AREsp 2675137 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por falta de prequestionamento da matéria no acórdão recorrido (incidência da Súmula 211/STJ) e por deficiência na fundamentação quanto à indicação do permissivo constitucional autorizador, inclusive da alínea invocada (incidência da Súmula 284/STF e art. 1.029, II, CPC/2015);...
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- Parties
- Agravante: ANA CAROLINA DE LIMA PEREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Sucumbenciais, Fraude Em Contrato Bancário, Responsabilidade Objetiva, Restituição De Indébito, Modulação De Efeitos, Cotejo Analítico
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Parties
ANA CAROLINA DE LIMA PEREIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento (Súmula 211/STJ)
- 2 deficiência na indicação do permissivo constitucional e alínea (exigência do art. 1.029, II, CPC) (Súmula 284/STF)
- 3 insuficiência do cotejo analítico para demonstrar dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por falta de prequestionamento da matéria no acórdão recorrido (incidência da Súmula 211/STJ) e por deficiência na fundamentação quanto à indicação do permissivo constitucional autorizador, inclusive da alínea invocada (incidência da Súmula 284/STF e art. 1.029, II, CPC/2015); além disso, não houve cotejo analítico capaz de demonstrar dissídio jurisprudencial, impedindo o conhecimento do recurso especial pela alínea 'c' do inciso III do art. 105 da Constituição Federal.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ANA CAROLINA DE LIMA PEREIRA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, assim resumido: Apelação cível. Ação declaratória de inexistência de débito c/c indenização por dano moral. Cerceamento de defesa. Inversão do ônus da prova não é automática. Preliminar afastada. Relação de consumo. Contratação de empréstimo consignado mediante fraude. Falha na prestação de serviço. Fortuito Interno. Responsabilidade objetiva. Restituição de indébito em dobro. Aplicação da tese fixada no EAREsp 676.680/RS. Modulação dos efeitos. Danos morais caracterizados. Sentença reformada. I - A inversão do ônus da prova não é automática, sendo certo que se faz necessária a comprovação da impossibilidade da prova ou excessiva dificuldade de produzi-la pelo do consumidor. II - A documentação acostada aos autos é suficiente para a formação da convicção do juiz quanto à inexistência de relação jurídica entre as partes. Preliminar de cerceamento de defesa afastada. III - A contratação de empréstimo mediante fraude, como ocorreu no caso em debate, constitui fortuito interno, inerente ao risco da atividade bancária, cuja responsabilidade pelos prejuízos decorrentes é da instituição financeira, que responde de forma objetiva, independentemente da existência de culpa ou dolo, à luz da legislação consumerista e do enunciado da Súmula nº 479 do colendo Tribunal Superior. III - Considerando o entendimento firmado pela Corte Superior no julgamento dos EREsp 1.413.542/RS e EAREsps 664.888/RS, 600.663/RS, 622.897/RS e 676.608/RS, no sentido de que a restituição em dobro do indébito prevista no art. 42, do CDC, independe da natureza do elemento volitivo do fornecedor que cobrou valor indevido, revelando-se cabível quando a cobrança indevida consubstanciar conduta contrária à boa-fé e considerando, ainda, a modulação dos efeitos dos referidos julgados, impõe-se, no presente caso, a devolução de forma dobrada, visto que as cobranças foram realizadas após 30.03.2021. IV - Consoante jurisprudência firmada no colendo Superior Tribunal de Justiça, nas situações de danos causados em decorrência de fraude ocorrida em transação bancária, tem-se por presumido o dano moral em razão do ato. Apelação conhecida e provida. Sentença reformada. Quanto à controvérsia, pel a alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega dissídio jurisprudencial e violação do art. 85, § 2º, do CPC, sustentando que nas ações com pedidos autônomos de declaração e de danos morais, os honorários sucumbenciais devem ser arbitrados com base no valor da condenação e também sobre o proveito econômico obtido no pedido declaratório, trazendo a seguinte argumentação: Em que pese provido o recurso de apelação para declaração a inexistência de dívida, os honorários foram fixados apenas sobre o pedido de natureza condenatória, ensejando a oposição de embargos de declaração (movimentação 70) para que fosse sanada a omissão: .. É que o Tribunal de Justiça de Goiás, em que pese reformar a sentença e prover o recurso de apelação, julgando procedentes todos os pedidos formulados na exordial, para declarar a inexistência de relação jurídica entre GS partes, consubstanciada nos contratos n º 494147281 e 494549486, bem como, condenar a Recorrida ao pagamento de danos morais e restituição em dobro de parcelas indevidamente cobradas, fixou honorários sucumbenciais exclusivamente sobre o pedido de natura condenatória , deixando de fixar tal verba sucumbencial sobre o proveito econômico obtido com a dispensa do pagamento dos contratos bancários citados em linhas anteriores. .. Vejam que, conforme trecho da decisão recorrida acima destacado, em negrito, e que consubstancia o prequestionamento da controvérsia, a 4" Comarca Cível do TJGO, mesmo estando evidenciado que o proveito econômico obtido não se limitou aos pedidos condenatórios, mas também à dívida declarada inexistente (contrato n º 494147281 correspondente a 96 parcelas de R$ 1.000,00 (totalizando R$ 96.000,00) e contrato n º 494549486 correspondente a 96 parcelas de R$ 600,00 (totalizando R$ 57.600,00), que juntos correspondem a dívida de R$ 153.600,00), fixou honorários sucumbenciais apenas sobre os pedidos de natureza condenatória, violando expressamente o art. 85 §2 º CPC, relativamente ao proveito obtido com o pedido declaratório (R$ 153.600,00): .. O art. 85 52 º do CPC expressamente determina que os honorários advocatícios devem ser fixados a condenação e sobre o proveito econômico obtido (em clara referência aos pedidos de natureza declaratória. .. Pelo que pode observar da jurisprudência do TJDFT acima mencionada, em casos como o dos autos, onde a causa de pedir decorre de fraude bancária que culminou na contratação fraudulenta em nome do consumidor, os honorários advocatícios de sucumbência devem ser fixados com base em cada um dos pedidos julgados procedentes, inclusive quanto ao de natureza declaratória de inexistência de dívida, sobre o valor dos contratos declarados nulos. No presente caso, tem-se cumulação própria e simples de pedido declaratório de inexistência de dívida, pedido condenatório de repetição de indébito e pedido condena - Kiriº de danos morais. .. Nessa situação é possível que, mesmo com a procedência de todos os pedidos, as providências sejam distintas, havendo condenação em apenas parte dos pedidos e proveito econômico em relação ao pedido declaratório, inviabilizando assim, a adoção de uma única base de cálculo como erroneamente procedeu o TJGO (fls. 721/736). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29/8/2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º/3/2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26/8/2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18/12/2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 16/8/2022. Quanto ao dissídio jurisprudencial, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Isso porque, conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, inciso III, da Constituição Federal, e quais são as alíneas desse permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Esse entendimento possui respaldo em recente julgado desta Corte Superior de Justiça: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ART. 1.029 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. .. II - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a correta indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". III - Conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, o recorrente, na petição de interposição, deve evidenciar de forma explícita e específica em qual ou quais dos permissivos constitucionais está fundado o seu recurso especial, com a expressa indicação da alínea do dispositivo autorizador. Este entendimento possui respaldo em antiga jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que assim definiu: "O recurso, para ter acesso à sua apreciação neste Tribunal, deve indicar, quando da sua interposição, expressamente, o dispositivo e alínea que autoriza sua admissão. .. . (AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/06/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/06/2021. Além disso, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ainda, verifica-se que a tese recursal que serve de base para o dissídio jurisprudencial não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da tese recursal objeto da divergência, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido: "A ausência de debate, no acórdão recorrido, acerca da tese recursal, também inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial, pois, sem discussão prévia pela instância pretérita, fica inviabilizada a demonstração de que houve adoção de interpretação diversa". (AgRg no AREsp n. 1.800.432/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 25/03/2021.) Sobre o tema, confira-se ainda o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.516.702/BA, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/12/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA