Resolução normativa Nº 458, DE 26 DE JUNHO DE 2020 e art. 10º da Lei n. 9.656/1998 Sustenta, em síntese: a) que está sendo condenada a pagar por cobertura não contratada pela recorrida; b) ausência de obrigação do Plano Recorrente em custear o tratamento (Home Care) e fornecimento de insumos ao Recorrido; Em juízo de admissibilidade, negou-se o processamento do recurso especial, dando ensejo ao presente agravo (fls. 322/323, e-STJ). É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. No tocante aos arts. 757 ,760 e 776 do Código Civil e 10 da Lei n. 9.656/1998 , verifica-se que seus conteúdos normativos não foram objeto de apreciação pelo Tribunal a quo. Portanto, ausente o prequestionamento, entendido como a necessidade de ter o tema objeto do recurso sido examinado na decisão atacada. O prequestionamento é exigência inafastável contida na própria previsão constitucional, impondo-se como um dos principais pressupostos ao conhecimento do recurso especial. Incidem, ao caso, as Súmulas 282 e 356 do STF. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ROMPIMENTO BARRAGEM DE REJEITOS. MINA CÓRREGO DO FEIJÃO. BRUMADINHO. COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO CONTIDO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. AUXÍLIO FINANCEIRO EMERGENCIAL. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS OBJETIVOS PREVISTOS NO TAP. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 735/STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação a fundamento que, por si só, respalda o resultado do julgamento proferido pela Corte de origem impede a admissão do recurso especial. Incide ao caso a Súmula 283/STF. 3. A revisão da conclusão do Tribunal de origem de que a parte recorrida faz jus à inclusão no programa de auxílio emergencial com relação às parcelas acordadas na audiência realizada em 20/02/2019, bem como à prorrogação do referido auxílio, pois demonstrou, de forma suficiente, nesse momento processual, o preenchimento dos requisitos objetivos previstos no Termo de Acordo Preliminar (TAP), demanda o reexame dos fatos, provas e cláusulas constantes dos autos, o que é vedado no âmbito do recurso especial, nos termos das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 4. A jurisprudência do STJ, em sintonia com o disposto na Súmula 735 do STF (Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar), é firme no sentido de que, não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, em virtude da natureza precária da decisão, sujeita à modificação a qualquer tempo. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.009.179/MG, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 11/4/2023.) 2. Por fim, destaca-se que se revela incabível, em sede de recurso especial, o reexame do deferimento ou indeferimento de medida acautelatória ou antecipatória, ante a natureza precária e provisória do juízo de mérito desenvolvido em tutela antecipada. Com efeito, entende esta Corte ser descabido, via de regra, o recurso especial que pretende o reexame do deferimento ou indeferimento de medidas acautelatórias ou antecipatórias, proferidas em sede liminar. Trata-se, na espécie, de provimentos judiciais de natureza precária, cuja reversão, a qualquer tempo, é possível, e que demandam posterior ratificação por decisão de cunho definitivo, proferida após cognição exauriente dos elementos de prova. Não constituem, portanto, causas decididas em última ou única instância por Tribunais Estaduais ou Regionais Federais, nos termos do art. 105, III, da Constituição da República, razão pela qual não são sindicáveis por recurso especial. Aplicação, por analogia, da Súmula 735/STF, a saber: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar". 3. Do exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Por fim, não havendo fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias ordinárias, inaplicável a majoração prevista no art. 85, § 11, do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA