AREsp 2575515 - DECISAO
Conheceu‑se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque este foi interposto contra acórdão fundamentado em norma infralegal — matéria que não se compadece com a via do recurso especial — e porque não houve prequestionamento da tese recursal pela Corte de origem, nos termos de precedentes do STJ.
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- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Norma Infralegal, Proteção Da Mata Atlântica, Autorização De Supressão De Vegetação, Art. 11 Da Lei 11.428/2006, Art. 14 Da Lei 11.428/2006
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação ao art. 11 da Lei n. 11.428/2006
- 2 Aplicabilidade das exceções do art. 14 da Lei n. 11.428/2006
- 3 Admissibilidade do recurso especial contra acórdão fundamentado em norma infralegal
Ratio Decidendi
Conheceu‑se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque este foi interposto contra acórdão fundamentado em norma infralegal — matéria que não se compadece com a via do recurso especial — e porque não houve prequestionamento da tese recursal pela Corte de origem, nos termos de precedentes do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique‑se.
- Intimem‑se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. RÉUS COM PRAZOS E INTIMAÇÕES DE FORMA E EM MOMENTOS DISTINTOS. PRAZO SIMPLES. NÃO ENQUADRAMENTO NAS HIPÓTESES DO ARTIGO 229 DO CPC. ANÁLISE DO MÉRITO ADMINISTRATIVO PELO PODER JUDICIÁRIO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA INDEPENDÊNCIA E SEPARAÇÃO DE PODERES. CONTROLE PRÉVIO DE ATOS ADMINISTRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE (fl. 4431). Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 11 da Lei n. 11.428/2006, no que concerne à impossibilidade de se aplicar ao referido dispositivo as exceções previstas no art. 14 da Lei n. 11428/2006, não cabendo, no caso concreto, a autorização de supressão de vegetação, por se tratar de empreendimento privado e não possuir utilidade pública. Aduz a seguinte argumentação: De início, cumpre ressaltar que não se pretende aqui revolver matéria fático probatória, na medida em que a discussão cinge-se acerca da ofensa ao artigo 11 da Lei nº 11428/2006. In casu, o IBAMA almeja implantar o Terminal Portuário Brites, na área do estuário santista conhecida como Largo de Santa Rita, local de extrema importância em termos de reprodução e manutenção da biodiversidade nacional, reconhecida pela Portaria do Ministério do Meio Ambiente nº 126/2004 como Área de Importância Extremamente Alta para a conservação da biodiversidade. Depreende-se dos autos que o Terminal em comento consiste em empreendimento privado, realizado segundo o interesses empresariais, objetivando movimentar cargas próprias e de terceiros escolhidos através de critérios do próprio terminal, que atingirá 700 mil metros quadrados da região de Mata Atlântica. Assim, por não se tratar de utilidade pública, não se aplica o art. 14 da Lei 11.428/2006, que excepciona as regras descritas no art. 11 do mesmo diploma legal, in verbis: .. Ademais, res ta inconteste a existência de vegetação primária e secundária em estágios médio e avançado de regeneração; e de flora e fauna silvestres ameaçadas de extinção. Nesse sentido: o Parecer Técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo; o Parecer de autoria do biólogo Fabio Olmos Corrêa Neves; o Relatório de vistoria na área de implantação do Empreendimento BRITES; e a Informação Técnica da Fundação Florestal, Núcleo Itutinga Pilões Parque Estadual Serra do Mar, Unidade de Conservação de Proteção Integral. Destaca-se, ainda, que o IBAMA não comprovou a inexistência de alternativa técnica e locacional ao empreendimento em debate. Outrossim, a área em debate envolve a proteção de mananciais e de prevenção e controle de erosão, ou seja, a área na qual os empreendedores pretendem implantar o Terminal Portuário Brites desempenha relevante função ambiental prevista nas alíneas do inciso I do art. 11 da Lei nº. 11.428/2006, que a colocam sob o regime extraordinário de proteção do Bioma Mata Atlântica (fls. 4519- 4522). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não é cabível o recurso especial porque interposto contra acórdão com fundamento em norma infralegal, ainda que se alegue violação ou interpretação divergente de dispositivos de lei federal. Nesse sentido: "Apesar de a recorrente ter indicado violação de dispositivos infraconstitucionais, a argumentação do decisum está embasada na análise e interpretação da Resolução 414/2010 da ANEEL, norma de caráter infralegal cuja violação não pode ser aferida por meio de recurso especial". (AgInt no AREsp n. 1.621.833/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 16/06/2021). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: REsp n. 1.517.837/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 10/05/2021; AgInt no REsp n. 1.859.807/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/06/2020; AgInt no AREsp n. 1.673.561/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 25/03/2021; AgInt no AREsp n. 1.701.020/DF, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020. Ademais, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentindo de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA