AREsp 2609127 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a agravante não impugnou de forma específica os fundamentos que levaram ao não conhecimento do recurso especial; aplica-se, assim, por analogia, a Súmula 182/STJ e mantêm-se o óbice da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de matéria fática, motivo...
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- Parties
- Agravante: GISLENE FERNANDES DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc/2015) Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Não conhecido do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Súmulas Do STJ (7, 182, 284), Impugnação Específica Dos Fundamentos, Honorários Advocatícios
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Parties
GISLENE FERNANDES DE SOUZA
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc/2015) Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 violação do princípio da dialeticidade por ausência de impugnação específica
- 2 aplicação, por analogia, das Súmulas 284 e 182/STJ
- 3 vedação ao reexame de matéria fática (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a agravante não impugnou de forma específica os fundamentos que levaram ao não conhecimento do recurso especial; aplica-se, assim, por analogia, a Súmula 182/STJ e mantêm-se o óbice da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de matéria fática, motivo pelo qual o agravo não merece conhecimento, com majoração dos honorários em 10% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Não conhecido do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Majora-se os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/2015) interposto por GISLENE FERNANDES DE SOUZA contra decisão (fls. 492-494 e-STJ), que deixou de admitir o recurso especial, fundamentado nas alíneas "a" e "c", do permissivo constitucional, sob os seguintes fundamentos: i) aplicação, por analogia, do óbice da Súmula 284/STJ, em face da mera citação a artigo de lei sem demonstração da necessária argumentação que sustente a alegada violação à lei federal; ii) aplicação do óbice da Súmula 7/STJ; e iii) no tocante a alínea "c" do art. 105 da Constituição Federal, a parte recorrente deixou de atender aos requisitos previstos nos art. 1.029, § 1º, do CPC/15 e no art. 255 do RISTJ. Daí o presente agravo (fls. 497-503 e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência. Sem contraminuta. É o relatório. Decide-se. O recurso não merece conhecimento, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Com efeito, a parte agravante limitara-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação dos óbices invocados, relativos: i) aplicação, por analogia, do óbice da Súmula 284/STJ, em face da mera citação a artigo de lei sem demonstração da necessária argumentação que sustente a alegada violação à lei federal; ii) aplicação do óbice da Súmula 7/STJ; e iii) no tocante a alínea "c" do art. 105 da Constituição Federal, a parte recorrente deixou de atender aos requisitos previstos nos art. 1.029, § 1º, do CPC/15 e no art. 255 do RISTJ. Da leitura das razões do agravo (fls. 497-503 e-STJ), verifica-se que a parte recorrente não impugnou, especificamente, os fundamentos da decisão agravada, limitando-se a impugnar genericamente o óbice da Súmula 7/STJ e a defender o cabimento da condenação ao pagamento de indenização por danos morais no caso dos autos. Convém destacar, ainda, que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da desnecessidade do reexame de matéria de prova para que se chegue a conclusão diversa daquela em que se firmou o acórdão recorrido. A propósito, cita-se o seguinte julgado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 7/STJ. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182. INCIDÊNCIA 1. Ação de obrigação de fazer c/c compensação por danos morais. 2. O agravo interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial que não impugna, especificamente, todos os fundamentos por ela utilizados, não deve ser conhecido. 3. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7/STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1775476/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/03/2021, DJe 18/03/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS 7 E 182 DO STJ. 1. A insurgente não impugnou, de forma precisa, os fundamentos da decisão impugnada em relação à aplicação da Súmula 7/STJ, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula 182 desta Corte: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 2. Não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 3. Ainda que assim não fosse, decidir de forma contrária ao acórdão recorrido demandaria necessariamente o reexame de matéria fática, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte Superior. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1067725/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2017, DJe 20/10/2017) Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do CPC/15: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). Nesse sentido: AgInt no AREsp 960.836/PA, Rel. Ministro LUÍS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/12/2016, DJe 09/12/2016; AgInt no AREsp 862.831/MS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 28/11/2016; AgInt no AREsp 236.698/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/11/2016, DJe 17/11/2016. 2. Do exposto, com amparo no artigo 932, III, do NCPC e na Súmula 182/STJ, não se conhece do agravo em recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majora-se os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA