AREsp 2812069 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou as questões relevantes nos termos do art. 489 do CPC, apoiando-se nas provas que demonstraram a contratação (documentos digitais e envio de faturas), e porque a pretensão de produção de perícia foi preclusa por não ter sido requerida...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VT TRAVEL LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Judicial (art. 489 Cpc), Cerceamento De Defesa (arts. 9º E 10 Do Cpc), Prova Pericial (art. 370 Cpc), Preclusão Na Produção De Provas, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Reexame De Fatos E Provas
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Parties
VT TRAVEL LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 489, II e §1º, do CPC (alegada ausência de fundamentação)
- 2 alegada violação dos arts. 9º e 10 do CPC (ausência de oitiva das partes)
- 3 alegada obrigação de produção de prova pericial de ofício (art. 370 do CPC)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou as questões relevantes nos termos do art. 489 do CPC, apoiando-se nas provas que demonstraram a contratação (documentos digitais e envio de faturas), e porque a pretensão de produção de perícia foi preclusa por não ter sido requerida oportunamente, além de que a reforma do decidido exigiria reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7 e a revisão da preclusão de prova esbarraria na Súmula 83 do STJ.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários, visto que já foram fixados na origem no patamar máximo de 20%.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por VT TRAVEL LTDA. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 593): EMENTA: AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DOCUMENTOS QUE COMPROVAM A CONTRATAÇÃO. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO A ENSEJAR DANOS MORAIS. SENTENÇA MANTIDA. 1. As provas apresentadas pela parte recorrida comprovam a contratação dos serviços por parte da autora, através de documentos digitais com aceite, inclusive com o encaminhamento das faturas para o endereço da recorrente. 2. Ao contrário do que quer fazer crer a apelante, não há nos autos elementos que comprovem o ato ilícito supostamente atribuído a apelada, em infirmação aos elementos já dele constantes, ônus esse que lhe incumbia. 3. Reconhecida a relação jurídica entre as partes, tem-se por válida a contratação e legítima a negativação, não havendo que se falar em indenização por dano moral. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA. Sem embargos de declaração. No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao art. 489, II e §1º, do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia, especialmente no que diz respeito à validade da contratação do serviço de telefonia e sobre a origem e a validade do endereço de IP, bem como na falta de consideração sobre a necessidade de dilação probatória para esclarecer essa questão. Aduz, no mérito, violação dos arts. 9º, 10 e 370, todos do CPC. Sustenta, em síntese, que a sentença foi proferida sem que as partes fossem previamente ouvidas sobre os fundamentos utilizados, violando os arts. 9º e 10 do CPC (fl. 615). Defende que, diante da divergência entre as provas apresentadas, o juiz deveria ter ordenado a realização de perícia de ofício, conforme o art. 370 do CPC, para esclarecer a validade da contratação (fl. 617). Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 649-661). Sobreveio juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 664-666), o que ensejou a interposição do presente agravo. Apresentada contraminuta do agravo (fls. 692-698). É, no essencial, o relatório. A decisão agravada não merece reforma. Com efeito, o Tribunal de origem analisou detidamente o recurso especial interposto, devendo a decisão de admissibilidade ser mantida por seus próprios fundamentos. De início, inexiste a alegada violação do art. 489 do CPC, visto que o Tribunal de origem efetivamente enfrentou a questão levada ao seu conhecimento, pois baseou-se nas provas existentes nos autos, que demonstraram a contratação dos serviços por parte da autora, através de documentos digitais com aceite, inclusive com o encaminhamento das faturas para o endereço da recorrente (fls. 593-594). Observa-se, portanto, que o acórdão recorrido não carece de fundamento, visto que a fundamentação exigida nos termos do art. 489 do CPC é aquela revestida de coerência, explicitando suficientemente as razões de convencimento do julgador, ainda que incorreta ou mesmo não pormenorizada, pois decisão contrária ao interesse da parte não configura violação do indigitado normativo. Cumpre reiterar que entendimento contrário não se confunde com ausência de prestação jurisdicional. A propósito, "não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/8/2022). No mesmo sentido, cito: 3. A alegada negativa de prestação jurisdicional não se sustenta, uma vez que o Tribunal de origem examinou de forma suficiente e fundamentada todas as questões necessárias ao deslinde da controvérsia (art. 489, CPC/2015), ainda que contrariamente ao interesse da parte agravante. (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.752.570/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, DJEN de 23/4/2025.) Verifica-se que em relação à apontada ofensa aos arts. 9º, 10 e 370 do CPC, o recurso especial não merece prosperar porquanto encontra óbice nas Súmulas 7 e 83 do Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal de origem decidiu a controvérsia em harmonia com a jurisprudência do STJ. A propósito, cito o seguinte precedente: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDERIMENTO DE PROVA. OITIVA DO PERITO. MAGISTRADO. DESTINATÁRIO DAS PROVAS. SÚMULA N. 83/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. 1. O acórdão recorrido abordou, de forma fundamentada, todos os pontos essenciais para o deslinde da controvérsia, razão pela qual não há falar na suscitada ocorrência de violação do art. 1.022 do CPC. 2. "Na hipótese de exceção de incompetência, sob a égide do CPC/73, a suspensão do processo principal ocorre até a decisão do juiz de primeiro grau, portanto, não abrangendo o eventual agravo de instrumento contra a decisão que julga a exceção" (AgInt no REsp n. 1.707.897/MS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 29/6/2022). 3. No sistema da persuasão racional, adotado pelos arts. 370 e 371 do CPC, o magistrado é livre para analisar as provas dos autos, formando com base nelas a sua convicção, desde que aponte de forma fundamentada os elementos de seu convencimento (AgInt no AREsp n. 1.783.444/DF, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/9/2021). .. (REsp n. 1.953.007/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 19/5/2025, DJEN de 22/5/2025.) CIVIL. PROCESSO CIVIL. CONTRATO ORAL. PRAZO PRESCRICIONAL. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS. PRECLUSÃO. PRODUÇÃO DE PROVA ORAL. PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. NÃO CONHECIMENTO. CULPA CONCORRENTE. ALTERAÇÃO DOS PERCENTUAIS ATRIBUÍDOS A CADA UMA DAS PARTES. REVALORAÇÃO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. NÃO CONHECIMENTO. 1. Cuida-se na origem de ação de responsabilidade civil por erros atribuíveis a programa de computador (software) desenvolvido pela apelante, que também prestava suporte. As seguintes matérias foram devolvidas por meio recurso especial: a) cerceamento na produção de prova oral; b) possibilidade de intervenção de terceiros; c) ausência de contrato escrito e a influência disso no prazo prescricional; d) valoração do laudo pericial para distribuição da culpa concorrente; e e) alteração do índice de correção do IGP-M pelo IPCA. 2. Conforme entendimento desta Corte, "preclui o direito a prova se a parte, intimada para especificar as que pretendia produzir, não se manifesta oportunamente, e a preclusão ocorre mesmo que haja pedido de produção de provas na inicial ou na contestação, mas a parte silencia na fase de especificação" (AgRg no AREsp 645.985/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, DJe de 22/6/2016). Súmula 83/STJ. 3. Impossível analisar de pedido de intervenção de terceiros, quando o ponto fora objeto de agravo de instrumento com acórdão transitado em julgado. 4. O fato de um contrato ser oral ou escrito não influencia na regra prescricional aplicada, que será determinada pela natureza da relação jurídica por ele regrada. 5. Impossível se reavaliar os percentuais de culpa concorrente atribuídos a cada uma das partes a partir da análise fático-probatória dos autos. Súmula 7. 6. Não se pode aplicar a SELIC quando a matéria devolvida for a substituição por outros índices, e o direito em questão for disponível, uma vez que o juiz deve decidir o mérito nos limites propostos pelas partes (Art. 141 do CPC). Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, improvido. (REsp n. 2.192.464/RS, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/6/2025, DJEN de 12/6/2025.) Ademais, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à suficiência das provas contidas nos autos apta a configurar a contratação dos serviços pela parte autora e que a necessidade de prova pericial restou preclusa, pois a parte não a requereu em momento oportuno, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado, em recurso especial, pela Súmula 7 do STJ. No mesmo sentido, cito o seguinte precedente: 5. No caso, modificar as conclusões a que chegou o acórdão recorrido quanto à suficiência das provas produzidas, ao dever de indenizar e, ainda, acerca do quantum indenizatório esbarra no óbice da Súmula n. 7 do STJ. Recurso especial conhecido em parte e improvido. (REsp n. 1.953.007/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 19/5/2025, DJEN de 22/5/2025.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Deixo de majorar os honorários, visto que já foram fixados na origem no patamar máximo de 20% (fl. 600). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL E CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO VERIFICADA. PROVAS CONTIDAS NOS AUTOS SUFICIENTES PARA O CONVENCIMENTO DO JUIZ. SÚMULA 83/STJ. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. NECESSIDADADE DE PERÍCIA. PRECLUSÃO. MOMENTO INOPORTUNO. SÚMULA 83/STJ. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.