AREsp 2787444 - DECISAO
Não conheceu-se do recurso especial porque o recorrente não comprovou documentalmente o precedente indicado nem realizou o cotejo analítico exigido pelo art. 1.029 do CPC para fundamentar dissídio jurisprudencial, sendo essas ausências impeditivas do conhecimento do recurso especial.
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- Parties
- Recorrente: ANTONIO RIBEIRO DE SOUZA JUNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Cotejo Analítico, Súmula 7 STJ, Requisitos Do Art. 1.029 Do CPC
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Parties
ANTONIO RIBEIRO DE SOUZA JUNIOR
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial (decisão Sobre Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de comprovação documental do dissídio jurisprudencial e de cotejo analítico
- 2 aplicabilidade da Súmula n. 7 do STJ
Ratio Decidendi
Não conheceu-se do recurso especial porque o recorrente não comprovou documentalmente o precedente indicado nem realizou o cotejo analítico exigido pelo art. 1.029 do CPC para fundamentar dissídio jurisprudencial, sendo essas ausências impeditivas do conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ANTONIO RIBEIRO DE SOUZA JUNIOR contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS que não admitiu o recurso especial. O recorrente foi condenado pelas instâncias ordinárias como incurso nas sanções do art. 21 do Decreto-lei n. 3.688/41, na forma da Lei n. 11.340/06, à pena de 17 (dezessete) dias de prisão simples e ao pagamento de dois salários mínimos a título de reparação dos danos morais causados à vítima (fls. 326-337). A defesa interpôs recurso especial com fundamento no art. 105, inciso III, "c" da Constituição, para alegar hipótese de vias de fato recíprocas e requerer a aplicação do benefício da dúvida em favor do réu, com esteio na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (fls. 341-352). Não admitido o recurso especial por incidência da Súmula n. 7, STJ (fls. 433-435), sobreveio o agravo (fls. 440-454). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial e, se conhecido, negar-lhe provimento (fls. 475-483). É o relatório. DECIDO. Nos termos do art. 1.029 do Código de Processo Civil, o recurso especial interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional submete-se a requisitos específicos, quais sejam: a comprovação da divergência por meio de documento oficial dos julgados indicados e a realização do cotejo analítico entre os precedentes paradigmas e o acórdão impugnado, com a indicação das circunstâncias que assemelhem os casos confrontados. No caso concreto, o recurso especial mencionou suposto precedente desta Corte, mas sem juntar documentos oficiais que pudessem comprovar a fonte do julgado. Ademais, não houve o devido cotejo analítico, o que obsta a utilização desta para os fins do art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal. Vale lembrar que o cotejo analítico requer a comparação entre o aresto recorrido e o apontado como paradigma para demonstrar que, diante de situações fáticas semelhantes, foram adotadas soluções jurídicas diversas, não sendo suficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas ou trechos de julgados. Nesse sentido: " .. 2. No caso em tela, o agravo em recurso especial não impugnou especificamente o fundamento de inadmissibilidade consistente na ausência de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, de forma a demonstrar a similitude fática entre eles e o confronto de teses jurídicas aplicadas. 3. Conforme consignado pela decisão recorrida, não se considera comprovado o dissídio jurisprudencial com mera transcrição de ementa ou trecho esparso do acórdão paradigma, que não permite a constatação da alegada semelhança entre os julgados. Inobservância das exigências previstas no art. 1.043, § 4º, do Código de Processo Civil -CPC, e no art. 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça - RISTJ. 4 . Agravo regimental desprovido" (AgRg no AREsp n. 2.096.679/SC, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 9/3/2023, grifei) " .. "4. A demonstração do dissídio pretoriano não se contenta com meras transcrições de ementas, tal como ocorreu no presente caso, sendo absolutamente indispensável o cotejo analítico, de sorte a demonstrar a devida similitude fática entre os julgados confrontados. (AgRg no AREsp n. 2.271.573/SP, Sexta Turma, Rel.ª Min.ª Laurita Vaz, DJe de 30/5/2023, grifei) " .. 2. No agravo interposto, embora a defesa afirme, de modo genérico, haver demonstrado de modo adequado a divergência jurisprudencial sustentada, não explicitou haver apresentado certidão do repositório, tampouco evidenciou haver realizado o devido cotejo analítico entre o paradigma indicado e a situação dos autos, a fim de demonstrar a identidade e situações e a diferença de tratamento jurídico" (AgRg no AREsp n. 2.312.225/MS, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 15/5/2023, grifei). Por conseguinte, o não cumpriment o do ônus da concreta comprovação do dissídio jurisprudencial importa no não conhecimento do recurso especial. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA