AREsp 2504170 - ACORDAO
O agravo interno deve ser desprovido porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de origem que inadmitiu o recurso especial (notadamente a ausência de indicação dos dispositivos de lei violados e a deficiência de cotejo analítico), razão pela qual, por analogia, aplica-se a Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: AGHIS INTERNATIONAL LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Quarta Turma (sessão Virtual De 21/05/2024 a 27/05/2024) Negar Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno (agravo interno desprovido).
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 182/stj, Súmula 284/stf, Princípio Da Dialeticidade, Deficiência De Cotejo Analítico
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Parties
AGHIS INTERNATIONAL LTDA.
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Pela Quarta Turma (sessão Virtual De 21/05/2024 a 27/05/2024) Negar Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Ausência/erro de indicação de artigo de lei federal tidos como violados (Súmula 284/STF)
- 2 Deficiência de cotejo analítico dos julgados apontados
- 3 Ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada (princípio da dialeticidade)
Ratio Decidendi
O agravo interno deve ser desprovido porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de origem que inadmitiu o recurso especial (notadamente a ausência de indicação dos dispositivos de lei violados e a deficiência de cotejo analítico), razão pela qual, por analogia, aplica-se a Súmula 182/STJ, mantendo‑se a decisão recorrida por seus próprios fundamentos.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno (agravo interno desprovido).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão monocrática da Presidência que não conheceu do agravo por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/05/2024 a 27/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. 1. Aplicação correta da Súmula 182/STJ. Ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de origem que inadmitiu o processamento do recurso especial. Violação ao princípio da dialeticidade, ensejando a manutenção do provimento hostilizado por seus próprios fundamentos. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por AGHIS INTERNATIONAL LTDA., contra decisão monocrática de fls. 1.136/1.137 (e-STJ), da lavra da Presidência deste Superior Tribunal de Justiça, a qual não conheceu do agravo (art. 1.042, do CPC/15) manejado pela ora insurgente, por ofensa ao princípio da dialeticidade - Súmula 182/STJ. Conforme restou decidido, "mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o recurso especial, considerando: ausência/erro de indicação de artigo de lei federal violado - Súmula 284/STF e deficiência de cotejo analítico. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente: ausência/erro de indicação de artigo de lei federal violado - Súmula 284/STF". Em suas razões recursais (fls. 1.141/1.155, e-STJ), a parte recorrente reafirma os argumentos deduzidos no apelo nobre, oportunidade em que lança argumentos para desconstituir os fundamentos que embasaram o decisum recorrido. Sem impugnação (certidão de fl. 1.160, e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. 1. Aplicação correta da Súmula 182/STJ. Ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de origem que inadmitiu o processamento do recurso especial. Violação ao princípio da dialeticidade, ensejando a manutenção do provimento hostilizado por seus próprios fundamentos. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O agravo interno não merece acolhida, porquanto os argumentos tecidos pela recorrente são incapazes de infirmar a decisão impugnada, motivo pelo qual ela merece ser mantida na íntegra, por seus próprios fundamentos. 1. Efetivamente, nas razões do agravo em recurso especial (fls. 1.104/1.124, e-STJ), a parte insurgente não combateu, adequadamente, todos os fundamentos utilizados pela Corte de origem para inadmitir o processamento do apelo extremo. Em juízo prévio de admissibilidade (1.097/1.099, e-STJ), negou-se seguimento ao recurso especial, com fundamento no óbice contido na Súmula 284/STF, por deficiência de fundamentação, decorrente da ausência de indicação dos dispositivos de lei tidos como violados e na ausência de demonstração do dissenso pretoriano, porquanto destituído do necessário cotejo analítico dos julgados apresentados, não se revelando a mera transcrição de ementas suficiente para tanto. Em suas razões de agravo em recurso especial , ateve-se a recorrente a repisar os argumentos deduzidos no apelo especial. No tocante à incidência da Súmula 284/STF, por deficiência de fundamentação, decorrente da ausência de indicação dos dispositivos de lei tidos como violados , verifica-se que a parte agravante não discorreu qualquer consideração apta a combater o referido impedimento. Assim, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada atrai, por analogia, o óbice contido no enunciado da Súmula 182 do STJ, verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC 73 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Com efeito, nos moldes do entendimento firmado por este Tribunal Superior, à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos da decisão de admissibilidade recursal, de maneira a demonstrar que o apelo extremo merece ser apreciado por esta Corte, o que não se vislumbra no recurso em questão. Este, a propósito, foi o entendimento adotado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial n.º 746.775/ PR, no qual restou afirmado que o recorrente deve impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento do agravo por aplicação da Súmula 182 do STJ. Pois, conforme já decidiu o STJ, " à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 26/11/2008 - grifos nossos). 2. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.