AREsp 2690131 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial em razão da deficiência na fundamentação (indicação genérica dos dispositivos alegadamente violados e ausência de demonstração objetiva dos pontos omitidos, obscuros ou contraditórios) e da ausência de prequestionamento pela Corte de origem, atraindo a...
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- Parties
- Agravante/recorrente (exequente): MARIA DA GRACA MORAES DUARTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 284/stf, Súmula 211/stj, Incidente De Assunção De Competência, Excesso De Execução, Honorários De Sucumbência
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Parties
MARIA DA GRACA MORAES DUARTE
Agravante/recorrente (exequente)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade (não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 alegação de violação do art. 1.022 do CPC
- 2 alegação de violação do art. 927, III, do CPC
- 3 aplicação do precedente formado no Incidente de Assunção de Competência
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do Recurso Especial em razão da deficiência na fundamentação (indicação genérica dos dispositivos alegadamente violados e ausência de demonstração objetiva dos pontos omitidos, obscuros ou contraditórios) e da ausência de prequestionamento pela Corte de origem, atraindo a aplicação das Súmulas 284/STF e 211/STJ, respectivamente.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MARIA DA GRACA MORAES DUARTE à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA DA FASE DE CONHECIMENTO NA EXECUÇÃO INDIVIDUAL DO CRÉDITO DO SUBSTITUÍDO. FRACIONAMENTO DE PRECATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 1.022 do CPC. Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 927, III, do CPC, no que concerne ao reconhecimento de que o cumprimento individual de sentença coletiva foi promovido conforme o título executivo transitado em julgado, de modo que é indevido reconhecer excesso de execução e condenar a exequente ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência com base em decisão posterior de Incidente de Assunção de Competência, que fixou novos parâmetros de cálculo e reduziu o período de liquidação, trazendo a seguinte argumentação: Como já bastante mencionado, a aplicação do precedente formado nos autos do Incidente de Assunção de Competência nº 18.193/2018 foi no sentido de condenar o exequente em honorários de sucumbência sobre o excesso da execução. Ora, ainda não se tem conhecimento no mundo jurídico de que a parte no processo seja obrigada a prever o inesperado, tal como mudança de jurisprudência. Todavia, merece destaque a atuação do magistrado de base, que inovou as praxes jurídicas e condenou a parte exequente em excesso na execução, por não ter adivinhado que anos após ao protocolo da execução, o TJMA decidiria, via Incidente de Assunção de Competência, reduzir os parâmetros do cálculo exequendo, alterando assim o título executivo que vigorava à época do início da presente execução. A parte Exequente, ora recorrente, quando ajuizou a presente Execução Individual de sentença coletiva, tinha em mãos um título certo, líquido e exigível, transitado em julgado em 4 momentos distintos: Ação 14440/2000, Rescisória n. 2862/2013, MS 20700/2004 e IAC 30.287/2016, tendo estabelecido o período da liquidação do julgado: FEVEREIRO DE 1998 a DEZEMBRO DE 2012. No ano de 2019 o TJMA decidiu reduzir o período de liquidação, tal como é amplamente sabido. Se a parte exequente promoveu a execução de sentença com base no título executivo que prevalecia à época, chega às raias do absurdo a condenação em honorários advocatícios por excesso na execução com base em nova tese jurídica, impossível de se adivinhar. Os cálculos apresentados pela parte exequente tinham como base o título executivo que prevalecia. Se por ventura houve alteração do título anos após, não há que se falar em excesso quando a situação é nova nos autos. A mudança do cenário, após o ajuizamento da execução, não tem o condão de punir a parte com o pagamento dos honorários, visto a legítima boa-fé apresentada no processo. .. Por esta razão, a bem da segurança jurídica, para uma prestação jurisdicional justa e concreta, o entendimento do causídico subscritor do presente recurso é de que, respeitosamente, a aplicação da tese do IAC 18.193/2018 no presente caso se deu de forma insegura, justamente porque inexiste razão pelo qual a aplicação do artigo 927, III do CPC, in casu, resulte em condenação da parte recorrente em honorários sucum benciais (fls. 104-106). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente, além de ter apontado violação genérica do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar quais os incisos foram contrariados, não demonstrou especificamente quais os vícios do aresto vergastado e a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF". (REsp n. 1.653.926/PR, Rel. ;Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26.9.2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.798.582/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19.12.2019; AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20.2.2020; e REsp n. 1.838.279/SP, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28.10.2019. Quanto à segunda controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF devido à ausência de comando normativo do(s) dispositivo(s) apontado(s) como violado(s) para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27.11.2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.3.2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, Rel. para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30.10.2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18.5.2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27.5.2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17.9.2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27.3.2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23.4.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18.12.2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.3.2021. Ademais, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19.10.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29.8.2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º.3.2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26.8.2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º.7.2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18.12.2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.8.2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA