AREsp 2350579 - DECISAO
Não se verificou negativa de prestação jurisdicional nem omissão nos termos alegados; o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a decisão, reconhecendo que o processo administrativo foi extinto no curso da ação e que a comunicação ao contribuinte ocorreu após o ajuizamento, razão pela qual o agravante deu causa...
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- Parties
- Agravante: Estado de Minas Gerais; Apelada: Apelada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Agravo: Negado Provimento
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Honorários Advocatícios, Sucumbência Da Fazenda Pública, Princípio Da Causalidade, Prova Pericial, Extinção De Processo Administrativo
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Parties
Estado de Minas Gerais
Agravante
Apelada
Apelada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Agravo: Negado Provimento
Legal Issues
- 1 alegação de negativa de prestação jurisdicional (omissão)
- 2 violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 3 incidência do princípio da causalidade para imputação de honorários à Fazenda Pública
Ratio Decidendi
Não se verificou negativa de prestação jurisdicional nem omissão nos termos alegados; o Tribunal de origem fundamentou adequadamente a decisão, reconhecendo que o processo administrativo foi extinto no curso da ação e que a comunicação ao contribuinte ocorreu após o ajuizamento, razão pela qual o agravante deu causa à demanda e deve arcar com os ônus sucumbenciais; assim, não há violação dos dispositivos do CPC invocados, e o agravo foi negado provimento.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo Estado de Minas Gerais, desafiando decisão denegatória de admissibilidade a recurso especial, este interposto com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado (fl. 2.570): REMESSA NECESSÁRIA E APELAÇÃO CÍVEL - DIREITO TRIBUTÁRIO - AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTOS DE INFRAÇÃO - ICMS - AUTO DE INFRAÇÃO EXTINTO NO CURSO DO PROCESSO - SUCUMBÊNCIA DA FAZENDA PÚBLICA - REVELIA - PERÍCIA - PROVA DA INEXISTÊNCIA DE FATURAMENTO OMITIDO E DE DÉBITO TRIBUTÁRIO - ANULAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. 1. O encerramento do processo administrativo relativo ao auto de infração no curso do processo justifica a condenação da Fazenda Pública aos ônus sucumbenciais, em razão da perda superveniente de objeto. 2. Embora as conclusões lançadas na prova pericial não vinculem o magistrado, na esteira do art. 479 do Código de Processo Civil, a sua desconstrução reclama o alinhamento de argumentos sólidos e convincentes em sentido contrário. 3. A determinação de uma segunda perícia reclama a constatação de falhas ou de omissões no primeiro laudo. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 2.603/2.612). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 90, §4º, 489, II, §1º, IV e VI e 1.022, caput, II, e parágrafo único, do CPC. Sustenta que: (I) a despeito dos embargos de declaração, o Tribunal de origem remanesceu omisso acerca das questões neles suscitadas, a saber, "pelo princípio da causalidade, foi o autor que deu causa à presente demanda, tendo em vista que é incontroverso que a ação fiscal teve como motivação exclusiva a divergência da receita declarada nas PAPIs, informação prestada pelo próprio autor (que confessou a incorreção)" (fls. 2.617/2.618) e (II) deve ser concedida a redução dos honorários advocatícios, em razão do cumprimento da prestação. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Da leitura das razões de agravo em recurso especial, extrai-se que a parte afirmou que "O presente recurso se limitará à negativa de prestação jurisdicional, em razão da incidência do Enunciado nº 7 quanto ao restante" (fl. 2.660). Dessa forma, operou-se a preclusão em relação à alegação de violação ao art. 90, §4º, do CPC, razão pela qual não será abordado na presente decisão o referido ponto. Adiante, verifica-se não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, II, §1º, IV e VI e 1.022, caput, II, e parágrafo único, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional (AgInt no AREsp 1678312/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 22/3/2021, DJe 13/4/2021). Nesse contexto, destaca-se a seguinte fundamentação adotada pela Corte de origem em relação ao princípio da causalidade no caso dos autos (fls. 2.573/2.574 - g.n.): No que tange ao auto de infração n. 01.000709696-88, infere-se dos documentos acostados ao evento 337 que, embora conste do sistema do Apelante que o PTA respectivo foi extinto em 10/07/2018, também consta que o encerramento do processo administrativo correspondente operou-se em 04/09/2019. Além disso, a Apelada foi comunicada da extinção do crédito apenas em 10/09/2019 (evento 337), ou seja, depois da propositura da presente ação - 16/08/2018 (evento 2). Logo, não há como prosperar a tese do Apelante de falta de interesse de agir relativamente ao auto de infração n. 01.000709696-88 para o fim de imputar à Apelada os ônus de sucumbência proporcionais. Afinal, considerando que o processo administrativo referente ao mencionado auto de infração encerrou-se apenas no curso desta ação, há de se considerar que o Apelante deu causa à propositura da demanda, devendo, portanto, arcar com os honorários advocatícios arbitrados na sentença. A tanto, verifica-se, pela fundamentação do acórdão recorrido (fls. 2.570/2.577), integrada em sede de embargos declaratórios (fls. 2.603/2.612), que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Outrossim, não se descortina negativa de prestação jurisdicional, ao tão só argumento de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Frise-se, mais, que o Tribunal não fica obrigado a examinar todos os artigos de lei invocados no recurso, desde que decida a matéria questionada sob fundamento suficiente para sustentar a manifestação jurisdicional, tornando dispensável a análise dos dispositivos que pareçam para a parte significativos, mas que para o julgador, senão irrelevantes, constituem questões superadas pelas razões de julgar. A propósito, confira-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA EX OFFICIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. A DISCUSSÃO DO MÉRITO IMPÕE O REVOLVIMENTO DAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. O PERÍODO EM QUE O MILITAR TEMPORÁRIO ESTIVER ADIDO, PARA FINS DE TRATAMENTO MÉDICO, NÃO É COMPUTADO PARA FINS DE ESTABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. I - Trata-se de demanda ajuizada por ex-militar, objetivando provimento jurisdicional que determine sua reforma ex officio, com soldo referente ao posto/graduação por ele ocupado quando na ativa, bem como condenação da demandada ao pagamento de danos morais e estéticos. II - Após sentença que julgou parcialmente procedente a demanda, foi interposta apelação pela parte autora e ré, sendo que o TRF da 5ª Região, por maioria, deu provimento ao apelo da ré, julgando prejudicado o apelo do autor, ficando consignado, com base nas provas carreadas aos autos, que o autor está definitivamente incapacitado para o serviço militar, fazendo jus aos proventos correspondentes à graduação que ocupava. III - Sustenta, em síntese, que o Tribunal a quo deixou de se manifestar acerca da omissão descrita nos aclaratórios, defendendo ter direito à reforma ex officio, seja pela incapacidade definitiva para o serviço militar, seja pelo tempo transcorrido na condição de agregado, bem como pela estabilidade que supostamente alcançou (ex vi arts. 50, IV, a e 106, II e III, da Lei n. 6.880/1980). IV - Não assiste razão ao recorrente no tocante à alegada violação do art. 1.022 do CPC. Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1575315/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018.V- Com efeito, o Tribunal a quo, soberano na análise fática, considerou não haver prova da conexão entre o acidente mencionado e a moléstia do autor. VI- Dessarte, verifica que a presente irresignação vai de encontro às convicções do julgador "a quo", que tiveram como lastro o conjunto probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese o enunciado da Súmula n. 7/STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1334753/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 27/11/2019. VII- Ademais, quanto à alegação de estabilidade sustentada pelo recorrente, esta Corte tem firmado a compreensão de que a mera reintegração de militar temporário na condição de adido, para tratamento médico, não configura hipótese de estabilidade nos quadros das Forças Armadas. Ou seja, o período em que o militar esteve licenciado, na condição de adido, não pode ser computado para atingir a estabilidade decenal, não prosperando, portando, as alegações aduzidas pelo interessado. A propósito: REsp 1786547/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 23/04/2019.VII - Recurso especial não provido. (REsp 1752136/RN, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 01/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NÃO VERIFICADA. MERO INCONFORMISMO. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS. 1. Os Embargos de Declaração não merecem prosperar, uma vez que ausentes os vícios listados no art. 1.022 do CPC. 2. Apesar de os embargantes asseverarem que há omissão quanto à tese de afronta dos arts. 355, I, e 370 do CPC/2015 e quanto ao exame da imprescindibilidade da produção de prova técnica, verifica-se que o acórdão embargado enfrentou expressamente tais alegações, ao registrar (fl. 903): "No tocante à alegada afronta dos arts. 355, I, 370, não se pode conhecer da irresignação. Ao dirimir a controvérsia, a Corte estadual consignou (fl. 789): "De início, no que se refere à preliminar de cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide, o que culminaria em ocorrência de cerceamento de defesa, deve ser afastada, vez que, ao contrário do que alegado, diante da documentação contida nos autos, é de se reputar como totalmente dispensável a produção de prova pericial, vez que no presente caso todos os elementos necessários para se determinar a responsabilidade e a extensão dos danos ambientais apurados se encontram nas peças encartadas nestes autos, que têm o condão de bem demonstrar a situação na área objeto da ação". O art. 370 do CPC/2015 consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valer-se do seu convencimento, à luz das provas constantes dos autos que entender aplicáveis ao caso concreto. Não obstante, a aferição da necessidade de produção de determinada prova impõe o reexame do conjunto fático-probatório encartado nos autos, o que é defeso ao STJ, ante o óbice erigido pela Súmula 7/STJ". 3. Não há omissão no decisum embargado. As alegações dos embargantes denotam o intuito de rediscutir o mérito do julgado, e não o de solucionar omissão, contradição ou obscuridade. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1798895/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/4/2020, DJe 05/5/2020) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA