AREsp 2708053 - DECISAO
O agravo não é conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão do tribunal de origem que negou seguimento ao recurso especial por exigir reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ); ademais, o exame realizado pelo tribunal a quo era...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL - DEPARTAMENTO REGIONAL DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042, Cpc/15) / Juízo De Admissibilidade / Decisão De Inadmissão De Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do reclamo.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7/stj, Súmula 123/stj, Súmula 182/stj, Reexame De Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL - DEPARTAMENTO REGIONAL DE MINAS GERAIS
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042, Cpc/15) / Juízo De Admissibilidade / Decisão De Inadmissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do agravo por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial
- 2 aplicação da Súmula 7 do STJ por exigir reexame de fatos e provas
- 3 competência do tribunal a quo para exame dos pressupostos de admissibilidade, inclusive de questões constitucionais relacionadas ao mérito
Ratio Decidendi
O agravo não é conhecido por violação ao princípio da dialeticidade, pois a agravante não impugnou especificamente os fundamentos da decisão do tribunal de origem que negou seguimento ao recurso especial por exigir reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ); ademais, o exame realizado pelo tribunal a quo era compatível com sua atribuição de verificar os pressupostos de admissibilidade, nos termos da jurisprudência citada.
Court Disposition
Não conheço do reclamo.
Orders
- Não conheço do reclamo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042, CPC/15), interposto por SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL - DEPARTAMENTO REGIONAL DE MINAS GERAIS, em face de decisão que não admitiu recurso especial. No referido julgado, o Tribunal local negou seguimento ao reclamo ante a aplicação da Súmula 07 do STJ . Daí o presente recurso, no qual a agravante pretende destrancar a sua súplica. Sem contraminuta. É o relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Inicialmente, não há que se falar em usurpação de competência do Superior Tribunal de Justiça pela Corte Estadual, ao argumento de que houve o ingresso indevido no mérito do recurso especial por ocasião do juízo de admissibilidade, porquanto constitui atribuição do Tribunal a quo, nessa fase processual, examinar os pressupostos específicos e constitucionais relacionados ao mérito da controvérsia, a teor da Súmula 123 do STJ. No mesmo sentido: AgInt no AREsp 330.494/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe 05/10/2016; AgRg no AREsp 90.054/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, DJe 19/12/2014; AgRg no Ag 866.777/PR, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), TERCEIRA TURMA, DJe 09/02/2010. 2. Observa-se das razões do agravo, que a parte recorrente não refutou analiticamente como lhe deveria o fundamento de inadmissão da decisão agravada. 2.1. Observa-se que, no caso dos autos, a Corte local negou seguimento ao recurso, ante a necessidade de reexame de fatos e provas dos autos, a atrair o teor da Súmula 7/STJ. Todavia, nas razões do agravo, a parte insurgente repisou os argumentos do apelo extremo e sustentou que pretende a "revalorização da prova". A propósito, com relação à Súmula 7/STJ, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias.". Eis a ementa do referido julgado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCIPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. 1. À luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, compete à parte agravante, sob pena de não conhecimento do agravo em recurso especial, infirmar especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao reclamo. 2. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus da qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. 3. Esta Corte, ao interpretar o previsto no art. 932, parágrafo único, do CPC/2015 (o qual traz disposição similar ao § 3º do art. 1.029 do do mesmo Código de Ritos), firmou o entendimento de que este dispositivo só se aplica para os casos de regularização de vício estritamente formal, não se prestando para complementar a fundamentação de recurso já interposto. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1490629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/08/2021, DJe 25/08/2021) grifou-se 2.2. Em reforço, cumpre dizer, ainda, que o Tribunal de origem pontuou expressamente que o recurso almeja apenas o reexame probatório da demanda, restando, portanto, dissociado da função uniformizadora do recurso especial: No tocante às questões suscitadas no presente apelo, observa-se, pela simples leitura do aresto recorrido, que as conclusões ali obtidas - no sentido da validade da contratação firmada mediante o uso de biometria facial e documentos pessoais -, estão fundadas no arcabouço fático-probatório delineado pelas instâncias ordinárias, não existindo qualquer indício de vício de vontade. E, ainda, no julgamento do recurso de apelação, a realidade fática e probatória restou assim cristalizada (fl. 662, e-STJ): Em relação ao pagamento dos serviços prestados pela autora nos meses de janeiro a março/2015, entendo que os valores contratados deverão ser pagos à autora, uma vez que o trabalho restou efetivamente prestado e, ainda que seja devida a rescisão contratual e retenção de alguns valores, estes não deverão abranger a quantia correspondente ao que foi efetivamente prestado pela empresa autora. Alega a empresa autora na inicial, que a empresa ré deverá ser condenada ao pagamento da importância de R$13.381,13 (treze mil trezentos e oitenta e um reais e treze centavos), referentes a 60% (sessenta por cento) da contraprestação de janeiro/2015, a integralidade de fevereiro/2015 e 10 (dez) dias de março/2015. Ora, em nenhum momento processual a ré discordou da efetiva prestação do serviço nos referidos períodos, e nem mesmo trouxe aos autos comprovantes do pagamento das quantias correspondentes. Desta forma, deve ser mantida a sentença que deferiu o pedido de condenação da empresa ré ao pagamento dos serviços de limpeza e conservação prestados entre janeiro e março de 2015, principalmente por ter sido ressalvada a hipótese de compensação de eventuais créditos/débitos das ações trabalhistas em que foi solidariamente condenada em razão do contrato celebrado entre as partes. Desta forma, acertadamente, a Corte Estadual, por meio da direta interpretação da prova, reconheceu que o trabalho restou efetivamente prestado, o que atrai, indubitavelmente, o óbice da Súmula 07 do STJ ao caso. 3. Ora, como restou asseverado, por esta relatoria, no julgamento do AgInt no AREsp n.º 1.519.438/SP, quanto à técnica de conhecimento recursal da decisão de inadmissão do apelo nobre pela instância a quo, que a Corte Especial do STJ fixou orientação de que a decisão de inadmissão do recurso especial é incindível em capítulos autônomos, tornando imprescindível a impugnação específica de todos os seus fundamentos. Precedentes: EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018; EAREsp 831.326/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018; EAREsp 701.404/SC, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018. Transcreve-se, para melhor compreensão, o seguinte trecho registrado na ementa de todos os julgados acima citados: A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. Tem-se, assim, que a recente jurisprudência desta Corte, à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, é no sentido de que deve a parte recorrente impugnar especificamente os fundamentos suficientes para manter o decisum recorrido, de maneira a demonstrar que o juízo de admissibilidade do Tribunal de origem merece ser modificado, o que não se vislumbra no recurso em questão. Desta forma, irrefutável a incidência da Súmula 182 do STJ, porquanto inexistiu ataque específico a todos os fundamentos da decisão que obstou a ascensão do recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça. 4. Ante o exposto, não conheço do reclamo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA