AREsp 2799880 - DECISAO
O relator não conheceu do agravo porque a recorrente não impugnou, de forma específica e concreta, os fundamentos que levaram o tribunal de origem a inadmitir o recurso especial; alegações genéricas sobre a suposta desnecessidade de reexame de fatos e provas são insuficientes, aplicando-se a Súmula n. 182 do STJ e o...
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- Parties
- Agravante: GRAYCE KELLY DELGADO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão) Do Agravo Em Recurso Especial)
- Outcome
- agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica Dos Fundamentos, Súmula N. 7 Do STJ, Súmula N. 182 Do STJ, Princípio Da Dialeticidade, Prequestionamento
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Parties
GRAYCE KELLY DELGADO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão) Do Agravo Em Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 se o agravo impugnou especificamente os fundamentos da decisão agravada
- 2 se as matérias apontadas exigem reexame de fatos e provas (Súmula n. 7/STJ)
- 3 exigência de prequestionamento (Súmula 211/STJ)
Ratio Decidendi
O relator não conheceu do agravo porque a recorrente não impugnou, de forma específica e concreta, os fundamentos que levaram o tribunal de origem a inadmitir o recurso especial; alegações genéricas sobre a suposta desnecessidade de reexame de fatos e provas são insuficientes, aplicando-se a Súmula n. 182 do STJ e o art. 932, III, do CPC, razão pela qual o agravo não merece conhecimento.
Court Disposition
agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por GRAYCE KELLY DELGADO contra decisão do Tribunal de origem que, no exame prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial por entender aplicável a Súmula n. 7 do STJ. Nas razões do presente agravo em recurso especial, argumenta a defesa que o recurso especial deveria ter sido admitido pois que não incide o óbice sumular mencionado. A parte recorrente afirma que expôs claramente fundamentação quanto às questões federais levantadas, razão de tecer considerações quanto à necessidade de realização de perícia técnica, sobre a inexistência de dolo de subtração na sua conduta, bem como, de forma subsidiária, de possibilidade de desclassificação da conduta para o tipo penal de apropriação indébita. Aborda, assim, aspectos relacionados ao mérito da causa e reitera questões deduzidas no recurso especial, Requer o provimento do recurso, com a consequente repercussão jurídica. Impugnação apresentada (fls. 2.406-2.407). Parecer do Ministério Público Federal opinando pelo improvimento do agravo em recurso especial, nos termos da seguinte ementa (fl. 2.438): AGRAVO. RECURSO ESPECIAL INADMITIDO. FURTO QUALIFICADO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS PELA DEFESA. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ABSOLVIÇÃO OU DESCLASSIFICAÇÃO DO CRIME. IMPOSSIBILIDADE. AUTORIA E MATERIALIDADE DELITIVA COMPROVADA. SÚMULA 7/STJ. É o relatório. Como relatado, o recurso especial foi inadmitido por aplicação do fundamento de que a análise das questões levantadas exigiria o reexame de fatos e provas, atraindo o óbice da Súmula n. 7 do STJ. Porém, as razões do agravo em recurso especial não enfrentam, de modo suficiente, o fundamento referido, pois, para atendimento do princípio da dialeticidade, devem ser demonstradas, de modo específico e concreto, quais seriam as razões pelas quais a decisão recorrida deveria ser reformada. Vale esclarecer, quanto ao óbice referido na Súmula n. 7 do STJ, que a alegação genérica sobre a desnecessidade de que sejam reexaminados os fatos e as provas é insuficiente para o efetivo enfrentamento da decisão recorrida, ainda que feita breve menção à tese sustentada, quando ausente o devido cotejo das premissas fáticas do acórdão proferido na origem (AgRg no AREsp n. 2.030.508/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 13/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.672.166/SE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.576.898/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024). Como se constata, a efetiva impugnação dos fundamentos que levaram o Tribunal de origem a inadmitir o recurso especial exigiri a o expresso e efetivo enfrentamento de cada um dos respectivos fundamentos, sem o que não se pode cogitar do desacerto da decisão agravada. Aplica-se, em consequência, a conclusão prevista na Súmula n. 182 do STJ, que estabelece ser "inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". A propósito: AgRg no AREsp n. 2.706.517/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 23/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.564.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.126.667/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 18/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.262.869/RS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 25/6/2024. Por fim, registro que, n os termos do art. 932, III, do CPC, incumbe monocraticamente ao relator "não conhecer de recurso .. que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida", hipótese amparada também pelo art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO SUFICIENTE. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.