AREsp 2423607 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para exame e, todavia, manteve-se a inadmissibilidade do recurso especial, por incidência da Súmula 7 do STJ em razão da necessidade de reexame de matéria fático-probatória, pela ausência de cotejo analítico quanto à alegada divergência jurisprudencial (Súmula 284 do STF, por analogia) e em...
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- Parties
- Agravante: SULIVAN PEÇANHA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 284 Do STF, Interceptação Telefônica, Provas Irrepetíveis, Cotejo Analítico, Desclassificação
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Parties
SULIVAN PEÇANHA DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Inadmissibilidade do recurso especial por necessidade de reexame de provas (Súmula 7 do STJ)
- 2 Validade do uso de interceptações telefônicas como prova irrepetível
- 3 Ausência de cotejo analítico para configurar divergência jurisprudencial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para exame e, todavia, manteve-se a inadmissibilidade do recurso especial, por incidência da Súmula 7 do STJ em razão da necessidade de reexame de matéria fático-probatória, pela ausência de cotejo analítico quanto à alegada divergência jurisprudencial (Súmula 284 do STF, por analogia) e em face da jurisprudência que admite o uso de interceptações telefônicas quando a defesa tem oportunidade de se manifestar.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SULIVAN PEÇANHA DOS SANTOS contra decisão que inadmitiu recurso especial manejado em face de acórdão do tribunal de justiça de origem. A parte agravante foi condenada pelo delito do artigo 2º, caput, §§2º e 4º, I e IV, da Lei n. 12.850/13, à pena de 4 (quatro) anos e 6 (seis) meses de reclusão, em regime semiaberto, além da pena de multa. Interposta a apelação pela defesa, houve o conhecimento e provimento parcial pelo tribunal de justiça de origem, com redução da quantidade de dias-multa (fls. 5671-5733). No recurso especial, interposto com fulcro no artigo 105, inciso III, alínea "a" e "c", da Constituição Federal, o insurgente alegou violação do art. 386, VI e VII, Código de Processo Penal (fls. 5777-5792). O recurso não foi admitido na origem, em razão do óbice da Súmula n. 7 do STJ e ausência de cotejo analítico quanto à alegada divergência jurisprudencial (fls. 5916-5932). No agravo, a parte recorrente aduz a necessidade de provimento para que seja examinado o recurso especial interposto. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do agravo (fls. 6021-6036). É o relatório. DECIDO. Tendo em vista os argumentos expendidos pelo agravante para refutar os fundamentos da decisão de admissibilidade da origem, conheço do agravo e passo a examinar o recurso especial. Conforme relatado, o recurso especial foi inadmitido pelo tribunal de origem em razão da necessidade de reexame de provas e, em relação à alegada divergência jurisprudencial, ausência de cotejo analítico. De fato, não há admissibilidade do recurso especial em razão da incidência da Súmula 7 do STJ, uma vez que há a necessidade de exame da matéria fático-probatória. O acórdão do Tribunal de Justiça considerou que houve prova suficiente da concorrência do agravante para o delito do qual foi condenado (fls. 5702 e 5712), calcando-se tanto na prova cautelar não repetível (interceptação telefônica) quanto nos demais elementos da investigação e prova produzida em juízo. Sobre o tema, tem-se a jurisprudência consolidada desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ABSOLVIÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. DESCLASSIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 593 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Para entender-se pela absolvição do recorrente, seria necessário o revolvimento de todo o conjunto fático-probatório produzido nos autos, providência que, conforme cediço, é incabível na via do recurso especial, consoante o enunciado na Súmula n. 7 do STJ. .. 5. Agravo regimental parcialmente conhecido e não provido. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.957.232/PE, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 28/2/2023, DJe de 3/3/2023). Neste contexto, a Súmula n. 7 do STJ impede o reexame do acervo fático-probatório, sendo correta a decisão de origem que referiu a existência do óbice ao seguimento do recurso. Ainda, a tese do recorrente de que a condenação não pode ser calcada apenas em elementos de interceptação telefônica (o que não foi o caso dos autos) não encontra guarida na jurisprudência desta Corte: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. PROVAS ILÍCITAS E INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do recurso especial, em razão de alegações de nulidade de provas e cerceamento de defesa em processo penal. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se as provas obtidas por interceptações telefônicas, consideradas irrepetíveis, podem fundamentar condenação penal, mesmo quando não corroboradas por outras provas produzidas em juízo. 3. A questão em discussão também envolve a análise da alegação de nulidade das provas derivadas de interceptações telefônicas, consideradas ilícitas em decisão anterior do STJ, e a possibilidade de cerceamento de defesa por falta de acesso à integralidade do material da operação. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência do STJ permite a utilização de provas irrepetíveis, como interceptações telefônicas, para fundamentar condenações, desde que observada a possibilidade de manifestação da defesa sobre tais elementos. 5. A decisão monocrática considerou que as provas derivadas de interceptações telefônicas não foram contaminadas por ilicitude, pois foram fundamentadas em fontes independentes. 6. A alegação de cerceamento de defesa foi afastada, uma vez que a jurisprudência dominante das Cortes Superiores não exige o acesso à integralidade das degravações para a validade das provas. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo desprovido. Tese de julgamento: "1. Provas irrepetíveis, como interceptações telefônicas, podem fundamentar condenações penais, desde que a defesa tenha oportunidade de se manifestar sobre elas. 2. Provas derivadas de interceptações telefônicas não são consideradas ilícitas se fundamentadas em fontes independentes. 3. Não há cerceamento de defesa pela falta de acesso à integralidade das degravações, conforme jurisprudência dominante". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 155; CPP, art. 157; CPP, art. 563.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no REsp 1.970.697/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 19/3/2024; STJ, AgRg no HC 907.836/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 10/6/2024; STJ, EDcl no AgRg no REsp 2.120.994/SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 5/11/2024. (AgRg no REsp n. 2.131.773/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 3/1/2025.) Assim, incidiria também o óbice da Súmula n. 83 do STJ. Por fim, acerca da alegada divergência jurisprudencial, a peça recursal não fez o cotejo analítico entre o caso dos autos e o paradigma, havendo insuficiência de fundamentação. Incide, por analogia, a Súmula n. 284 do STF. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea a, do RISTJ. Publique-se. Intimem -se. EMENTA