AREsp 2575256 - DECISAO
O agravo não pode ser conhecido porque o agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, violando o princípio da dialeticidade; assim, mantêm-se os óbices de admissibilidade (arts. 932, III, CPC; 253, p.ú., I, RISTJ; Súmula 182/STJ), além da vedação ao...
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- Parties
- Agravante/recorrente: MUNICÍPIO DE JALES; Parte: CDHU; Autores: autores
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 January 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissibilidade)
- Outcome
- agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 182/stj, Honorários Advocatícios, Dissenso Jurisprudencial
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Parties
MUNICÍPIO DE JALES
Agravante/recorrente
CDHU
Parte
autores
Autores
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 ilegitimidade passiva alegada pelo Município
- 2 alegada violação dos arts. 330, II, e 485, VI, do CPC
- 3 alegada violação do art. 927, parágrafo único, do Código Civil
Ratio Decidendi
O agravo não pode ser conhecido porque o agravante deixou de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, violando o princípio da dialeticidade; assim, mantêm-se os óbices de admissibilidade (arts. 932, III, CPC; 253, p.ú., I, RISTJ; Súmula 182/STJ), além da vedação ao reexame de fatos e da ausência de demonstração analítica de dissenso jurisprudencial exigida pelo art. 1.029, §1º, do CPC.
Court Disposition
agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial (fundamento: art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ).
- Determino a majoração dos honorários advocatícios em favor da instância de origem no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do CPC, observados os limites legais aplicáveis.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DE JALES, contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 886): OBRIGAÇÃO DE FAZER - Vícios de Construção - Aplicabilidade do CDC - Cadeia de fornecimento - Responsabilidade solidária da CDHU e do Município, sendo partes legítimas ad causam - Vícios construtivos suficientemente demonstrados pela Perícia Judicial - Obrigação de reparar os vícios mantida com previsão de pagamento de alugueres durante a execução dos reparos - Passivo ambiental em razão da localização do empreendimento - Não verificação - Substituição do imóvel - Inexistência de riscos ambientais e de imprestabilidade do imóvel - Dano moral configurado - Valor da indenização fixado em R$ 10.00,00 para cada autor - Recurso dos autores provido em parte e desprovidas as demais apelações. Em seu recurso especial de fls. 912-926, sustenta o recorrente, além de divergência jurisprudencial, violação aos artigos 330, II, e 485, VI, do Código de Processo Civil, ao argumento de que é parte ilegítima. Assevera que "a responsabilidade para qualquer reparo é da empresa responsável pelas obras, não sendo diretamente da Fazenda Pública Municipal de Jales" e que, "ainda que fosse reconhecida qualquer responsabilidade do Recorrente, a mesma seria subsidiária, o que mantém a necessidade da consideração da ilegitimidade passiva" (fl. 917). Aponta, ainda, ofensa ao art. 927, parágrafo único, do Código Civil, ao argumento de que não foi demonstrado nexo causal entre a suscitada omissão de fiscalizar, por parte do Município de Jales, e o evento danoso. O Tribunal de origem, às fls. 931-933, não admitiu o recurso especial sob os seguintes argumentos: II. O recurso não reúne condições de admissibilidade pela alínea "a" da norma autorizadora. Violação aos arts. 330 e 485 e 927 do CPC Não ficou demonstrada a alegada vulneração aos dispositivos arrolados, pois as exigências legais na solução das questões de fato e de direito da lide foram atendidas pelo acórdão ao declinar as premissas nas quais assentada a decisão. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que "a simples referência aos dispositivos legais desacompanhada da necessária argumentação que sustente a alegada ofensa à lei federal não é suficiente para o conhecimento do recurso especial" (Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial 601358/PE, relator o ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, in DJe de 02.9.2016). Além disso, ao decidir da forma impugnada, a Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice, certo que as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame desses elementos. Mas isso é vedado pelo enunciado na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. III. Melhor sorte não colhe o reclamo sob o prisma da letra "c". O dissenso jurisprudencial deve ser comprovado por certidão, ou cópia, ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução do julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, devendo ser demonstrado de forma analítica, mediante o confronto das partes idênticas ou semelhantes do V. Acórdão recorrido e daqueles eventualmente trazidos à colação, na forma exigida pelo artigo 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil, com a transcrição dos trechos que configurem o dissídio, mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados (neste sentido, o Agravo em Recurso Especial 2007116/SP, Relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, in DJe de 02.08.2022; o Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial 1765086/SP, Relatora Ministra Assusete Magalhães, in DJe de 30.03.2022, e o Agravo em Recurso Especial 1999092/SP, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, in DJe de 09.02.2022). IV. Pelo exposto, INADMITO o recurso especial, com base no art. 1.030, V, do CPC. Em seu agravo em recurso especial às fls. 936-942, o agravante afirma que "o recurso ora interposto coaduna-se com os pressupostos recursais objetivos e subjetivos dispostos em lei" (fl. 938). No mais, repisa as razões do recurso especial. É o relatório. A insurgência não pode ser conhecida. De início, verifica-se que não foi impugnada a íntegra da fundamentação da decisão agravada, porquanto o agravante não infirmou especificamente todos os argumentos utilizados para a inadmissão do seu recurso especial. Em verdade, a decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada, assentou-se em três fundamentos distintos e autônomos: (i) - incidência da Súmula 284 do STF, pois "o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que a simples referência aos dispositivos legais desacompanhada da necessária argumentação que sustente a alegada ofensa à lei federal não é suficiente para o conhecimento do recurso especial"; (ii) - incidência do enunciado 7 da Súmula do STJ, tendo em vista a impossibilidade de reexame de fatos e provas na seara especial, e (iii) - não atendimento do disposto no art. 1.029, § 1º, do Código de Processo Civil. Todavia, no seu agravo, a parte agravante não impugnou os referidos óbices, os quais, à míngua de impugnação específica e pormenorizada, permanecem hígidos, produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar a íntegra da fundamentação do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, o agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Também incide à espécie, a exegese do enunciado 182 da Súmula do STJ, que reza: "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intime-se. EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC, 253, P. Ú, I, DO RISTJ, E SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.