AREsp 2693773 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar especificamente fundamentos essenciais da decisão agravada — notadamente a impossibilidade de análise de ofensa a dispositivo constitucional no recurso especial e a incidência da Súmula n. 7/STJ — de modo que, com base no art. 544, §4º, I, do CPC/1973,...
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- Parties
- Agravante: ELISANGELA ALMEIDA SANTOS; Agravado: Essor Seguros S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
ELISANGELA ALMEIDA SANTOS
Agravante
Essor Seguros S/A
Agravado
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por tentativa de análise de matéria constitucional
- 2 aplicação da Súmula 7/STJ (vedação ao reexame de provas)
- 3 dever de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade (Súmula 182/STJ e jurisprudência)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a agravante deixou de impugnar especificamente fundamentos essenciais da decisão agravada — notadamente a impossibilidade de análise de ofensa a dispositivo constitucional no recurso especial e a incidência da Súmula n. 7/STJ — de modo que, com base no art. 544, §4º, I, do CPC/1973, art. 932, III, do CPC/2015 e na aplicação, por analogia, da Súmula n. 182/STJ, o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade; majoraram-se honorários em 2% na forma do art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Não conheço do agravo
Orders
- Não conheço do agravo.
- Majoram-se os honorários advocatícios em 2% do valor arbitrado em desfavor da agravante, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º e a gratuidade da justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos, interposto por ELISANGELA ALMEIDA SANTOS, contra decisão que inadmitiu o recurso especial, em razão da impossibilidade de análise de matéria constitucional em sede de recurso especial e da ausência de violação dos dispositivos legais arrolados, bem como por incidência da Súmula n. 7/STJ e por deficiência de cotejo analítico (e-STJ fls. 465/468). Nas razões deste agravo (e-STJ fls. 481/495), a parte reitera as razões do especial. Contraminuta apresentada por Essor Seguros S/A às fls. 498/503 (e-STJ). É o relatório. Decido. O agravo que deixa de refutar especificamente os fundamentos da decisão agravada não é passível de conhecimento, em virtude de expressa previsão legal (art. 544, § 4º, I, do CPC/1973 e art. 932, III, do CPC/2015) e da aplicação, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial com base nos seguintes fundamentos (e-STJ fls. 465/467): Alegação de violação a normas constitucionais: Consigno que a assertiva de ofensa a dispositivos constitucionais não serve de suporte à interposição de recurso especial por fugir às hipóteses versadas no art. 105, III e respectivas alíneas, da Constituição da República. Ofensa aos arts. 6º, I, V, VI e VIII, do CDC, arts. 10, 502, 507 do CPC, e arts. 186, 421 e 927 do CC: Não ficou demonstrada a alegada vulneração dispositivos arrolados, pois as exigências legais na solução das questões de fato e de direito da lide foram atendidas pelo V. Acórdão ao declinar as premissas nas quais assentada a decisão. .. . Além disso, ao decidir da forma impugnada, a D. Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice, certo que as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame desses elementos. Mas isso é vedado pelo enunciado na Súmula 7 do E. Superior Tribunal de Justiça. Melhor sorte não colhe o reclamo sob o prisma da letra "c". O dissenso jurisprudencial deve ser demonstrado de forma analítica .. . Ressalto, ainda, que a simples transcrição de ementas não se presta à configuração do dissenso. (grifos do original) No caso, a parte deixou de refutar o fundamento referente à impossibilidade de análise de ofensa a dispositivo constitucional no âmbito de recurso especial. Além disso, não foi impugnado o fundamento relativo à incidência da Súmula n. 7 do STJ. Cumpre destacar que a Corte Especial do STJ, no julgamento dos EAREsp n. 746.775/PR, ocorrido na sessão de 19/9/2018 (Relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 30/11/2018), firmou o entendimento de que, nas razões do agravo em recurso especial, o agravante deve rechaçar todos os motivos elencados na decisão de inadmissibilidade, sendo que a ausência de impugnação de um deles, ainda que referente a capítulo autônomo da decisão, enseja o não conhecimento do recurso. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REGRA TÉCNICA DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. SÚMULA 315 DO STJ. SÚMULA 182 DO STJ. MATÉRIA SEDIMENTADA PELA CORTE ESPECIAL NOS EARESP 701.404/SC, EAREsp 746.775/SC e EAREsp 831.326/SC. 1. Nos termos da Súmula 315 do STJ, "não cabem embargos de divergência no âmbito do agravo de instrumento que não admite recurso especial". Entendimento positivado no artigo 1.043, III, do CPC/2015. 2. Ademais, no que diz respeito ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, a Corte Especial fixou a orientação no sentido de ser inafastável o dever do recorrente de impugnar especificamente todos os fundamentos que levaram à inadmissão do apelo extremo, não se podendo falar, na hipótese, em decisão cindível em capítulos autônomos e independentes (EAREsps 701.404/SC, 746.775/PR e 831.326/SP, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19.9.2018, DJe 30.11.2018). 3. Outrossim, "entende-se por impugnação específica a explicitação dos elementos de fato e as razões de direito que permitam ao órgão ad quem individuar com precisão o error in iudicando ou o error in procedendo alegados no recurso" (ASSIS, Araken de. Manual dos recursos livro eletrônico . 4. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021). Nessa perspectiva, não há como se admitir impugnação implícita para fins de mitigação do requisito de admissibilidade recursal. 4. Agravo interno não provido. (AgInt nos EAREsp n. 1.536.939/SP, Relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 7/12/2021, DJe de 15/12/2021.) Assim, é inafastável a aplicação, por analogia, da Súmula n. 182 desta Corte. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 2% (dois por cento) do valor arbitrado em desfavor da parte ora agravante, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo e a gratuidade da justiça. Publique-se e intimem-se. EMENTA