AREsp 2541594 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais apresentaram deficiência de fundamentação, sem a indicação precisa dos incisos do art. 1.022 do CPC supostamente violados, atraindo a Súmula n. 284 do STF; adicionalmente, a pretensão recursal exigiria reexame do conjunto...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: NELSON RODOLFO PUERK DE OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecido O Agravo; Não Conhecido O Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf (fundamentação Deficiente), Súmula 7/stj (vedação Ao Reexame De Provas), Omissão/erro Material/contradição (art. 1.022 Cpc), Proporcionalidade Da Sanção Disciplinar, Projeção De Decisão Penal/arquivamento Para Esfera Administrativa, Valoração De Provas
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Parties
NELSON RODOLFO PUERK DE OLIVEIRA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecido O Agravo; Não Conhecido O Recurso Especial (decisão De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial e alegada violação do art. 1.022 do CPC (omissão/negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Ofensa ao princípio da proporcionalidade/razoabilidade por expulsão da corporação em razão do arquivamento do inquérito policial militar
- 3 Aplicação da Súmula 284 do STF por deficiência na fundamentação do recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões recursais apresentaram deficiência de fundamentação, sem a indicação precisa dos incisos do art. 1.022 do CPC supostamente violados, atraindo a Súmula n. 284 do STF; adicionalmente, a pretensão recursal exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7 do STJ; ainda, o arquivamento do inquérito policial militar não equivale a sentença absolutória apta a, por si só, impedir a aplicação de sanção disciplinar administrativa.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por NELSON RODOLFO PUERK DE OLIVEIRA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA MILITAR DE SÃO PAULO, assim resumido: POLICIAL MILITAR - AÇÃO ORDINÁRIA - PEDIDO DE NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO E REINTEGRAÇÃO - SENTENÇA EXTINGUIU O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO - APELO SUSTENTA NATUREZA ADMINISTRATIVA- DISCIPLLINAR À DECISÃO PROFERIDA EM CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DECORRENTE DA INOBSERVÂNCIA DA DOSIMETRIA DA SANÇÃO IMPOSTA - IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA - APELO NÃO PROVIDO Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do 1.022 do CPC, no que concerne à nulidade do acórdão em razão da negativa de prestação jurisdicional. Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente discorre sobre a ofensa ao princípio da proporcionalidade e razoabilidade da autoridade administrativa em razão da expulsão do autor das fileiras da corporação tendo em vista o arquivamento do inquérito policial militar. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente aponta violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019.) Confira-se também o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.559.920/SE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Na mesma linha: "Quanto às alegações de excesso de prazo, em conjunto com os pedidos de absolvição ou de redimensionamento da pena, com abrandamento de regime e substituição da pena por restritivas de direitos, a recorrente não indicou os dispositivos legais considerados violados, o que denota a deficiência da fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência do enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal." (AgRg nos EDcl no REsp n. 1.977.869/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 20/6/2022.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009; AgInt no AREsp n. 2.029.025/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 29/6/2022; AgRg no REsp n. 1.779.821/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 18/2/2021; AgRg no REsp n. 1.986.798/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Torna-se patente que a projeção da sentença penal na esfera administrativa não pode ser reconhecida em todo e qualquer caso, mas apenas nas hipóteses de inexistência do fato ou negativa de autoria, sob pena de contrariedade frontal ao sistema jurídico pátrio, instalando-se verdadeira incongruência legislativa. Conforme verifica-se no caso dos autos, sequer houve sentença absolutória, mas apenas arquivamento de inquérito policial militar, o que afasta qualquer tentativa de projeção na área administrativa do arquivamento realizado na seara criminal (fl. 2948) Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ainda, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Aí está a corretíssima e irreparável análise promovida à época do julgamento judicial do Conselho de Justificação e que se acolhe neste momento também, haja vista que restou patente que a gravidade das condutas do Autor não foi superada pelas atenuantes prescritas no art. 35 da Lei complementar estadual nº 893/01 (Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo - RDPM). Por ocasião da determinação da perda do posto e da patente do Autor, já havia ele recebido nove sanções disciplinares, inclusive uma delas em outro Conselho de Justificação, o que denotou sua falta de correção e que sanções não exclusórias restaram infrutíferas para o realinhamento da postura do então oficial. Esse cenário evidencia, de forma clara e inequívoca, que inexistiram e inexistem invocações de atenuantes passíveis de inquinar de vício de desproporcionalidade a decretação da perda do posto e da patente do Autor. .. O Autor passa, na prática, a questionar a valoração das provas promovida pela Administração Militar e pelo Pleno deste Tribunal no julgamento do Conselho de Justificação no qual figurou como Justificante. Ainda que o Autor discorde da valoração das provas promovidas por ambos, o fato é que valoração houve (e de forma bastante detalhada, como se verifica dos documentos encartados aos autos), o que impõe a reiteração de tudo que fora assinalado anteriormente, ou seja, de que cabe ao Judiciário, bem como ao Administrador no processo disciplinar, a livre apreciação das provas para a consolidação da convicção do julgador (fl. 2945-2949). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA