AREsp 2542842 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque não houve prequestionamento do dispositivo federal indicado (art. 489, §1º, IV, CPC) e porque o recorrente não demonstrou dissídio jurisprudencial suficiente, deixando de indicar com precisão os dispositivos legais e de realizar o cotejo analítico...
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- Parties
- Agravante: MACAUBA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS - SPE I LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecido Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Fundamentação Das Decisões (art. 489, §1º, IV, Cpc), Divergência Jurisprudencial (art. 105, III, Al. C, Cf/88), Súmula 284/stf, IPTU Responsabilidade Pelo Pagamento
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Parties
MACAUBA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS - SPE I LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecido Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento de dispositivo de lei federal (art. 489, §1º, IV, CPC)
- 2 falta de indicação precisa de dispositivos legais para caracterizar dissídio jurisprudencial (Súmula 284/STF)
- 3 inexistência de cotejo analítico demonstrando similitude fática e identidade jurídica entre acórdão recorrido e paradigmas
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque não houve prequestionamento do dispositivo federal indicado (art. 489, §1º, IV, CPC) e porque o recorrente não demonstrou dissídio jurisprudencial suficiente, deixando de indicar com precisão os dispositivos legais e de realizar o cotejo analítico exigido, situação que atrai a Súmula 284/STF; por tais motivos o recurso especial foi não conhecido, e foram majorados os honorários em 15% conforme art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MACAUBA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS - SPE I LTDA. contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÃO - COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA - DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL - COBRANÇA DE IPTU - ENCARGO DEATDO APENAS A PARTIR DA IMISSÃO DOS ADQUIRENTES NA POSSE DO BEM - RESPONSABILIDADE DA VENDEDORA DEVIDAMENTE RECONHECIDA - DEVOLUÇÃO DE TODOS OS VALORES PAGOS PELOS COMPRADORES ATÉ A EFETIVA ENTREGA DAS CHAVES - AÇÃO PROCEDENTE - SENTENÇA MANTIDA- RECURSO NÃO PROVIDO (fl. 546). Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC, no que concerne à ausência de fundamentação do julgado objurgado, trazendo a seguinte argumentação: Assim, deve ser reconhecido o entendimento de que não se considera fundamentada qualquer decisão judicial que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo, por ausência de elemento essencial da sentença. No caso em análise, a Recorrente provocou o Eg. Tribunal de Justiça, por meio de Embargos de Declaração, requerendo expresso pronunciamento dos D. Desembargadores acerca de importante precedente acerca da matéria discutida nos autos. No entanto, a Turma Julgadora se limitou a proferir decisão genérica, sem qualquer fundamentação, tampouco esclarecimento acerca de eventual distinção entre o precedente apresentado e o presente, ou superação do entendimento apresentado. A Recorrente requeria que fosse seguido o precedente apresentado ou, não entendendo desta maneira, um expresso pronunciamento da C. Julgadora, dizendo as razões pelas quais o precedente não seria aplicado ao caso concreto. Ante a divergência dos entendimentos lançados sobre matérias semelhantes, é levado ao julgamento de Vossas Excelências para que, à luz do princípio da fundamentação das decisões judiciais, se determine a anulação do v. Acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, sob pena de violação ao art. 489, § 1º, IV, do Código De Processo Civil (fl. 558). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega divergência jurisprudencial no que concerne à atribuição, tanto para o promitente comprador como para o promitente vendedor, da figura de contribuinte responsável pelo pagamento do IPTU, trazendo a seguinte argumentação: Analisando-se o claro posicionamento do STJ, verifica-se que tanto o promitente comprador (possuidor a qualquer título) do imóvel Quanto seu proprietário/promitente vendedor (aquele que tem a propriedade registrada no Registro de Imóveis) são contribuintes responsáveis pelo pagamento do IPTU. No caso do Município de Ribeirão Preto, o legislador local optou por imputar o pagamento do IPTU ao promissário comprador, realizando o lançamento tributário ao Recorrido. .. Dessa forma, Excelências, não há nada de equivocado na postura da Recorrente Macaúba Empreendimentos Imobiliários SPE I LTDA, e nem há nada de errado na postura da Prefeitura de Ribeirão Preto/SP. Tudo aquilo que foi feito, até o presente momento, encontra-se embasado na lei vigente, que visa estimular empreendedores e empreendimentos revestidos de interesse social. .. É evidente, portanto, o equívoco cometido pelo Tribunal a quo, o qual adotou entendimento que, além de ferir o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, bem como a necessária aplicabilidade do CTN e Lei Municipal de Ribeirão Preto/SP. Portanto, Excelências, nítida e comprovada a existência de uma divergência jurisprudencial séria, que merece ser solucionada, em nome da segurança jurídica (fls. 560/562). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, não houve o prequestionamento do dispositivo de lei federal apontado como violado, uma vez que não houve o devido e necessário debate a respeito deste dispositivo no acórdão prolatado pelo Tribunal a quo. Esta Corte Superior de Justiça já sedimentou o entendimento segundo o qual é "inviável a análise de violação de dispositivos de lei não prequestionados na origem, apesar da oposição de embargos de declaração" (AgInt no REsp n. 1.858.639/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 29/8/2022, DJe de 31/8/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.883.703/ES, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1/9/2022; REsp n. 1.666.862/CE, relator Ministro Francisco Falcão, relator para acórdão Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 8/9/2022; AgRg no AREsp n. 2.089.384/RN, relator Min istro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 22/8/2022; AgInt no AREsp n. 2.101.047/MA, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 24/8/2022; AgInt no AREsp n. 2.033.678/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.812.402/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 17/6/2022; AgInt no AREsp n. 743.795/RN, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 28/4/2022. Quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na su a fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA