AREsp 2962204 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por aplicação da Súmula n. 284/STF em razão da deficiência de fundamentação (ausência de indicação específica dos incisos e dissociação das razões recursais dos fundamentos do acórdão impugnado) e pela incidência da Súmula n. 7 do STJ, pois eventual...
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- Parties
- Recorrente: SAO PAULO PREVIDENCIA - SPPREV
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Coisa Julgada, Inexigibilidade De Título Executivo, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Repercussão Geral (tema 5)
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Parties
SAO PAULO PREVIDENCIA - SPPREV
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC por negativa de prestação jurisdicional
- 2 alegação de ofensa ao art. 535, III c.c. §§5º e 7º do CPC quanto à possibilidade de alegar inexigibilidade do título em cumprimento de sentença após entendimento do STF (Tema 5)
- 3 aplicação da Súmula n. 284/STF por deficiência de fundamentação
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por aplicação da Súmula n. 284/STF em razão da deficiência de fundamentação (ausência de indicação específica dos incisos e dissociação das razões recursais dos fundamentos do acórdão impugnado) e pela incidência da Súmula n. 7 do STJ, pois eventual provimento demandaria reexame do acervo fático-probatório; adicionalmente, o tribunal a quo havia enfrentado a matéria e concluído pela impossibilidade de alterar os limites do título executivo sem comprovação de reestruturação da carreira.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados os limites dos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC e eventual concessão de justiça gratuita.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por SAO PAULO PREVIDENCIA - SPPREV à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - PENSIONISTAS E SERVIDORAS PÚBLICAS ESTADUAIS INATIVAS - CONVERSÃO DOS VENCIMENTOS PARA URV- LEI FEDERAL N 8.880/94 - REESTRUTURAÇÃO REMUNERATÓRIA DA CARREIRA - LIMITES DO TÍTULO EXECUTIVO - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA QUESTÃO EM SEDE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - COISA JULGADA - PRECEDENTES DO E. STJ E DESTA C. CORTE - SENTENÇA QUE EXTINGUIU A EXECUÇÃO, REFORMADA. CONFERE-SE PROVIMENTO AO RECURSO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa aos art. 1.022 do CPC, no que concerne à nulidade do acórdão em razão da negativa de prestação jurisdicional. Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 535, III c.c. §§5º e 7º, do CPC, no que concerne à impossibilidade de recusa à apreciação, em impugnação ao cumprimento de sentença, da alegação de inexigibilidade de obrigação baseado em interpretação declarada inconstitucional pelo STF, trazendo a seguinte argumentação: Como brevemente exposto no item 1 (síntese da demanda), houve condenação da Fazenda Paulista ao reajuste da remuneração dos autores em razão de perdas remetidas à implantação da URV. Referida condenação, embora posterior à decisão do Tema 5 da Repercussão Geral, violou suas diretrizes rejeitar a limitação do reajuste à data da reestruturação da carreira à qual pertencem os autores. .. No caso concreto, os dois elementos estão presentes, ao menos em tese: a) o título executivo não admite limites temporais à incorporação salarial das perdas decorrentes da aplicação da sistemática da URV, dando à Lei 8.880/94 interpretação incompatível com a Constituição, qual se afere do item II da tese firmada no julgamento do Tema 5 da Repercussão Geral: II - O término da incorporação, na remuneração do servidor, do percentual devido em razão da ilegalidade na conversão de Cruzeiros Reais em URV deve ocorrer no momento em que a carreira do servidor passa por uma restruturação remuneratória. b) A decisão do Tema 5 da Repercussão Geral transitou em julgado em 12/04/2016. O título executivo que originou a obrigação transitou em julgado em 01/03/2021 (fl. 93). Nesse contexto, era mesmo dever das instâncias ordinárias admitirem a discussão sobre a inexigibilidade do título, como manda o Artigo 535, III e §§5º e 7º, CPC. .. Com efeito, o Artigo 535, III e §§5º e 7º, CPC, consagra a autoridade do STF como última palavra na interpretação constitucional e deixa claro que o sistema processual brasileiro não vai admitir a execução de obrigações que contrariem a Constituição, nem mesmo se fixadas em título judicial transitado em julgado (fls. 296-299). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente aponta ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar, todavia, quais incisos foram contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Nesse sentido: "A ausência de indicação dos incisos do art. 1.022 configura deficiência de fundamentação, o que enseja o não conhecimento do recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.697.337/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/2/2025, DJEN de 13/2/2025). Confira-se também os seguintes julgados: ;AgInt no REsp n. 2.129.539/CE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.069.174/MS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 4/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.543.862/RN, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 30/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.452.749/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.260.168/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 6/12/2023; AgInt no AREsp n. 1.703.490/MT, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 24/11/2020. Quanto à segunda controvérsia, o tribunal a quo decidiu que: Conforme destacou o acórdão embargado (fls. 263), o RE nº 561.836/RN foi abordado tanto na ementa quanto na fundamentação do título executivo, logo, inexiste qualquer omissão. Entendeu, ainda, o colegiado, à luz do acórdão exequendo, que a executada não comprovou, no momento oportuno, se houve efetiva reestruturação da carreira das autoras. "Portanto, já decidida a matéria na fase de conhecimento, conclui-se não ser possível a alteração dos limites do título executivo, prestigiando-se, assim, a segurança jurídica e a coisa julgada material (fls. 267)." Ademais, não se trata, na hipótese, de dispositivo de lei declarado inconstitucional, e sim de estabelecimento de critérios, com repercussão geral, os quais já foram analisados na fase de conhecimento (fl. 26 3 - grifo meu). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados:AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Ademais, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA