AREsp 2859468 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial: por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF) relativa ao art. 1.022 do CPC e por dissociação das razões recursais dos fundamentos do acórdão recorrido; segundo entendimento aplicado, a recuperação judicial não impede o prosseguimento da execução...
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- Parties
- Agravante: PLAY MOTORS COMERCIO DE VEICULOS LTDA; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Competência Do Juízo Falimentar, Penhora E Atos Constritivos, Cooperação Jurisdicional
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Parties
PLAY MOTORS COMERCIO DE VEICULOS LTDA
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC (omissão)
- 2 competência do juízo falimentar para bens arrecadados
- 3 incidência do art. 7º-A, §4º, I e art. 76 da Lei 11.101/2005
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial: por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF) relativa ao art. 1.022 do CPC e por dissociação das razões recursais dos fundamentos do acórdão recorrido; segundo entendimento aplicado, a recuperação judicial não impede o prosseguimento da execução fiscal, cabendo ao juízo recuperacional, em cooperação, decidir sobre atos de constrição que afetem bens essenciais.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por PLAY MOTORS COMERCIO DE VEICULOS LTDA e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO FISCAL - MUNICÍPIO DE SANTOS - DECISÃO JUDICIAL DEFERINDO A PENHORA DE BEM IMÓVEL DE PROPRIEDADE DA EXECUTADA - INSURGÊNCIA DE MASSA FALIDA ALEGANDO QUE O BEM IMÓVEL SE ENCONTRA ARRECADADO NO JUÍZO FALIMENTAR - PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS ATOS DE EXECUÇÃO - ATOS CONSTRITIVOS - INCIDÊNCIA DO ARTIGO 6º, § 7º-B, DA LEI Nº 11.101/2005, INCLUÍDO PELA LEI Nº 14.112/2020 - COMPETE AO JUÍZO RECUPERACIONAL, UNICAMENTE, EM COOPERAÇÃO COM O JUÍZO DA EXECUÇÃO, DECIDIR ACERCA DE ATOS DE SUBSTITUIÇÃO E QUE RECAIAM SOBRE BENS DE CAPITAL ESSENCIAIS À CONTINUIDADE DA ATIVIDADE EMPRESARIAL - POSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL E DOS ATOS CONSTRITIVOS, OBSERVADA A NECESSIDADE DE COOPERAÇÃO JURISDICIONAL - PRECEDENTE DO E. STJ E PRECEDENTES DESTA C. CORTE - DECISÃO MANTIDA - AGRAVO NÃO PROVIDO, COM OBSERVAÇÃO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 1.022 do CPC, no que concerne no que concerne à negativa de prestação jurisdicional. Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa 7º-A, § 4º, I, e 76, caput , 99, V, e 108, § 3º, e 142, § 7º, da Lei n. 11.101/2005, no que concerne à necessidade de reconhecer o juízo falimentar como competente para decidir sobre os bens da falência, visto que cabe exclusivamente ao juízo da falência decidir sobre a arrecadação dos bens da massa falida, sua alienação e o pagamento aos credores. Argumenta: 006. A hipótese, ao contrário do que foi ventilado na r. decisão recorrida, versa sobre imóvel arrecadado em falência, portanto, de acordo com o art. 7º-A, § 4º, inciso I da LF, "a decisão sobre os cálculos e a classificação dos créditos para os fins do disposto nesta Lei, bem como sobre a arrecadação dos bens, a realização do ativo e o pagamento aos credores, competirá ao juízo falimentar" por ser "indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido" (LF, art. 76, caput). 007. A desobediência ao comando dos arts. 7º-A, § 4º, inciso I e 76, caput da LF é patente e não reclama maiores e melhores digressões (fl. 75). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente aponta ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "A ausência de indicação dos incisos do art. 1.022 configura deficiência de fundamentação, o que enseja o não conhecimento do recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.697.337/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/2/2025, DJEN de 13/2/2025). Confira-se também os seguintes julgados: ;AgInt no REsp n. 2.129.539/CE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.069.174/MS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 4/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.543.862/RN, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 30/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.452.749/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.260.168/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 6/12/2023; AgInt no AREsp n. 1.703.490/MT, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 24/11/2020. Quanto à segunda controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Nesse sentido, conforme a novel alteração legislativa, o deferimento do processamento da recuperação judicial não obsta o prosseguimento das execuções fiscais em curso e, tampouco, de atos expropriatórios, sendo certo que compete ao juízo recuperacional, unicamente, em cooperação com o juízo da execução fiscal, nos termos dos artigos 67 a 69 e 805 do CPC, decidir acerca da manutenção e substituição dos atos de constrição que possam, eventualmente, recair sobre bens de capital considerados vitais à continuidade da atividade empresarial da recuperanda, até o encerramento da recuperação judicial (fls. 56-57, grifo meu). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados:AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA