AREsp 2880192 - DECISAO
A rejeição da tese de violência policial decorre do exame do conjunto fático-probatório pelas instâncias ordinárias que concluiu pelo uso moderado da força e ausência de provas de excesso; a alteração dessa conclusão demandaria revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial pela Súmula 7 do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VITOR HUGO AURÉLIO VIEIRA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Violência Policial, Audiência De Custódia, Ônus Da Prova, Súmula N. 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VITOR HUGO AURÉLIO VIEIRA
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade/impugnação do recurso especial
- 2 nulidade do processo por alegada agressão/violência policial no flagrante
- 3 ônus da prova diante de alegação verossímil de violência policial
Ratio Decidendi
A rejeição da tese de violência policial decorre do exame do conjunto fático-probatório pelas instâncias ordinárias que concluiu pelo uso moderado da força e ausência de provas de excesso; a alteração dessa conclusão demandaria revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, sendo portanto improcedente o pedido de nulidade e absolvição.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO VITOR HUGO AURÉLIO VIEIRA agrava de decisão que inadmitiu o recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Apelação Criminal n. 1500082-58.2023.8.26.0613. O réu foi condenado a 1 ano e 8 meses de reclusão mais multa, no regime inicial aberto, pelo crime previsto no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006. Nas razões do recurso especial, a defesa alega violação dos arts. 157 e 386, do Código de Processo Penal. Alega a nulidade do processo ante a agressão policial no momento do flagrante e, por conseguinte, requer o reconhecimento da absolvição. O recurso foi inadmitido em juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal local, o que motivou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do recurso. Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, motivo pelo qual passo à análise do recurso especial. O Tribunal de origem rejeitou a preliminar pelos seguintes fundamentos (fls. 251-252, destaquei): Inicialmente, não há falar em ilicitude da prova obtida nestes autos. Em que pese o reclamo da defesa, verifica- se que o auto de prisão em flagrante delito foi devidamente apreciado em sede de audiência de custódia (fls. 33-36), encontrando-se por isso em conformidade com os ditames legais. No que tange à violência policial, destaco que o uso da força moderada foi necessário para a contenção do acusado, não havendo provas de que os policiais se excederam. Na audiência de custódia foi requisitado exame de corpo de delito do autuado junto ao IML, para que a questão do abuso seja melhormente analisada no curso da persecução penal, como eventuais excessos, maus tratos ou torturas ocorridas na diligência que culminou com a prisão do Autuado. Em assim sendo, rejeito as preliminares. Durante o julgamento do HC n. 915.025/SP, a Sexta Turma assentou a tese de que a alegação verossímil de violência policial acarreta ao Estado o ônus da prova de demonstrar a legalidade da atuação dos agentes de segurança pública (HC n. 915.025/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 20/3/2025, DJEN de 27/3/2025). Quanto à tese de tortura por ocasião da abordagem, constou do acórdão recorrido que "uso da força moderada foi necessário para a contenção do acusado, não havendo provas de que os policiais se excederam" (fl. 252), de modo que a versão do acusado não encontra nenhum amparo nas provas produzidas nos autos. Ressaltou o julgado que "Na audiência de custódia foi requisitado exame de corpo de delito do autuado junto ao IML, para que a questão do abuso seja melhormente analisada no curso da persecução penal, como eventuais excessos, maus tratos ou torturas ocorridas na diligência que culminou com a prisão do Autuado" (fl. 252). Da leitura dos fundamentos do acórdão, verifico que a rejeição da tese de violência policial decorreu do minucioso exame do conjunto fático-probatório dos autos pelas instâncias ordinárias, que embasou a constatação de uso moderado da força para conter o recorrente. Desse modo, para alterar essa conclusão, nos termos em que ventilada a tese nas razões do recurso especial, seria necessário o revolvimento detalhado do conjunto fático-probatório, o que é vedado nesta via, nos termos da Súmula n. 7 do STJ. Assim, é inadmissível a absolvição do réu, sobretudo ao se considerar que, no processo penal, vigora o princípio do livre convencimento motivado, em que é dado ao julgador decidir pela condenação do agente, desde que o faça fundamentadamente, exatamente como verificado nos autos. À vista do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA