AREsp 2717176 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque: quanto ao primeiro ponto não houve prequestionamento apto (Súmula 211/STJ) e, quanto ao segundo, houve deficiência de fundamentação e falta de indicação precisa dos dispositivos legais e do cotejo analítico que demonstrasse o dissídio...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MARCIA DA CONCEICAO MOTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (decisão Sobre Conhecimento)
- Outcome
- Conheço do Agravo e não conheço do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Das Decisões (art. 489 §1º Cpc), Dissídio Jurisprudencial E Cotejo Analítico, Danos Morais, Prequestionamento (súmula 211/stj), Deficiência De Fundamentação (súmula 284/stf)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARCIA DA CONCEICAO MOTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial (decisão Sobre Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Violação do art. 489, §1º, III e V, do CPC (ausência de fundamentação adequada)
- 2 Cabimento de indenização por danos morais a partir da prova de dano material pericial
- 3 Existência de prequestionamento para efeito de recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque: quanto ao primeiro ponto não houve prequestionamento apto (Súmula 211/STJ) e, quanto ao segundo, houve deficiência de fundamentação e falta de indicação precisa dos dispositivos legais e do cotejo analítico que demonstrasse o dissídio jurisprudencial, atraindo a Súmula 284/STF e a jurisprudência do STJ; por isso o recurso não foi conhecido. Aplicou-se ainda a majoração dos honorários advocatícios em 15% conforme art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo e não conheço do Recurso Especial.
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MARCIA DA CONCEICAO MOTA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO, assim resumido: CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA. FUNDO DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL - FAR. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE A CONSTRUTORA E A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. ART. 26 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC). INAPLICALIDADE. AÇÃO TIPICAMENTE CONDENATÓRIA. SUJEIÇÃO AO PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL DO ART. 205 DO CÓDIGO CIVIL. ENTENDIMENTO DO STJ. PREJUDICIAL DE MÉRITO AFASTADA. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA JUDICIAL. DANOS MATERIAIS E PAGAMENTO DE ALUGUEL. OCORRÊNCIA. DANOS MORAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO. APELAÇÃO DA CAIXA DESPROVIDA. APELAÇÃO DA AUTORA PROVIDA EM PARTE (fl. 467). Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 489, § 1º, III e V, do CPC, no que concerne à ausência de fundamentação da decisão recorrida, por ser genérica e não fazer menção ao caso concreto. Aduz a seguinte argumentação: Trata-se de notória inobservância à vigência ao artigo 489 § 1º, III, e V do CPC. O Acordão recorrido foi aplicado expressamente a 11 processos. (a listagem de processos consta do cabeçalho do documento) sem fazer absolutamente nenhuma menção a qualquer elemento do caso concreto. Foi aplicado a casos que tiveram danos construtivos verificados em perícia judicial, de graus, extensão e duração variados, o que afrontosamente desrespeita a previsão do art. 489 § 1º, III e V do CPC. A decisão conforme tomada, invocou motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. Não se espera que o judiciária vá dar decisões absolutamente aprofundadas e únicas a casos muito similares, mas o cotejo mínimo entre o caso concreto e a decisão prolatada não apenas é determinação legal expressa, trazida pelo artigo 489 § 1º,III, e V do CPC, mas é também o mínimo exigível para a efetivação de princípios constitucionais fundamentais como o contraditório, o devido processo legal, e a efetivação da Justiça (fl. 520). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega o cabimento de indenização a título de danos morais sob o fundamento de que a comprovação do referido dano ocorreu pelas circunstâncias do caso concreto, isto é, pela demonstração da ocorrência do dano material, decorrente da perícia judicial que constatou os vícios de construção da obra. Aduz a seguinte argumentação: Conforme passará a demonstrar, trata-se de dissídio jurisprudencial que merece ser apreciado por esse tribunal, afinal, a decisão a quo deixou de considerar que em que pese o dano moral não ser presumido, não é possível afastá-lo pela mera ausência de prova concreta de abalo psíquico. A jurisprudência do c. STJ é clara no sentido de que o dano moral é comprovado pelas circunstâncias do caso concreto, bastando que tais circunstancias ultrapassem o aquilo que o cidadão médio deve experimentar em seu convívio social. .. Neste processo o dano material está comprovado. Isso é incontroverso, tanto que foi mantida a condenação em dano material. Ao contrário do apregoado pela jurisprudência elencada na fundamentação do r. Acordão recorrido, a prova das circunstancias ensejadoras do dano moral é a condenação em dano material, decorrente de perícia judicial, e que sequer foi apreciada em sede recursal (fl. 521). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg no EREsp n. 1.138.634/RS, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19.10.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29.8.2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º.3.2019; AgInt no AREsp n. 953.171/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23.8.2022; AgInt no AREsp n. 1.506.939/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 26.8.2022; AgRg no AREsp 1.647.409/SC, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º.7.2020; AgRg no REsp n. 1.850.296/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 18.12.2020; AgRg no REsp n. 2.004.417/MT, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.8.2022. Quanto à segunda controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17.3.2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15.5.2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8.5.2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24.4.2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º.4.2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5.4.2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, Rel. Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.8.2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13.8.2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3.6.2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12.5.2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28.4.2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5.5.2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA