AREsp 2802514 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade em razão da ausência de impugnação específica aos fundamentos que justificaram a inadmissibilidade do recurso especial (aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ e necessidade de reexame fático-probatório), estando ausentes elementos que demonstrassem a...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ROSEMAYRE CAVALCANTE SILVA CALDAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042, Do Cpc/15) / Juízo De Admissibilidade/decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmulas 05 E 07/stj, Súmula 182/stj, Renovação De Contrato De Seguro De Vida, Recondução Tácita (art. 774 Cc)
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Parties
ROSEMAYRE CAVALCANTE SILVA CALDAS
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1.042, Do Cpc/15) / Juízo De Admissibilidade/decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por violação do princípio da dialeticidade e ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade
- 2 necessidade de demonstrar prescindibilidade do reexame fático-probatório para afastar a Súmula 7/STJ
- 3 interpretação sobre renovação automática/expressa de contrato de seguro de vida e inaplicabilidade do art. 774 do CC na hipótese de autorização expressa
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por violação ao princípio da dialeticidade em razão da ausência de impugnação específica aos fundamentos que justificaram a inadmissibilidade do recurso especial (aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ e necessidade de reexame fático-probatório), estando ausentes elementos que demonstrassem a prescindibilidade do revolvimento do conjunto fático-probatório; por isso, aplica-se, por analogia, a Súmula 182/STJ e o disposto no art. 932, III, do CPC/2015.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042, do CPC/15), interposto por ROSEMAYRE CAVALCANTE SILVA CALDAS, contra decisão que negou seguimento a recurso especial, com fulcro nos enunciados contidos nas Súmulas 05 e 07/STJ (fls. 909/912, e-STJ): Em suas razões de agravo (fls. 917/927, e-STJ), a recorrente reafirma as razões deduzidas no apelo nobre, notadamente quanto à inexistência de dispositivo de lei que autorize a renovação de seguro de vida de maneira tácita por infinitas vezes. Assevera que apesar do entendimento firmado pela instância de origem, "a renovação automática do contrato de seguro, pode ser operada, porém uma única vez de maneira tácita, as demais necessitam de autorização expressa do segurado" (fl. 920, e-STJ). Contraminuta às fls. 929/937 e 940/961 (e-STJ). É o relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Em uma análise detida das razões de agravo (art. 1.042, do CPC/15), verifica-se que a parte recorrente limitou-se a renegar, genericamente, o juízo de admissibilidade realizado na origem, repisando os argumentos deduzidos no apelo nobre, sem, contudo, efetivamente demonstrar a inadequação dos óbices invocados. No que se refere à aplicação das Súmulas 05 e 07 do STJ, convém destacar, segundo o entendimento jurisprudencial adotado por esta Colenda Corte, que a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição articulada da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias. No particular, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, publicado no DJe de 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias." Necessário consignar, em um primeiro momento, que todo recurso especial, por pressuposto de cabimento, discute a aplicação da lei federal, pois essa a "competência" que lhe foi atribuída pelo texto constitucional. A circunstância de o reclamo discutir a aplicação de dispositivo de lei federal não exclui, por si só - para conferir amparo à tese da parte insurgente - eventual necessidade de revolvimento do acervo fático-probatório dos autos. Desta forma, cabia à parte insurgente apresentar fundamentos aptos a justificar, no caso, o porquê da aplicação do dispositivo não demandar - em contraste ao que concluiu a Corte local - a análise de fatos, obrigação processual da qual, a rigor, não se desincumbiu. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA DA SÚMULA 7/STJ. SÚMULA 182/STJ. DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ (..) 2. Verifica-se nas razões do Agravo em Recurso Especial (fls. 758-771, e-STJ) que a parte recorrente combate de modo genérico o fundamento que impossibilitou o seguimento recursal. Observa-se que ela se limita a declarar que os fundamentos expostos são estritamente jurídicos e que a análise do Recurso prescinde de reexame de provas e de fatos. Afirma, ao contrário do que se depreende dos autos, que o acórdão recorrido não condenou em honorários sucumbenciais em decorrência da ausência de fixação pelo juízo de piso. 3. É pacífico o entendimento de que, no "recurso com fundamento na Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do reexame fático-probatório" (AgInt no AREsp 1.135.014/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 27.3.2020). Isso, no caso dos autos, indubitavelmente não ocorreu. (..) 7. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.296.988/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 18/12/2023.) PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESAPROPRIAÇÃO. VALOR INDENIZATÓRIO. LAUDO PERICIAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA À SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A decisão recorrida conheceu do agravo, mas não conheceu do recurso especial, aplicando a Súmula 7 desta Corte. 2. Nas razões do agravo interno a parte se opõe ao óbice sumular fazendo afirmações genéricas, sem demonstrar a prescindibilidade do reexame de provas nesta instância extraordinária 3. De acordo com o entendimento desta Corte, " .. a adequada impugnação à Súmula 7/STJ, exige da parte que ela desenvolva uma argumentação que demonstre a desnecessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, seja porque a questão é meramente de interpretação jurídica - e aí deve comprovar tal circunstância, não apenas alegá-la -, seja porque os fatos e provas necessários à adequada solução da controvérsia já tenham sido devidamente delineados no julgado recorrido - e aí deve transcrever os trechos do julgado em que constem tais fatos e provas e conectá-los à violação legal apontada, comprovando, assim, que não é preciso para a solução do caso rever, nesta Corte Superior, aquele conjunto". (EDcl no AgInt no REsp n. 1.453.025/MG, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 6/3/2018, DJe de 14/3/2018.) 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.229.578/RN, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 29/6/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A decisão ora recorrida não conheceu do agravo em razão da não impugnação aos fundamentos da decisão que inadmitira o recurso especial na origem quanto à Súmula 5/STJ e à Súmula 7/STJ. Por conta disso, consignou-se a incidência da Súmula 182 do STJ. 2. A parte, para ver examinado por esta Corte Superior seu recurso especial inadmitido, precisa, primeiro, desconstituir os fundamentos utilizados para a negativa de admissão daquele recurso sob pena de vê-los mantidos. 3. É mister repetir que as razões demonstrativas do desacerto da decisão agravada devem ser veiculadas imediatamente, na oportunidade de interposição do agravo em recurso especial, pois, convém frisar, não é admitida impugnação a destempo, a fim de inovar a justificativa para admissão do recurso excepcional, devido à preclusão consumativa. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial; correta, portanto, a incidência na espécie do enunciado da Súmula 182 do STJ. 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada ou simplesmente a insistência no mérito da controvérsia. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que possa justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Ainda, "é possível o juízo de admissibilidade adentrar o mérito do recurso, visto que o exame da sua admissibilidade, pela alínea a, tendo em vista os seus pressupostos constitucionais, envolve o próprio mérito da controvérsia" (AgRg no Ag 173.195/SP, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Quarta Turma, DJe 21.9.1998). 7. A alegação de suposta usurpação de competência desta Corte, por si só, não é suficiente para cumprir com o dever de impugnação dos fundamentos de inadmissibilidade do recurso especial. 8. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.924.899/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023.) Em reforço, a realidade fática e probatória restou assim cristalizada quando do julgamento do recurso de apelação (fls. 855/856, e-STJ): Tem-se que a questão ora em debate deve ser verificada à luz do Código Consumerista. De acordo com os autos, pretende a Apelante que seja declarada a rescisão do contrato de seguro de vida pactuado entre as partes, devendo os descontos indevidos, a partir da negativa de renovação, serem restituídos em dobro. Por fim, pugnou, ainda, pela condenação dos demandados ao pagamento de danos morais. Analisando detidamente os documentos colacionados aos autos, verifica-se que a recorrente, à fl. 23, através de uma correspondência datada de 13 de maio de 2002, foi notificada para, querendo, permanecer, na qualidade de segurada, do Seguro Ouro Vida - Grupo Especial. Na supracitada correspondência foi solicitado, para a renovação do contrato, o termo de confirmação ou pedido de cancelamento assinado pela parte autora. À pág. 188, consta o termo de confirmação devidamente assinado pela apelante em 15/07/2002. Consta no mencionado documento, em negrito, que a parte demandante está ciente de que "A vigência do Seguro Ouro Vida Grupo Especial teve início às 24 horas do dia 31 de março de 2022, e será renovada anualmente, de forma automática, sem a necessidade de assinatura de novo Termo de Confirmação, salvo se qualquer das partes manifestar seu interesse em não renová-lo, nos termos previstos nas condições respectivas." Assim, restou devidamente comprovado que a recorrente optou, de forma livre e consciente, em dar continuidade à relação contratual. Ressalte-se que inexiste nos autos qualquer elemento probatório que indique a manifestação da autora em rescindir o contrato anteriormente firmado, ônus este que lhe competia nos termos do art. 373, I, do CPC. Ademais, verifica-se que foram efetuados durante vários anos diversos descontos na conta da requerente, tendo esta durante todo esse período permanecido inerte, o que, em meu sentir, comprova a inequívoca vontade de manter a relação contratual. De mais a mais, deve ser salientado que a regra prevista no art. 774 do Código Civil não se aplica à situação específica dos autos. Art. 774. A recondução tácita do contrato pelo mesmo prazo, mediante expressa cláusula contratual, não poderá operar mais de uma vez. O dispositivo acima transcrito trata da recondução tática do contrato, ou seja, uma renovação presumida do pacto, sem a vontade expressa de um dos contratantes. Ocorre que, no caso dos autos, não houve a renovação tácita, existindo em verdade uma renovação automática expressamente autorizada. Como dito anteriormente, ao assinar o documento juntado à pág. 188, a apelante expressamente concordou em renovar, salvo declaração em contrário, de forma automática o contrato, ou seja, sem a necessidade de assinatura de outro termo de confirmação. Tal situação não é proibida pela Legislação Pátria, uma vez que não se trata de renovação presumida ou tácita. Vale destacar, ainda, que a parte recorrente estava, de fato, coberta pela apólice, beneficiando-se da contratação e, caso necessário, certamente acionaria a seguradora para recebimento do prêmio. grifou-se Assim, na hipótese dos autos, para superar as premissas sobre as quais se apoiou a Corte de origem - notadamente quanto à existência de autorização expressa de renovação de contrato de seguro de vida - seria o reexame das provas colacionadas aos autos, prática que é vedada a esta Corte Superior. Como é cediço, a falta de ataque específico aos fundamentos da decisão agravada encontra óbice na Súmula 182/STJ e no artigo 932, III, do NCPC: Art. 932. Incumbe ao relator: (..) III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (grifos acrescidos) Conforme já decidiu o STJ, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.11.2008 - grifos nossos). E, ainda, "Inexistindo impugnação específica ao decisum impugnado, restou desatendido o princípio da dialeticidade, motivo pelo qual incide, no caso em exame, por analogia, a Súmula n. 182/STJ: "É inviável o exame do agravo do artigo 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." (AgRg no AgRg nos EAREsp 557.525/PR, Rel. Ministro Jorge Mussi, Corte Especial, DJe 14/12/2015). 2. Do exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015, e na aplicação, por analogia, do Enunciado n. 182 da Súmula deste STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA