AREsp 2681153 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, violando o princípio da dialeticidade, o que autoriza a não admissão do agravo com fundamento no art. 932, III do CPC, art. 253, parágrafo único, I do RISTJ e Súmula 182/STJ; acresceu-se a...
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- Parties
- Agravante: NILTON CARLOS DE OLIVEIRA ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Irredutibilidade De Vencimentos, Jornada De Trabalho Dos Policiais Militares, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 182/stj
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Parties
NILTON CARLOS DE OLIVEIRA ALVES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 se o agravo impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 possibilidade de análise de matéria constitucional em sede de recurso especial
- 3 incidência por analogia das Súmulas (280/STF e 284/STJ) e deficiência do cotejo analítico
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, violando o princípio da dialeticidade, o que autoriza a não admissão do agravo com fundamento no art. 932, III do CPC, art. 253, parágrafo único, I do RISTJ e Súmula 182/STJ; acresceu-se a majoração dos honorários em 10% nos termos do art. 85, §11 do CPC.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Determino a majoração dos honorários advocatícios em 10% do valor arbitrado na instância de origem, na forma do §11 do art. 85 do CPC, observados os §§ 2º e 3º do mesmo dispositivo.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por NILTON CARLOS DE OLIVEIRA ALVES, contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça de Pernambuco, assim ementado (fls. 298-299): EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO CÍVEL EM AÇÃO ORDINÁRIA. POLICIAL MILITAR. LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL 169/2011. ALEGAÇÃO DE AUMENTO DA JORNADA DE TRABALHO DE 30 (TRINTA) PARA 40 (QUARENTA) HORAS SEMANAIS SEM O CORRESPONDENTE INCREMENTO REMUNERATÓRIO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS DA jornada LABORADA ANTES DA VIGÊNCIA DA LCE Nº 169/2011, DE SORTE QUE NÃO SE AFIGURA POSSÍVEL VERIFICAR SE A CARGAHORÁRIA DO POLICIAL MILITAR SOFREU O ACRÉSCIMO APONTADO. recurso DE APELAÇÃO a que SE nega provimento, à unanimidade. 1. A ampliação da jornada de trabalho do servidor sem a correspondente retribuição remuneratória viola o princípio constitucional da irredutibilidade de vencimentos, conforme concluiu o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE nº 660010 (Tema 514). 2. Com fundamento no entendimento acima esposado, inclusive, esta Corte de Justiça estadual já se manifestou diversas vezes acerca da patente inconstitucionalidade do art. 19 da Lei Complementar Estadual nº 155/2010, a qual ampliou a jornada de trabalho dos policiais civis, das 30 (trinta) horas semanais previstas no art. 85 do Estatuto dos Servidores Públicos do Estado de Pernambuco para 40 (quarenta) horas semanais, sem o proporcional aumento da remuneração de tais servidores, em clara afronta ao princípio da irredutibilidade dos vencimentos. 3. No que tange aos policiais militares, a Lei Complementar Estadual nº 169/2011, em seu art. 5º, afirma que a estes se aplicam as disposições do art. 19 da Lei Complementar Estadual nº 155/2010, tendo fixado a jornada de trabalho em 40 horas semanais. 4. No entanto, no caso dos policiais civis, restou provado que a LCE nº 155/2010, de fato, ampliou a carga horária dos servidores sem o devido acréscimo proporcional em suas remunerações. 5. Já com relação aos militares, não é possível extrair da documentação acostada aos autos provas acerca da jornada laborada antes da vigência da LCE nº 169/2011, de sorte que não se afigura possível verificar se a carga horária do policial militar sofreu o acréscimo apontado. 6. Assim, em relação à jornada de trabalho anterior à Lei Complementar Estadual nº 169/2011, não existem provas de efetivo aumento após a aplicação da Lei Complementar 155/2010. 7. Recurso de apelação a que se nega provimento, à unanimidade. Em seu recurso especial de fls. 310-341, sustenta o recorrente que o acordão recorrido violou o art. 7, inciso VI, art. 37, inciso XV e art. 142, §1 e §3º, VIII da Constituição Federal; bem como aos artigos 341, 884 e 885 do Código Civil. Afirma estar demonstrado nos autos "que o aumento da carga horária, sem a devida contraprestação, implica em redução do valor da hora de trabalho, ferindo, portanto, o princípio da Irredutibilidade de Vencimentos e dando margem ao enriquecimento ilícito do Estado" (fl. 316). O Tribunal de origem, às fls. 365-370, não admitiu o recurso especial sob os seguintes argumentos: i) não cabimento de recurso especial para análise de ofensa à matéria constitucional; ii) incidência, por analogia, da Súmula nº 280/STF, em razão da necessidade de interpretação de direito local; iii) incidência, por analogia, da Súmula nº 284 em razão da deficiência do cotejo analítico. Em seu agravo, às fls. 371-378, o agravante defende a não incidência ao caso das Súmulas nº 211/STJ, 280/STF e 7/STJ. É o relatório. A insurgência não pode ser conhecida. De início, verifica-se que não foi impugnada a integralidade da fundamentação da decisão agravada, porquanto a agravante não infirmou especificamente os fundamentos utilizados para a inadmissão do seu recurso especial. Em verdade, a decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada, assentou-se em três fundamentos distintos: i) impossibilidade de análise de matéria constitucional em sede de recurso especial, sob pena de usurpação da competência do STF; ii) incidência, por analogia, da Súmula nº 280/STF, em razão da necessidade de interpretação de direito local; e iii) incidência, por analogia, da Súmula nº 284, em razão da deficiência do cotejo analítico. Todavia, no seu agravo, a parte apenas impugnou a aplicação da Súmula nº 280/STF e trouxe dois novos fundamentos que sequer constaram da decisão agravada, quais sejam a incidência das Súmulas nº 211 e 7/STJ. Logo, os fundamentos da decisão agravada, à míngua de impugnação específica e pormenorizada, permanecem hígidos, produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar o fundamento do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, a agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Também incide à espécie, a exegese do enunciado 182 da Súmula do STJ, que reza: "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. No mais, caso tenha havido fixação de honorários advocatícios na instância de origem, determino sua majoração, em 10% do valor arbitrado, a teor do contido no § 11 do artigo 85 do Código de Processo Civil, com observância dos limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mencionado dispositivo e de eventual isenção ou concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intime-se. EMENTA ADMINISTRATIVO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC, 253, P. Ú, I, DO RISTJ, E SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.