AREsp 2569785 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, em parte, do recurso especial, mas negou-se provimento ao recurso por ausência de pré-questionamento de determinadas teses (aplicação da Súmula 211/STJ), por ausência de interposição de recurso extraordinário quanto às matérias constitucionais suscitadas (Súmula 126/STJ) e por a matéria...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade E Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 211/stj, Súmula 126/stj, Súmula 280/stf, ICMS, Programa Especial De Parcelamento (pep), Acréscimos Financeiros, Interpretação Conforme a Constituição, Arguição De Inconstitucionalidade
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade E Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial e cumprimento dos requisitos do CPC/2015
- 2 prequestionamento de dispositivos legais
- 3 distinção entre juros e acréscimos financeiros em parcelamentos incentivados (PEP)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, em parte, do recurso especial, mas negou-se provimento ao recurso por ausência de pré-questionamento de determinadas teses (aplicação da Súmula 211/STJ), por ausência de interposição de recurso extraordinário quanto às matérias constitucionais suscitadas (Súmula 126/STJ) e por a matéria demandar interpretação de norma estadual (Súmula 280/STF); além disso, o acórdão recorrido apresentou fundamentação constitucional suficiente, com base em decisão do Órgão Especial do TJSP que veda acréscimos financeiros superiores aos incidentes em parcelamento de tributos federais.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015).
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ e 280 do STF. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fl. 207): APELAÇÃO ICMS - Adesão ao Programa Especial de Parcelamento Inocorrência de decadência - Relação de trato sucessivo que se renova Questionamento acerca da taxa de juros Possibilidade Lei nº 13.918/09 Interpre-tação conforme a Constituição pelo Órgão Especial do TJSP Taxa de juros que não pode ser superior a utilizada na co-brança dos tributos federais - Acréscimos financeiros que seguem a mesma sorte Arguição de Inconstitucionalidade 0016136-82.2017.8.26.0000 Sentença mantida Recursode apelação e reexame necessário, desprovidos. Embargos de declaração rejeitados. No recurso especial o recorrente alega violação dos artigos 1022, II e III, e 489, §1º, IV e VI, do CPC/2015, ao argumento de que a Corte local não se manifestou a respeito da necessidade de distinguir "juros" de "acréscimos financeiros" e distinguir "acréscimos financeiros de parcelamentos comuns" de "acréscimos financeiros de parcelamentos incentivados". Quanto às questões de fundo, sustenta ofensa aos artigos 141, 492 e 1013 do CPC/2015, aos artigos 111, II, 155-A e 181, II "d" do CTN, aos artigos 1º e 2º da LC 24/75 e ao artigo 14 da LC 101/2000, sob os seguintes argumentos: (a) houve violação do princípio da correlação entre o pedido e a decisão, bem como da vedação à reformatio in pejus, uma vez que a petição inicial, a sentença e a apelação da FESP trataram da revisão dos juros, não dos "acréscimos financeiros"; (b) o acórdão recorrido afastou as condições estabelecidas na lei para fruição do benefício fiscal contido no Programa Especial de Parcelamento; (c) os "acréscimos financeiros do parcelamento incentivado PEP do ICMS" não são regidos pela Lei Estadual n. 13.918/2009, mas sim por Convênio CONFAZ autorizador do benefício PEP e respectivo Decreto PEP; e (d) as Arguiçãos de Inconstitucionalidade n. 0170909-61.2012.8.26.0000 e n. 0016136-82.2017.8.26.0000 não tratam de acréscimos financeiros pactuados em parcelamentos incentivados. Sem contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. Consigne-se que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. O Tribunal a quo manifestou-se quanto ao ponto controvertido adotando as seguintes razões de decidir (grifos acrescidos): O Órgão Especial deste Tribunal de Justiça decidiu conferir interpretação conforme a CF dos arts. 85 e 96 da Lei 6.374/89, com a redação dada pela Lei 13.918/09, de modo que a taxa de juros aplicável ao montante do tributo não exceda àquela incidente na cobrança dos tributos federais. Posteriormente, na Arguição de Inconstitucionalidade nº 0016136-82.2017.8.26.0000, o C. Órgão Especial reconheceu a inconstitucionalidade da expressão "sempre superior ao praticado no mercado", constanteno § 3º, bem como da expressão "sempre superiores aos praticados no mercado", consignada no § 7º, ambos do art. 100 da Lei Estadual nº 6.374/1989, com a redação conferida pela Lei nº 13.918/2009, in verbis: .. Portanto, entendeu-se que os acréscimos financeiros não podem ser superiores àqueles incidentes em parcelamento de tributos federais, de modo que a pretensão da FESP não vinga. Nesse sentido, outros precedentes deste Tribunal de Justiça: .. Acordo de parcelamento entre contribuinte e fisco confere certeza ao débito confessado, não legitima acréscimos financeiros ilegais. De início, afasta-se a alegada violação dos artigos 1.022, II e III, e 489, §1º, IV e VI, do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. Quanto à tese de ofensa aos artigos 141, 492 e 1013 do CPC/2015, vinculados à tese de que o Tribunal a quo não teria observados os princípios da correlação e da vedação à reformatio in pejus, evidencia-se que os referidos dispositivos legais (e a tese a eles vinculada) não foram apreciados pela Corte de origem, inclusive após terem sido opostos os embargos de declaração, o que acarreta o não conhecimento do recurso especial pela falta de cumprimento ao requisito do prequestionamento. Aplica-se à hipótese a Súmula 211/STJ. No que diz respeito ao pretenso descumprimento dos artigos 111, II, 155-A e 181, II "d" do CTN, 1º e 2º da LC 24/75 e 14 da LC 101/2000, verifica-se que o acórdão recorrido, ao solucionar a controvérsia referente aos acréscimos financeiros incidentes sobre o parcelamento, adotou fundamentação constitucional que se mostra suficiente à solução do litígio. No caso, decidiu-se pelo não acolhimento da pretensão com fundamento nos arts. 5º, LIV, e 150, IV, da CF, consoante definido na Arguição de Inconstitucionalidade 0016136-82.2017.8.26.0000. Ocorre que o recorrente não interpôs recurso extraordinário ao tempo e modo, circunstância que conduz ao não conhecimento recurso especial. Incide ao caso a Súmula 126/STJ. Ademais, evidencia-se que a tutela jurisdicional foi prestada pelo acórdão recorrido com fundamento na Lei Estadual n. 6.374/1989, com a redação conferida pela Lei n. 13.918/2009, razão por que o recurso especial não deve ser conhecido nesta Corte Superior por demandar interpretação de normativo estranho à legislação federal. Aplica-se ao caso a Súmula 280/STF. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Caso tenham sido fixados honorários sucumbenciais anteriormente pelas instâncias ordinárias, majoro-os em 10% (dez por cento), observados os limites e parâmetros dos §§ 2º, 3º e 11 do artigo 85 do CPC/2015 e eventual Gratuidade da Justiça (§ 3º do artigo 98 do CPC/2015). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS POR VIOLADOS. SÚMULA 211/STJ. ICMS. PROGRAMA ESPECIAL DE PARCELAMENTO. ACRÉSCIMOS FINANCEIROS. ACÓRDÃO QUE CONTÉM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL SUFICIENTE À MANUTENÇÃO DO QUE DECIDIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO POR MEIO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA 126/STJ. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280/STF. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO.