AREsp 2606798 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara, objetiva e específica os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, limitando-se a alegações que exigiriam reexame de fato e prova (vedado pelas Súmulas 5 e 7/STJ) e descumprindo o dever de dialeticidade previsto no art. 932,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: N & N CONSULTORIA ESPORTIVA E EMPRESARIAL LTDA.; Parte Relacionada (embargos À Execução Fiscal): Município de São Vicente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Inadmissibilidade De Recurso Especial (não Conhecimento Do Agravo)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Dever De Impugnação Específica, Princípio Da Dialeticidade, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Inadmissibilidade Por Reexame De Provas
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Parties
N & N CONSULTORIA ESPORTIVA E EMPRESARIAL LTDA.
Agravante
Município de São Vicente
Parte Relacionada (embargos À Execução Fiscal)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Inadmissibilidade De Recurso Especial (não Conhecimento Do Agravo)
Legal Issues
- 1 impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 dever de dialeticidade recursal (art. 932, III, CPC/2015)
- 3 vedação ao reexame de fatos/provas pelo recurso especial (Súmulas 5/STJ e 7/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma clara, objetiva e específica os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, limitando-se a alegações que exigiriam reexame de fato e prova (vedado pelas Súmulas 5 e 7/STJ) e descumprindo o dever de dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015 e art. 253 do RI/STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial manejado por N & N CONSULTORIA ESPORTIVA E EMPRESARIAL LTDA. impugnando decisão que inadmitiu recurso especial interposto contra acórdão, assim ementada (fl. 1.559): APELAÇÃO Embargos à execução fiscal Município de São Vicente ISSQN Agenciamento (item 17, subitem 17. 4 da LC 116/03) Sentença de procedência Pretensão à reforma Admissibilidade O fato gerador do ISSQN é a efetiva prestação do serviço A atividade realizada evidencia o estabelecimento de vínculo entre a empresa agenciadora, o jogador agenciado e o time de futebol interessado na sua contratação, apresentando-se sob a forma de "obrigação de fazer", elemento caracterizador da prestação de serviços (negócio jurídico mediante o qual uma das partes se obriga a praticar certa atividade, de natureza física ou intelectual recebendo, em troca, remuneração) Provas documentais que demonstram de forma inequívoca a existência de prestação de serviços, sobre os quais incide o ISS, corroborando com a presunção de certeza e liquidez do título executivo Sentença reformada RECURSO PROVIDO. É o relatório. Decido. Nos termos do que dispõe o art. 932, III, do CPC/2015 e o art. 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 2016), compete ao agravante impugnar especificamente os fundamentos da decisão que obstou o recurso especial na origem. Assim, além da manifestação do inconformismo, inerente ao ato de irresignação, impõe-se ao recorrente o ônus de contrapor-se, de forma clara e específica, a todos os fundamentos da decisão agravada, conforme determina a lei processual civil e o princípio da dialeticidade. A respeito da impugnação à decisão de inadmissibilidade, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que " a decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp n. 701.404/SC, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018). No caso dos autos, as razões do AREsp não impugnam especificamente a aplicação dos óbices das Súmula 5/STJ e 7/STJ, no sentido de que o fundamento utilizado para a interposição somente poderia ter sua procedência verificada mediante o reexame de cláusulas contratuais e das provas colhidas nos autos. Isso se confere, notadamente, porque a agravante aduz sua própria interpretação sobre cláusulas contratuais de cumprimento e descumprimento de contrato, penalidades, comissões, obrigações contratadas e demais matérias fático-probatórias, para afirmar sua tese recursal. Com efeito, as razões recursais demonstram que a análise da pretensão recursal demanda reexame das próprias premissas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita, providência vedada no âmbito do recurso especial, por força dos óbices das Súmulas 5/STJ e 7/STJ. Ao agravante impõe-se o ônus de observar o contexto em que os fundamentos da decisão da Corte de origem foram lançados e impugná-los, de forma individualizada e específica, demonstrando, de forma clara, objetiva e concreta, o desacerto da decisão agravada - o que não ocorreu no caso dos autos - situação essa que impõe o não conhecimento do recurso. A propósito, na parte que interessa: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO, ANTE A AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INSURGÊNCIA DO DEMANDANTE. 1. Consoante expressa previsão contida nos arts. 932, III, do CPC e 253, I, do RISTJ, e em razão do princípio da dialeticidade, deve o agravante demonstrar, de modo fundamentado, o desacerto da decisão que inadmitiu o apelo extremo, o que não aconteceu na hipótese. Incidência da Súmula 182 do STJ. 2. São insuficientes ao cumprimento do dever de dialeticidade recursal as alegações genéricas de inconformismo, devendo a parte recorrente, de forma clara, objetiva e concreta, demonstrar o desacerto da decisão impugnada. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.199.998/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023) PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTO INATACADO. .. .. 5. A iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que não se conhece de Agravo contra decisão monocrática que não ataca especificamente os fundamentos da decisão recorrida, de forma a demonstrar que o entendimento esposado merece modificação. Assim, não bastam alegações genéricas em sentido contrário às afirmações da decisão agravada. .. (AgInt no AREsp n. 1.715.725/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/2/2021, DJe de 1/3/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO APELO NOBRE PROFERIDA PELA CORTE DE ORIGEM. NÃO CONHECIMENTO DO RECLAMO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do apelo nobre, proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do artigo 932, III, do CPC/2015 (artigo 544, § 4º, I, do CPC/1973). .. (AgInt no AREsp 993.261/MS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/8/2017, DJe 30/8/2017) Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO NÃO CONHECIDO.