AREsp 2513441 - DECISAO
Não conhecer do agravo em recurso especial porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, não superou o óbice da Súmula n. 7 nem demonstrou dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico, aplicando-se o art. 932, III, do CPC c/c art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
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- Parties
- Agravante: JOSE ELIVELTON SILVA DE SOUSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Demonstração Do Dissídio Jurisprudencial, Nulidade De Interceptação Telefônica, Duplo Processo, Provas Em Recurso Especial, Impugnação Específica (art. 1.021 Cpc)
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Parties
JOSE ELIVELTON SILVA DE SOUSA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 nulidade da interceptação telefônica por ausência de prévia autorização judicial e perícia
- 2 impossibilidade de duplo processo pelo mesmo fato
- 3 ausência de provas quanto aos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo em recurso especial porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, não superou o óbice da Súmula n. 7 nem demonstrou dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico, aplicando-se o art. 932, III, do CPC c/c art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO JOSE ELIVELTON SILVA DE SOUSA agrava de decisão que inadmitiu o recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará na Apelação Criminal n. 0192684-43.2019.8.06.0001. Consta dos autos que o agravante foi condenado a 17 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado, mais multa, pela prática dos delitos previstos nos arts. 2º, § 2º, da Lei n. 12.850/2013; 33, caput, e 35, c/c o art. 40, V, todos da Lei n. 11.343/2006. Nas razões do recurso especial, pleiteia a defesa "(a) a nulidade da interceptação telefônica, por ausência de prévia autorização judicial e perícia no material produzido; (b) a impossibilidade de duplo processo pelo mesmo fato; e (c) a ausência de provas quanto aos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa" (fl. 2.766). O recurso foi inadmitido em juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal local em razão da incidência da Súmula n. 7 do STJ e pela ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial, o que motivou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do recurso. Decido. O agravo é tempestivo, mas não infirmou adequadamente todas as motivações lançadas na decisão de inadmissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece conhecimento. Para impugnar satisfatoriamente o óbice da Súmula n. 7 do STJ - aplicado ao caso -, o agravante deveria demonstrar que, no recurso especial, evidenciou a tese jurídica que pretendia ver examinada, a partir das premissas fático-probatórias do acórdão recorrido. Saliento que são insuficientes assertivas genéricas de que a apreciação do recurso não demanda reexame de provas. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXIGÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. A teor do § 1.º do art. 1.021 do Código de Processo Civil, aplicável por força do art. 3.º do Código de Processo Penal, dispõe- se que "na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada". 2. Não basta a mera afirmação em sentido oposto ao óbice, com argumentos que se contrapõem a qualquer decisão que se funde no conteúdo do Enunciado n.º 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, deve-se particularizar o fundamento de inadmissão, na medida da admissibilidade, sob pena de vê-lo mantido. 3. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp n. 1.575.387/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 21/2/2020, grifei) Quanto à ausência de cotejo analítico, o agravante deveria haver comprovado que, no recurso especial, fez uma análise comparativa entre as premissas fáticas dos acórdãos recorrido e paradigma (a fim de demonstrar a similitude entre ambos) e que ambos chegaram a soluções jurídicas diversas. Ressalto, por oportuno, que "A demonstração do dissídio jurisprudencial não se contenta com meras transcrições de ementas, tal como ocorreu no presente caso, sendo absolutamente indispensável o cotejo analítico, de sorte a demonstrar a devida similitude fática entre os julgados confrontados" (AgRg no REsp n. 1.971.992/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 29/3/2023, grifei). Portanto, verifica-se que o agravante não rebateu, com particularidade, todos os óbices de admissão do REsp, em especial, o óbice da ausência da correta demonstração do dissídio. Assim, é inegável que a defesa não se desincumbiu do ônus de expor integral, específica e detalhadamente os motivos de fato e de direito por que entende incorreta a decisão agravada, a atrair, à espécie, a Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". À vista do exposto, com fundamento no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA