AREsp 2435414 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e suficiente todos os fundamentos adotados pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial, não demonstrando a existência de fatos incontroversos que autorizassem afastar a análise do acervo fático‑probatório,...
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- Parties
- Agravante: LUCIANO SECCHES MANSOR; Decisão Agravada: Presidência da Seção de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento
- Outcome
- agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Impugnação Específica Dos Fundamentos Da Decisão, Incidência De Súmulas Impeditivas (súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Súmulas 282 E 356/stf), Dosimetria Da Pena, Substituição Da Pena Privativa De Liberdade Por Restritivas De Direitos
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Parties
LUCIANO SECCHES MANSOR
Agravante
Presidência da Seção de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Decisão Agravada
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Admissibilidade Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial é admissível diante da ausência de impugnação específica a todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Se houve prequestionamento da matéria relativa à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos
- 3 Se incide a Súmula 7/STJ quanto à vedação de reexame de provas na via especial
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma adequada e suficiente todos os fundamentos adotados pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial, não demonstrando a existência de fatos incontroversos que autorizassem afastar a análise do acervo fático‑probatório, incidindo assim os óbices sumulares e legais que impedem o processamento do recurso.
Court Disposition
agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por LUCIANO SECCHES MANSOR contra a decisão proferida pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que não admitiu recurso especial interposto, com fulcro no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, em oposição a acórdão proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 0043198-57.2013.8.26.0576. O Ministério Público Federal bem delimitou a controvérsia, nestes termos (e-STJ fls. 12834/12836): Trata-se de agravo em recurso especial interposto por Luciano Secches Mansor contra a decisão proferida pela Presidência da Seção de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que, em juízo de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial, ante o reconhecimento da incidência dos óbices das Súmulas nº 284/STF, 282/STF, 356/STF e 182/STJ, 211/STJ e 7/STJ, nos seguintes termos (fls. 12.798/12.800): Verifico que o reclamo é inadmissível diante da existência de óbice processual. Com efeito, o recurso especial foi interposto sem a fundamentação necessária apta a autorizar o seu processamento, consoante determina o artigo 1.029 do Código de Processo Civil1, pois não foram devidamente atacados todos os argumentos do aresto. Nessa linha, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "(..) Ausente a impugnação concreta aos fundamentos da decisão agravada, tem aplicação a Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça.". Por outro lado, não foi observado o prequestionamento da matéria relativa à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, conforme exigência da Corte Superior: "(..) O prequestionamento admitido por esta Corte se caracteriza quando o Tribunal de origem emite juízo de valor sobre determinada questão, englobando aspectos presentes nas teses que embasam o pleito apresentado no recurso especial. Assim, uma tese não refutada pelo Tribunal de origem não pode ser conhecida no âmbito do recurso especial. "Mesmo se tratando de nulidades absolutas e condições da ação, é imprescindível o prequestionamento, pois este é exigência indispensável ao conhecimento do recurso especial, fora do qual não se pode reconhecer sequer matéria de ordem pública, passível de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias. Súmulas 282/STF e 356/STF" (AgRg no AR Esp 1229976/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, D Je 29/6/2018)". Na mesma orientação: "(..) 2. Não tendo a irresignação em comento, pelo prisma do dispositivo infraconstitucional indigitado, sido previamente incitada e debatida pelo Tribunal ordinário, afigura-se inviável suas análises nesta via especial, ante a incidência do óbice consolidado nas Súmulas n. 282 e 356 do STF, impeditivo ao conhecimento, por esta Corte, de matéria não prequestionada.". Por fim, incide ao caso a Súmula nº 7 do STJ, que dispõe: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial", ou seja, há divergência quanto à situação reconhecida pelo Tribunal, não sendo possível emitir um juízo de valor sobre a questão de direito federal sem antes alterar os elementos de fato. A propósito, decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no AR Esp 593109/MT, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 23/11/2021, D Je 26/11/21, que: "(..) para afastar as conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, soberanas na análise do acervo fáticoprobatório, imperioso seria o reexame de fatos e provas, providência vedada na via eleita, tendo em vista a redação do enunciado n. 7 da Súmula desta Casa." Em seu arrazoado (fls. 12803/12810), o agravante aduz, primeiramente, que as questões acerca da dosimetria da pena e da possibilidade substituição da pena foram devidamente prequestionadas "nas instâncias inferiores, só não sendo analisado expressamente pelos julgadores, pois as penas aplicadas sempre foram superiores a 04 anos " (fl. 12.807). Diz ainda que houve impugnação concreta e específica aos fundamentos da decisão. Com relação ao óbice da Súmula 7/STJ, afirma que "ao contrário do reexame das provas, vedado expressamente pela Súmula 7 desta Corte, a revaloração das provas amealhadas aos autos tornar-se possível, desde que comprovado estar posta de forma indevida." (fl. 12.809). Contrarrazões apresentadas (fls. 12.813/12.821). Daí o presente agravo em recurso especial, no qual o agravante sustenta a impossibilidade de incidência dos óbices sumulares (e-STJ fls. 12803/12810). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 12834/12849). É o relatório. Decido. O agravo não comporta conhecimento. Nas razões do agravo em recurso especial, a defesa deixou de impugnar de maneira adequada e suficiente os fundamentos utilizados pela Corte de origem para obstar a admissão do apelo nobre. No caso, deveria ela demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório, apontando os fatos incontro versos que foram, segundo alega, devidamente consignados no decisum a quo, o que não ocorreu. Como é cediço, nos termos dos arts. 932, III, do Código de Proce sso Civil de 2015, e 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, bem como da Súmula n. 182 do STJ, aplicável por analogia, não se conhece do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 182/STJ. INCIDÊNCIA CONFIRMADA. DECISÃO MANTIDA. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. REGIME PRISIONAL MAIS GRAVOSO APLICADO NA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. AGRAVO IMPROVIDO. ORDEM EM HABEAS CORPUS CONCEDIDA DE OFÍCIO PARA APLICAR O REGIME SEMIABERTO. 1. A ausência de impugnação a todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, CPC de 2015, art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula 182 do STJ, aplicável por analogia. .. 5. Agravo regimental improvido. Habeas corpus concedido de ofício para alterar o regime fixado para o semiaberto. (AgRg no AREsp 1.748.266/SP, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 2/3/2021, DJe 5/3/2021, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. APELO RARO. INADMISSÃO. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INVIABILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Ausente a impugnação concreta e pormenorizada aos fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, pelo Tribunal de origem, é inadmissível o agravo em recurso especial, conforme previsão do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, c.c. o art. 3.º do Código de Processo Penal, bem assim pela incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. .. 4. Agravo regimental desprovido (AgRg no AREsp 1.751.057/DF, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 2/2/2021, DJe 17/2/2021, grifei.) Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA