AREsp 2544646 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial porque a parte recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido, limitando-se a reiterar argumentos (art. 1.021 do CPC), e não demonstrou prequestionamento da matéria, de modo que incidem os óbices da Súmula 284/STF e da...
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- Parties
- Recorrente: AGENCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES - ANTT
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Agravo Interno, Prequestionamento, Súmula 284 STF, Súmula 211 STJ, Responsabilidade Por Débitos De Veículos, Art. 134 CTB
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Parties
AGENCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES - ANTT
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial diante da ausência de impugnação específica aos fundamentos do acórdão recorrido (art. 1.021 do CPC)
- 2 Aplicação das Súmulas 284 do STF e 211 do STJ por deficiência de fundamentação e falta de prequestionamento
- 3 Questão sobre a responsabilidade do ex-proprietário por débitos vinculados ao veículo (art. 134 do CTB)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial porque a parte recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido, limitando-se a reiterar argumentos (art. 1.021 do CPC), e não demonstrou prequestionamento da matéria, de modo que incidem os óbices da Súmula 284/STF e da Súmula 211/STJ, tornando o recurso especial inadmissível.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pela AGENCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES - ANTT contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: AGRAVO INTERNO. APELAÇÃO. ART. 1.021, § 3º DO NCPC. REITERAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. - A vedação insculpida no art. 1.021, §3º do CPC/15 contrapõe-se ao dever processual estabelecido no §1º do mesmo dispositivo. - Se a parte agravante apenas reitera os argumentos ofertados na peça anterior, sem atacar com objetividade e clareza os pontos trazidos na decisão que ora se objurga, com fundamentos novos e capazes de infirmar a conclusão ali manifestada, decerto não há que se falar em dever do julgador de trazer novéis razões para rebater alegações genéricas ou repetidas, que já foram amplamente discutidas. - Agravo interno desprovido. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 1.021, §§ 1º e 4º, do CPC, sustentando a nulidade do acórdão recorrido diante do não julgamento do mérito do agravo interno pelo colegiado da corte de origem, o que constituiu recursa indevida, visto que tal julgamento é necessário para o esgotamento de instância para fins de interposição dos recursos extraordinários. Argumenta: Sobre o mérito do agravo regimental, o mesmo não é data vênia manifestamente inadmissível, pois, como visto acima, impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida, como exige o artigo 1.021, §1º, do Código de Processo Civil/2015. E, o manejo de agravo interno contra decisão unipessoal de Relator que negou provimento à apelação não constitui litigância de má-fé e/ou tem caráter protelatório. A interposição do recurso decorre da exigência do esgotamento prévio das instâncias ordinárias e o entendimento jurisprudencial consolidado de que não são cabíveis recursos extraordinários lato sensu em face de decisão monocrática que obrigam a interposição do agravo interno para a discussão da causa no tribunal a quo, o que é uma direito constitucionalmente assegurado. (fls. 236). Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente aponta violação do art. 134 do CTB, no que concerne, supostamente, a tese relativa à responsabilidade quanto aos débitos vinculados a veículos automotores, no caso de ocorrência ou não da comunicação de transferência de propriedade. Aduz, para tanto, os seguintes argumentos: A ANTT, pessoa jurídica de direito público vinculada ao Ministério dos Transportes, tem em sua esfera de competência a função de fiscalizar a realização do transporte rodoviário e zelar pela fiel observância da legislação que rege tal atividade. Essa função estatal, aliás, é vista pelos estudiosos como originária, pois não decorre de um conflito de interesses, manifestado por meio de uma lide, mas tão somente da própria tarefa do Poder Público de zelar pela observância da legislação vigente. A competência administrativa que autoriza a ação fiscalizadora dos agentes da ANTT, encontra fundamento legal na Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001,especialmente no que diz respeito ao transporte rodoviário de cargas, verbis : .. É bom frisar que, embora o PUIL não seja qualificado pelo art. 927 do CPC/2015 como precedente qualificado e obrigatório, se trata de mecanismo recursal do procedimento dos juizados especiais federais, previsto no art. 14 da Lei nº 10.259, de2001, cujo intuito é uniformizar a jurisprudência, de forma vinculante ao microssistema dos juizados federais, da Turma Nacional de Uniformização, das Turmas Regionais de Uniformização e das Turmas Recursais de cada Estado e do Distrito Federal. Com isso, tem-se que o pronunciamento da Primeira Seção, no bojo de PUIL, significa bastante para indicar que a posição consolidada da jurisprudência do E. STJ é distinta da indicada no V. Acórdão ora embargado. A bem da verdade, a conclusão do E. STJ é de que, em regra, parte alienante do veículo deve comunicar a transferência de propriedade ao órgão competente, sob pena de responder solidariamente em casos de eventuais infrações de trânsito, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro. A única exceção a essa tese é a prevista na súmula 585 do E. STJ: a responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito brasileiro CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação. (fls. 237-239). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Ressalto que a vedação insculpida no art. 1.021, §3º do CPC/15 contrapõe-se ao dever processual estabelecido no §1º do mesmo dispositivo, que determina: Art. 1.021. (..) § 1o Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada. Assim, se a parte agravante apenas reitera os argumentos ofertados na peça anterior, sem atacar com objetividade e clareza os pontos trazidos na decisão que ora se objurga, com fundamentos novos e capazes de infirmar a conclusão ali manifestada, decerto não há que se falar em dever do julgador de trazer novéis razões para rebater alegações genéricas ou repetidas, que já foram amplamente discutidas. (fls. 191). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração nem houve a indicação de ofensa ao art. 1.022 do CPC a fim de viabilizar o exame de supostos vícios por esta Corte Superior. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29/8/2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º/3/2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26/8/2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18/12/2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 16/8/2022. Quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o dispositivo de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Na mesma linha: "A alegação genérica de ofensa a dispositivo legal desacompanhada de causa de pedir suficiente à compreensão da controvérsia e sem a indicação precisa de que forma o acórdão recorrido teria transgredido os dispositivos legais relacionados atrai a aplicação da Súmula 284 do STF." (AgInt no AREsp n. 1.849.369/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 10/5/2022.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019; AgInt no REsp n. 1.409.884/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 12/8/2022. Ademais, também quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA