AREsp 2546497 - DECISAO
O agravo foi conhecido, mas o recurso especial não foi conhecido porque sua insurgência era genérica e não especificou, de forma concreta, as omissões, contradições ou obscuridades apontadas, motivo pelo qual se aplicou, por analogia, a Súmula n. 284 do STF, tornando o recurso especial deficiente e inadmissível.
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- Parties
- Agravantes: CARLOS ROBERTO DIAS e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão/contradição/obscuridade (art. 1.022 Cpc), Súmula 284/stf (analogia), Deserção E Preparo, Nulidade De Atos Processuais Após Falecimento, Litigância De Má Fé
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Parties
CARLOS ROBERTO DIAS e OUTROS
Agravantes
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação dos arts. 489, inciso II, e §1º, inciso IV; 1.022, inciso II; e 1.025 do CPC/2015
- 2 deficiência na fundamentação do recurso especial por ausência de especificação dos vícios alegados
- 3 aplicação por analogia da Súmula n. 284 do STF
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido, mas o recurso especial não foi conhecido porque sua insurgência era genérica e não especificou, de forma concreta, as omissões, contradições ou obscuridades apontadas, motivo pelo qual se aplicou, por analogia, a Súmula n. 284 do STF, tornando o recurso especial deficiente e inadmissível.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito poderá ensejar a imposição das multas previstas nos arts. 1.021, §4º, e 1.026, §2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CARLOS ROBERTO DIAS e OUTROS contra decisão que não admitiu recurso especial, manejado em desfavor do acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais assim ementado (e-STJ, fl. 1.085): AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REINVIDICATÓRIA. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO POR DESERÇÃO REJEITADA. FALECIMENTO DA INVENTARIANTE NO CURSO DO PROCESSO. PEDIDO DE NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS PRATICADO S APÓS A MORTE. NULIDADE RELATIVA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. RECURSO NÃO PROVIDO. - Deve ser rejeitada a preliminar de não conhecimento do recurso por deserção, quando a parte recorrente recolhe o preparo oportunamente em dobro. Preliminar rejeitada. - Anulidade dos atos processuais praticados após o falecimento da parte é relativa, devendo ser reputados válidos aqueles atos quando não há efetivo prejuízo aos interessados, conforme entendimento do STJ.-Hipótese nos autos em que não restou demonstrado efetivo prejuízo aos interessados a ensejar a nulidade dos atos processuais praticados, bem como restaram ratificados os atos praticados pelo procurador da parte autora, mediante procuração ofertada pelo representante do espólio. -Recurso não provido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 1.130-1.133). Nas razões do recurso especial, os recorrentes alegaram a ofensa aos arts. 489, inciso II, e § 1º, Inciso IV, 1.022, inciso II, e 1.025, todos do Código de Processo Civil de 2015, sustentando, em síntese, que "o Tribunal a quo considerou impertinente a matéria ventilada nos embargos de declaração, optando por não analisar o mérito da questão" (e-STJ, fl. 1.180), incorrendo em vício de omissão. O Tribunal de origem não admitiu o processamento do recurso especial, o que levou os insurgentes à interposição de agravo. Os agravantes impugnam os fundamentos da decisão denegatória do recurso especial (e-STJ, fls. 1.215-1.227). Contraminuta apresentada (e-STJ, fls. 1.232-1.234). Brevemente relatado, decido. Com efeito, no tocante à alegada violação arts. 489, inciso II, e § 1º, Inciso IV, 1.022, inciso II, e 1.025, todos do Código de Processo Civil de 2015, verifica-se que a irresignação dos agravantes não merece prosperar, haja vista que não foi especificado, de forma concreta e cristalina, sobre quais questões teria a Corte de origem incorrido nos vícios de omissão, contradição ou obscuridade, de maneira que se revela inadmissível o recurso especial interposto. Dessa forma, constata-se que o recurso especial carece de fundamentação, incidindo, por analogia, o óbice constante da Súmula n. 284 do STF. A propósito (sem grifo no original): PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. FAMÍLIA. DIVÓRCIO. PARTILHA DE BENS. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL EM SE IMPUGNAR A SÚMULA N.º 7 DO STJ, QUE NÃO FOI APLICADA PELA DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DE TESES AVENTADAS NO APELO NOBRE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 211 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA N. º 284 DO STF APLICADA POR ANALOGIA. INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO ART. 23, III, DO CPC PELO ACÓRDÃO RECORRIDO, QUE OBSERVOU A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. VIABILIDADE DE PARTILHA DE BENS DO COPROPRIEDADE DOS EX-CÔNJUGES SITUADOS NO EXTERIOR. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Carece interesse processual em impugnar a incidência da Súmula n. º 7 do STJ, na medida em que ela não foi invocada na decisão agravada. 2. Teses trazidas em torno dos arts. 134, §§ 2º e 4º, 612 e 1.015, II, do CPC e art. 50, caput e § 4º, do CC/02 não foram enfrentadas pelo Tribunal estadual, nem mesmo após a oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula n.º 211 do STJ, em virtude da ausência do indispensável prequestionamento. 3. A alegada afronta ao art. 1.022 do CPC não foi demonstrada com clareza e objetividade, se mostrando genérica e vazia, caracterizando, dessa maneira, a ausência de fundamentação jurídica e legal, conforme previsto na Súmula n.º 284 do STF, aplicada por analogia. 4. A jurisprudência desta Casa já firmou o entendimento de que não é possível extrair da regra do art. 23, III, do NCPC a inviabilidade de partilha de bens de propriedade dos cônjuges situados no exterior, especialmente porque a eventual impossibilidade de execução da sentença brasileira com esse conteúdo em território estrangeiro é uma questão meramente hipotética, futura, incerta e estranha à partilha igualitária dos bens amealhados pelo casal na constância do vínculo conjugal e que pode ser contornada pela compensação de valores ou readequação dos bens que caberão às partes (REsp n. 1.912.255/SP, relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, julgado aos 24/5/2022, DJe de 30/5/2022). Acordão recorrido que não violou o disposto no art. 23, III, do CPC. 5. Não evidenciada a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ser integralmente mantido em seus próprios termos. 6. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.948.597/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. CORREÇÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. 1. Admite-se que os embargos, ordinariamente integrativos, tenham efeitos infringentes desde que constatada a presença de um dos vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil, cuja correção importe alterar a conclusão do julgado. 2. O recurso especial que indica violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, mas traz somente alegação genérica de negativa de prestação jurisdicional é deficiente em sua fundamentação, o que atrai o óbice da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicada por analogia. 3. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos modificativos. (EDcl no AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.994.741/PR, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 27/10/2023.) Assim, melhor sorte não socorre aos agravantes. Por fim, quanto à penalidade requerida em contrarrazões (e-STJ, fl. 1.234), cumpre destacar que a "litigância de má-fé, passível de ensejar a aplicação da multa estabelecida no art. 80 do NCPC, configura-se quando houver a prática de atos inúteis ou desnecessários à defesa do direito e à criação de embaraços à efetivação das decisões judiciais, ou seja, na insistência injustificável da parte na utilização e reiteração indevida de recursos manifestamente protelatórios" o que não se verifica na espécie (AgInt no AREsp 1.915.571/RS, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 16/11/2021, DJe 19/11/2021). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REINVIDICATÓRIA. FALECIMENTO DA INVENTARIANTE NO CURSO DO PROCESSO. OFENSA AOS ARTS. 489, 1.022 E 1.025, TODOS DO CPC/2015. ALEGAÇÃO GENÉRICA. DEFICIÊNCIA RECURSAL. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284/STF. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.