AREsp 2775247 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não demonstrou, de forma concreta e específica, que a alteração do entendimento adotado pelo Tribunal de origem independe da apreciação fático-probatória, não enfrentando adequadamente os fundamentos que ensejaram a inadmissão do recurso especial (incidência das Súmulas...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Prequestionamento, Dialeticidade Recursal, Reexame De Prova, Crimes De Calúnia Injúria Difamação
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por ausência de prequestionamento
- 2 incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ
- 3 necessidade de reexame do contexto fático-probatório para reforma da decisão recorrida
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não demonstrou, de forma concreta e específica, que a alteração do entendimento adotado pelo Tribunal de origem independe da apreciação fático-probatória, não enfrentando adequadamente os fundamentos que ensejaram a inadmissão do recurso especial (incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ), o que inviabiliza o conhecimento do agravo nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO, que negou provimento ao recurso de apelação defensivo mantendo a condenação da querelada pela prática dos crimes previstos nos arts. 138, 139 e 140, c/c art. 141, III, do Código Penal, à pena definitiva de 01 ano e 01 mês de detenção, a ser cumprida inicialmente em regime aberto. Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação dos arts. 65, III, c, 138, 139, 140 do CP e 41, 386, III e VII, 397, II, III e VII do CPP. Nesse sentido, argumenta, em resumo, que sem fundamentação adequada sobre as provas produzidas o Tribunal local, indevidamente, deixou de considerar a ausência de provas e do dolo relacionado aos crimes de calúnia, injúria e difamação. Aponta-se, ademais, divergência jurisprudencial a convalidar as teses recursais. Com contrarrazões (fls. 628-642), o recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 644-645), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não conhecimento agravo e, acaso conhecido, pelo seu desprovimento (fls. 710-715). É o relatório. DECIDO. O recurso especial foi inadmitido na origem em razão da ausência de prequestionamento e pela incidência das Súmulas 83 e 7 do STJ. O agravante, entretanto, não enfrentou adequadamente este último fundamento utilizado pela Corte de origem, por isso o agravo não supera o juízo de conhecimento. Com efeito, o agravante não demonstrou de que forma seria possível afastar a necessidade de reexame do contexto fático-probatório para concluir, em sentido diverso da instância ordinária, que as provas seriam insuficientes para a condenação da recorrente pelos crimes de calúnia, injúria e difamação. Essa demonstração também era essencial quanto à alegada divergência jurisprudencial, uma vez que, nessa parte do recurso especial, incide a mesma restrição prevista na Súmula 7/STJ. Para que fosse admitido, o agravo deveria fazer o devido confronto entre os fatos incontroversos reconhecidos pelas instâncias ordinárias e as teses apresentadas no recurso especial, demonstrando ser desnecessária a alteração do contexto fático reconhecido pela Corte de origem. Deveras, a impugnação à decisão agravada deve ser específica e concreta, não ser vindo a mera afirmação genérica de que não incide ao caso a Súmula 7/STJ. Corrobora: "São insuficientes, para rebater a incidência da Súmula n. 7 do STJ, assertivas genéricas de que a apreciação do recurso não demanda reexame de provas. O agravante deve demonstrar, com particularidade, que a alteração do entendimento adotado pelo Tribunal de origem independe da apreciação fático-probatória dos autos" (AgRg no AREsp n. 2.176.543/SC, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 29/3/2023). Dessa forma, à míngua de impugnação concreta, específica e individualizada, de todos os fundamentos declinados pela Corte de justiça local para inadmitir o recurso especial, mostra-se insuperável a manifesta inobservância ao princípio da dialeticidade, nos termos do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil. A propósito: " .. 4. Na espécie, a respeito da pretendida substituição da pena privativa de liberdade, a decisão agravada consignou que a medida não era cabível por dois motivos: a) as circunstâncias do crime foram valoradas negativamente ao acusado, inclusive ensejando incremento na pena-base e b) o réu é reincidente em crime doloso, cometido com violência, e as instâncias de origem entenderam não ser adequada a aplicação de pena restritiva de direitos. A defesa, contudo, não impugnou todos os fundamentos da decisão agravada, de modo que se limitou a infirmar a necessidade de reexame fático-probatório para analisar o pleito e a questionar a possibilidade de substituição da reprimenda para sentenciados reincidentes. Desse modo, em razão da ausência de dialeticidade recursal, incide a Súmula n. 182 do STJ, a inviabilizar o conhecimento do pedido. 5. Agravo regimental parcialmente conhecido e não provido." (AgRg no AREsp n. 2.295.338/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/6/2023, DJe de 27/6/2023.). Ainda nesse sentido, dentre vários outros, o AgRg no REsp n. 2.009.728/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 12/9/2023. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA