AREsp 2460092 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a alegação de violação a dispositivos do CPC foi genérica, sem demonstrar o vício de fundamentação; parte das questões suscitadas demandaria reexame de elementos fáticos (Súmula 7/STJ); e a alteração do aresto exigiria análise de legislação local,...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE PEREIRA BARRETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 280/stf, Súmula 284/stf, Precedentes E Jurisprudência
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Parties
MUNICIPIO DE PEREIRA BARRETO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial pelos arts. 105, III, alíneas a e c, da CF
- 2 eventual violação aos arts. 489, §1º, III, IV, V e VI; 926; 927, §§1º e 3º, do CPC
- 3 incidência da Súmula 7/STJ (vedação ao reexame de provas)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a alegação de violação a dispositivos do CPC foi genérica, sem demonstrar o vício de fundamentação; parte das questões suscitadas demandaria reexame de elementos fáticos (Súmula 7/STJ); e a alteração do aresto exigiria análise de legislação local, obstada pela Súmula 280/STF; além disso, não houve cotejo analítico suficiente para demonstração do dissídio jurisprudencial exigido pela alínea c.
Court Disposition
conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por MUNICIPIO DE PEREIRA BARRETO, com fundamento na ausência de violação ao art. 489, do CPC, bem como na incidência da Súmula 7/STJ e da Súmula 280/STF, nos seguintes termos (fls. 272-274): O recurso não merece trânsito pela alínea "a". De início, verifica-se a fiel obediência do v. acórdão aos requisitos contidos no art. 489 do Código de Processo Civil, por se encontrarem harmonicamente presentes e formalmente correntes o relatório, a fundamentação e a conclusão da decisão guerreada. Com efeito, ressalte-se que busca o recorrente o reexame dos elementos fáticos que serviram de base à decisão recorrida, o que importaria em nova incursão no campo fático, objetivo divorciado do âmbito do recurso especial de acordo com a Súmula 7 da Corte Superior. Ademais, o fundamento utilizado para interposição somente poderia ter sua procedência verificada mediante o reexame de direito local. Atuante a Súmula 280 do Col. Supremo Tribunal Federal, adotada pela Corte Superior (AREsp751.903, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 04/09/2015;AgInt no AREsp 1479758/AL, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO,2ª Turma, DJe 26/09/2019 e AREsp 1.761.931/PR, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe de 13/01/2021). Quanto à letra "c" do permissivo constitucional, deixou o recorrente de atender suficientemente ao requisito previsto no art. 1029, § 1º, do Código de Processo Civil, e no art. 255, § 1º,do RISTJ. .. Ressalta-se, quanto ao dissenso interpretativo, versa a jurisprudência arrolada acerca de exegese lastreada em matéria fática, cuja verificação da possível identidade com o caso concreto implicaria reexame da prova produzida, ao arrepio da Súmula 7 do Col. Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: AgRg no AREsp 727484/SP, 3ª Turma, Rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE, DJe de 19/11/2015e REsp1.793.598/MG, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, 2ª Turma, DJe de 18/12/2020. A parte agravante sustenta o preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial e a inaplicabilidade dos óbices sumulares, justificando que a questão é unicamente de direito, relativa à natureza jurídica do laudo pericial (declaratório ou constitutivo). Assim, aponta a desnecessidade de examinar elementos fáticos e direito local, ao argumento de que todos os fundamentos do recurso dizem respeito à análise de lei federal, por violação ao art. 927, do CPC, em razão da inobservância da jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento do Pedido de Uniformização (PUIL 413), quanto à irretroatividade dos efeitos do laudo pericial que atesta a insalubridade. Aponta ainda que houve indicação expressa da jurisprudência do STJ e do dissenso jurisprudencial, com o devido cotejo analítico. Sem contraminuta, conforme certidão (fl. 297). É o relatório. Passo a decidir. Atendidos os pressupostos de conhecimento do agravo em recurso especial, passo à analise do recurso especial. Recurso especial fundado no art. 105, III, a, c, da Constituição Federal, por meio do qual aponta negativa de vigência a dispositivos do Código de Processo Civil: arts. 489, §1º, III, IV, V e VI; 926; 927, §§1º e 3º, que tratam da obrigação em observar as decisões e precedentes dos tribunais superiores. Quanto à divergência jurisprudencial, alega violação à jurisprudência desta Corte, firmado no julgamento do PUIL 413/RS, que fixa a data do laudo pericial como termo inicial para o pagamento do adicional de periculosidade/insalubridade. Sendo assim, requer o provimento do recurso, para reformar o acórdão recorrido, adequando-o à jurisprudência desta Corte (PUIL 413). A irresignação recursal não merece ser acolhida. Cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial, tanto pela alínea a, quanto pela alínea c do permissivo constitucional, exige a clareza na indicação dos dispositivos de lei federal supostamente violados, assim como a demonstração efetiva da alegada contrariedade, sob pena de incidência da Súmula 284/STF. Com efeito, a alegação de afronta aos dispositivos do CPC (arts. 489, §1º, III, IV, V e VI; 926; 927, §§1º e 3º), de forma genérica, sem a efetiva demonstração do vício de fundamentação do acórdão recorrido no exame de teses imprescindíveis para o julgamento da lide, impede o conhecimento do recurso especial, o que atrai a aplicação do óbice da Súmula 284/STF, aplicável, por analogia, no âmbito desta Corte. Nesse sentido: "O recurso excepcional possui natureza vinculada, exigindo, para o seu cabimento, a imprescindível demonstração do recorrente, de forma clara e precisa, dos dispositivos apontados como malferidos pela decisão recorrida juntamente com argumentos suficientes à exata compreensão da controvérsia estabelecida, sob pena de inadmissão" (AgInt no AREsp n. 2.372.506/PB, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 26/10/2023). Além disso, é possível constatar que o mérito recursal foi decidido com base em lei municipal (Lei Municipal 1.758/1990). Diante do exposto, a alteração das conclusões do Tribunal de origem demandaria, necessariamente, a análise da legislação local, o que é vedado na estreita via do recurso especial, por aplicação analógica do enunciado da Súmula 280/STF ("Por ofensa ao direito local não cabe recurso extraordinário"). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. DECISÃO FUNDAMENTADA EM LEI LOCAL. SÚMULA 280. 1. A Corte regional dirimiu a controvérsia nestes termos (fls. 58-63, eSTJ, grifei): "No mesmo sentido, pelo desprovimento do recurso, o percuciente parecer de lavra do Procurador de Justiça atuante no feito, Dr. Eduardo Roth Dalcin, que acrescentou, ainda, que "os créditos devidos ao Estado a título de honorários advocatícios de sucumbência não integram o patrimônio econômico dos procuradores do estado, motivo pelo qual é inviável receberem o mesmo tratamento dado aos créditos devidos aos advogados privados, não se aplicando os artigos 85, § 14, do CPC Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de sucumbência parcial e 23 da Lei nº 8.906/1994 Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor . A correção deste entendimento fica mais evidente a partir da análise da Lei Estadual nº 10.298/1994, que "Extingue o Fundo de Assistência Judiciária e cria o Fundo de Reaparelhamento da Procuradoria-Geral do Estado e o Fundo de Aparelhamento da Defensoria Pública", regulamentada pelo Decreto Estadual nº 54.454/2018 Dispõe sobre o Fundo de Reaparelhamento da Procuradoria-Geral do Estado - FURPGE, de que trata a Lei nº 10.298, de 16 de novembro de 19941 e pela Resolução nº 151/2019 estabelece o pagamento de prêmio de produtividade aos procuradores do Estado , que estabeleceu o prêmio de produtividade aos procuradores do Estado. O FURPGE é composto, exclusivamente, pelos valores arrecadados dos honorários de sucumbência devidos em razão da vitória da PGE/RS em ações judiciais, a indicar que integram o patrimônio do ente público, razão pela qual é viável a compensação pretendida e deferida". 2. A questão controvertida nos autos foi solucionada, pelo Tribunal de origem, com fundamento na interpretação da legislação local (Lei Estadual 10.298/1994, Decreto Estadual 54.454/2018 e Resolução 151/2019). Logo, a revisão do aresto, na via eleita, encontra óbice na Súmula 280 do STF. 3. A decisão impugnada encontra-se em conformidade com a jurisprudência do STJ de que os honorários advocatícios de sucumbência, quando vencedora a Fazenda Pública, não constituem direito autônomo do procurador judicial, porque integram o patrimônio público do ente público, de modo a permitir, nessa hipótese, a compensação da verba honorária devida ao ente público com o montante a que o credor tem direito de receber do Estado, via precatório. 4. Agravo Interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.330.769/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 18/12/2023). Ademais, conforme jurisprudência, "inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7/STJ, não é suficiente a afirmação genérica de que é desnecessário o reexame de provas, ainda que seja feita uma breve menção à tese sustentada, ou simplesmente a insistência no mérito da controvérsia. É indispensável o cotejo entre o acórdão recorrido e a argumentação trazida no recurso especial que possa justificar o afastamento do óbice processual em questão" (AgInt no AREsp n. 1.991.801/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 17/3/2023). Por fim, cumpre registrar que o recurso especial interposto pela alínea c do permissivo constitucional, além da comprovação da divergência por meio da juntada de certidões ou cópias autenticadas dos acórdãos apontados divergentes, permitida a declaração de autenticidade pelo próprio advogado ou a citação de repositório oficial, autorizado ou credenciado, em que os julgados se achem publicados nos termos do art. 255 do RISTJ, exige a demonstração do dissídio, com a realização do cotejo analítico entre os acórdãos confrontados, nos termos legais e regimentais, não bastando a mera transcrição de ementas ou mesmo a íntegra do voto condutor do julgado, sem a identificação d as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os arestos confrontados. No mesmo sentido, em caso análogo: AREsp n. 2.373.653, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 17/08/2023. Isso posto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Intimem-se. EMENTA