AREsp 2577052 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial por deficiência na fundamentação quanto à indicação do permissivo constitucional autorizador e pela indicação genérica de violação de lei federal, nos termos da Súmula n. 284/STF e do art. 1.029, II, do CPC/2015, exigindo-se a indicação explícita do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: EFITEG SEGURANCA E VIGILANCIA PRIVADA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Conheceu Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula N. 284/stf, Contribuições Previdenciárias, Indenização Por Não Concessão De Intervalo Intrajornada
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
EFITEG SEGURANCA E VIGILANCIA PRIVADA LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Conheceu Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a indenização por não concessão ou concessão parcial de intervalo intrajornada (art. 71, §4º, CLT) integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias
- 2 Se o recurso especial foi adequadamente fundamentado quanto à indicação do permissivo constitucional e dos dispositivos violados, nos termos do art. 1.029, II, CPC/2015 e da Súmula n. 284/STF
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não conheceu-se do recurso especial por deficiência na fundamentação quanto à indicação do permissivo constitucional autorizador e pela indicação genérica de violação de lei federal, nos termos da Súmula n. 284/STF e do art. 1.029, II, do CPC/2015, exigindo-se a indicação explícita do dispositivo e da alínea invocada para admitir o recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por EFITEG SEGURANCA E VIGILANCIA PRIVADA LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, GILRAT E DE TERCEIROS. QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM A CONCESSÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE OU DOENÇA. SALÁRIO-MATERNIDADE. INTERVALO INTRAJORNADA NÃO USUFRUÍDO. COMPENSAÇÃO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação da Lei n. 13.467/2017, no que concerne à ilegalidade da inclusão do valor da indenização por não concessão ou concessão parcial de intervalo intrajornada mínimo na base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois essa verba possui caráter indenizatório, trazendo a seguinte argumentação: Pois, em que pese o máximo respeito ao TRIBUNAL A QUO, não há embasamento legal para classificar a chamada "indenização por não concessão ou concessão parcial de intervalo intrajornada mínimo (art. 71, §4º, da CLT)" como verba de natureza remuneratória e, por conseguinte, integrar a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Isso porque foi o próprio Legislador que ratificou a natureza indenizatória dessa verba, conforme redação do §4º, do artigo 71, da CLT, por meio da Lei nº 13.467/2017, de modo cristalino e literal, excluído assim da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, cujo tributo tão somente incide sobre verbas de natureza remuneratória, à luz doartigo22, I, e II, da Lei 8.212/1991, in verbis: .. Ou seja, a partir da publicação e da vigência da Lei nº 13.467/2017 não há qualquer dúvida a respeito da natureza indenizatória dessa verba, o que está definida pelo Legislador "com todas as letras" (fls. 265-266). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Isso porque, conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, inciso III, da Constituição Federal, e quais são as alíneas desse permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Esse entendimento possui respaldo em recente julgado desta Corte Superior de Justiça: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ART. 1.029 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. .. II - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a correta indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". III - Conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, o recorrente, na petição de interposição, deve evidenciar de forma explícita e específica em qual ou quais dos permissivos constitucionais está fundado o seu recurso especial, com a expressa indicação da alínea do dispositivo autorizador. Este entendimento possui respaldo em antiga jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que assim definiu: "O recurso, para ter acesso à sua apreciação neste Tribunal, deve indicar, quando da sua interposição, expressamente, o dispositivo e alínea que autoriza sua admissão. .. . (AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/06/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/06/2021. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 284/STF uma vez que há indicação genérica de violação de lei federal sem particularizar quais dispositivos teriam sido contrariados, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "De outro lado, verifica-se que, embora a parte recorrente tenha indicado violação à MP 2.180-35/01 e à Lei n. 4.414/64, não apontou, com precisão, qual regramento legal teria sido efetivamente violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo, por analogia, a incidência da Súmula 284/STF". (AgInt no REsp n. 1.468.671/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 30/3/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AREsp n. 1.641.118/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 25/6/2020; AgInt no AREsp n. 744.582/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 1/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.305.693/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 31/3/2020; AgInt no REsp n. 1.475.626/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/12/2017; AgRg no AREsp n. 546.951/MT, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 22/9/2015; e REsp n. 1.304.871/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2015. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA