AREsp 2856490 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas o recurso especial não foi conhecido por duas razões principais: (i) ausência de prequestionamento da matéria relativa à aplicação do art. 87 do CDC, pois a questão não foi examinada pela Corte de origem sob o viés insurgido; (ii) impossibilidade de admitir recurso especial fundado em...
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- Parties
- Agravante/recorrente: SINDICATO DOS TRABALHADORES NOS SERVICOS PUBLICOS DO ESTADO DE SERGIPE-SINTRASE; Recorrido: MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DAS DORES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Conhecido O Agravo E Não Conhecido O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 518 Do STJ, Súmula 85 Do STJ, Art. 87 Do CDC Isenção De Custas E Honorários Em Ações Coletivas, Adicional De Insalubridade, Prescrição Quinquenal, Requisitos De Divergência Jurisprudencial (arts. 1.029 CPC E 255 Ristj)
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Parties
SINDICATO DOS TRABALHADORES NOS SERVICOS PUBLICOS DO ESTADO DE SERGIPE-SINTRASE
Agravante/recorrente
MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DAS DORES
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Conhecido O Agravo E Não Conhecido O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Incidência do art. 87 do CDC e impossibilidade de condenação do sindicato em custas, despesas e honorários quando atua como substituto processual em ação coletiva
- 2 Marco inicial para pagamento do adicional de insalubridade: início da exposição do trabalhador ou data do laudo pericial
- 3 Prequestionamento e exigência de demonstração de divergência jurisprudencial para conhecer de recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas o recurso especial não foi conhecido por duas razões principais: (i) ausência de prequestionamento da matéria relativa à aplicação do art. 87 do CDC, pois a questão não foi examinada pela Corte de origem sob o viés insurgido; (ii) impossibilidade de admitir recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula, nos termos da Súmula 518 do STJ, além de inexistência de comprovação da divergência jurisprudencial nos termos dos arts. 1.029, §1º do CPC e 255, §1º do RISTJ.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pelo SINDICATO DOS TRABALHADORES NOS SERVICOS PUBLICOS DO ESTADO DE SERGIPE-SINTRASE à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA MUNICÍPIO DE NOSSA SENHORA DAS DORES - ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - OBSERVÂNCIA DA TESE FIRMADA NO IRDR 201900602957 - PERCENTUAL MÁXIMO - TERMO INICIAL - CONFECÇÃO DO LAUDO PERICIAL - REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA - RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO - DECISÃO UNÂNIME. Quanto à primeira controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa e interpretação divergente do art. 87 do CDC, no que concerne à impossibilidade de condenação de sindicato ao pagamento de custas, despesas e honorários advocatícios sucumbenciais, tendo em vista que o recorrente atua como substituto processual, na defesa de direitos individuais homogêneos de integrantes da respectiva categoria profissional em ação com natureza coletiva , trazendo a seguinte argumentação: O Acórdão proferido entendeu que descabe o pleito de isenção legal do artigo 87 do CDC por se tratar de ação de cobrança. Todavia, com a máxima vênia, não merece prosperar tal argumento, posto que o decisum violou o que dispõe o art. 87 do CDC, o qual rege as benesses processuais das Ações Coletivas, que não haverá condenação do sindicato recorrente em honorários, custas e despesas processuais, salvo se comprovada a má-fé. Sendo assim, não há que se falar em condenação do Recorrente ao pagamento de custas, despesas e/ou honorários advocatícios sucumbenciais, por força expressa do sobredito diploma legal. Diga-se que a circunstância da ação possuir natureza coletiva e o sindicato atua como substituto processual, na defesa de direitos individuais homogêneos de integrantes da respectiva categoria profissional, atraindo a aplicação dos dispositivos que compõem o microssistema processual coletivo (fls. 824-825). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao enunciado n. 85 da Súmula do STJ, no que concerne ao pagamento de adicional de insalubridade desde o início da exposição do trabalhador aos agentes insalubres, e não apenas a partir do laudo pericial, observando apenas o limite imprescritível dos cinco anos anteriores à propositura da ação, trazendo a seguinte argumentação: O Acórdão proferido consagrou o entendimento de que o pagamento do adicional de insalubridade só deve ser realizado a partir da produção do laudo pericial que reconheceu o ambiente como insalubre, determinando a implementação definitiva do adicional de insalubridade em grau máximo. Apesar do Egrégio TJ/SE ter desprovido o recurso interposto pela parte apelante, ora recorrente, é importante destacar que, em relação ao adicional de insalubridade, a prescrição atinge tão somente as parcelas vencidas há mais de 05 (cinco) anos do ajuizamento da ação, por se tratar de relação jurídica de trato sucessivo, atraindo a incidência da Súmula nº 85 do STJ (fls. 827- 828). Tendo como marco inicial para percepção do adicional de insalubridade é a partir de quando o trabalhador tem contato com tais agentes insalubres, não quando há a realização da perícia, razão pela qual o acórdão proferido precisa ser reformado. .. Desta forma, REQUER que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, e seja reformada a decisão da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, para condenar o Recorrido ao pagamento retroativo do adicional de insalubridade em grau máximo deferido no Acórdão (40% e reflexos), pelo período imprescrito de 05 (cinco) anos anteriores ao ajuizamento da ação (fl. 830). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: " .. o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17.6.2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4.5.2018. Ademais, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, porquanto não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: ;AgInt no AREsp n. 2.100.337/MG, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; REsp 1.575.943/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, ;Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Quanto à segunda controvérsia, não é cabível Recurso Especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Assim, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Nesse sentido: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19.10.2020.) Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.630.476/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13.8.2020; AgInt no AREsp 1.630.025/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 14.8.2020; AREsp 1.655.146/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 7.8.2020; AgRg no REsp 1.868.900/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 3.6.2020; AgInt no REsp 1.743.359/MG, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 30.3.2020; AgRg no AREsp n. 1.632.328/CE, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 2.9.2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA