AREsp 2777697 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da tese recursal e porque o acolhimento demandaria reexame do quadro fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7/STJ; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários advocatícios em 15% nos termos do art.85, §11, do CPC.
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA; Agravada: servidora-agravada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Quantificação De Danos Morais, Ações Em Massa, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA
Recorrente
servidora-agravada
Agravada
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento da tese recursal
- 2 incidência da Súmula n. 7 do STJ e vedação ao reexame do acervo fático-probatório
- 3 alegação de possibilidade de redução do quantum indenizatório por impacto financeiro do ente público
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da tese recursal e porque o acolhimento demandaria reexame do quadro fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7/STJ; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários advocatícios em 15% nos termos do art.85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conhecer do Agravo e não conhecer do Recurso Especial.
- Majorar os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites previstos nos §§ 2º e 3º e eventual concessão de justiça gratuita.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA VERBAS ESTATUTÁRIAS SONEGADAS PELO MUNICÍPIO DANO MORAL EM PROL DA SERVIDORA-AGRAVADA ARBITRAMENTO EM R$ 2.000,00 RECURSO PELO MUNICÍPIO DE CAMPO LIMPO PAULISTA DESPROVIMENTO DE RIGOR. VALOR ADEQUADO E CONSENTÂNEO AO JÁ ARBITRADO EM OUTRAS DEMANDAS IDÊNTICAS BINÔMIO DE QUE A INDENIZAÇÃO NÃO PODE SER NEM EXCESSIVA SOB PENA DE CONSTITUIR O ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DO LESADO E TAMPOUCO ÍNFIMA SOB PENA DE SERVIR A UM SÓ TEMPO DESMERECER O LESADO E SERVIR DE ESTÍMULO A NOVAS PRÁTICAS INDEVIDAS. R. DECISÃO MANTIDA, COM MAJORAÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS (TESE FIXADA PELO E. STJ) - RECURSO DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 8º do CPC; e 5º da LINDB , no que concerne à necessidade de redução do montante arbitrado a título de danos morais por afronta aos direitos trabalhistas de servidores públicos, tendo em vista a possibilidade de colapso das finanças públicas do município recorrente , trazendo a seguinte argumentação: O caso em comento versa sobre ações em massa, que envolve mais de dois mil servidores a serem indenizados, e tal fato deve ser rigorosamente ponderado por ocasião da fixação do quantum indenizatório, pois do contrário, a manutenção da condenação inviabilizará os atendimentos do bem comum e os investimentos sociais, bem como poderá concorrer para a quebra das finanças públicas. Bem por isso, em atendimento à norma do artigo 8º do Código de Processo Civil, o valor fixado a título de danos morais pode - e deve - ser reduzido significativamente. A propósito: .. Não é demais repisar que o conjunto probatório contido nos autos demonstra que o valor do dano moral fixado no V. Acórdão, ora guerreado, certamente, inviabilizará os atendimentos do bem comum, dos investimentos sociais e das políticas públicas no Município. E isso poderá concorrer para a quebra das finanças da municipalidade, que, como visto, não é o propósito da norma contida no citado dispositivo legal. Nobres Julgadores, o valor de R$ 2.000,00, a título de danos morais em favor de cada servidor municipal, demonstra-se absolutamente excessivo para um Município de pequeno porte e com pouca arrecadação, sem contar que as transferências do Estado e da União diminuem gradativamente. O valor fixado acima, como forma de fazer cumprir a ordem judicial, já cumprida (comprovação do gozo de férias, de licença-prêmio e o não desconto de faltas justificadas), para milhares de servidores, significa trazer a inviabilidade de administrar o dia a dia do Município. .. Em outras palavras, por força do artigo 5º da LINDB, o valor da indenização por dano moral está sujeito ao controle deste E. Superior Tribunal de Justiça, pois na fixação da indenização a esse título, o arbitramento terá de ser feito com moderação, razoabilidade e bom senso, atento à realidade da vida e às peculiaridades do presente caso (fls. 151-154). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: " .. o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4.5.2018. Ademais, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Em síntese, após debate noutros feitos, alcançou-se tal valor adequado e homogêneo, observado o binômio de que a indenização não pode ser nem excessiva sob pena de constituir o enriquecimento sem causa do lesado e tampouco ínfima sob pena de servir a um só tempo desmerecer o lesado e servir de estímulo a novas práticas indevidas, além da comprovação de que era servidor ativo durante a gestão do requerido Roberto Antônio no Município de Campo Limpo Paulista (fl. 137). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7.3.2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º.9.2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21.8.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16.10.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA