AREsp 2932740 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por ausência de impugnação específica e concreta dos fundamentos que embasaram a inadmissibilidade do recurso especial, notadamente a incidência da Súmula 7/STJ; por isso não se superou o juízo de admissibilidade previsto no art.1.042 do CPC, inviabilizando o exame do mérito do agravo.
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- Parties
- Agravante/recorrente: JOSE PEREIRA DOS SANTOS; Interveniente (manifestante): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- Não conheço do agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Audiência De Retratação (art.16 Da Lei 11.340/2006), Decadência Da Representação
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Parties
JOSE PEREIRA DOS SANTOS
Agravante/recorrente
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente (manifestante)
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 7/STJ e necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 necessidade de audiência de retratação nos crimes de ação pública condicionada à representação (art.16 da Lei 11.340/2006)
- 3 possibilidade de extinção da punibilidade por decadência da representação
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por ausência de impugnação específica e concreta dos fundamentos que embasaram a inadmissibilidade do recurso especial, notadamente a incidência da Súmula 7/STJ; por isso não se superou o juízo de admissibilidade previsto no art.1.042 do CPC, inviabilizando o exame do mérito do agravo.
Court Disposition
Não conheço do agravo
Orders
- Não conheço do agravo
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por JOSE PEREIRA DOS SANTOS com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim ementado (fls. 62 - 67): "RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - CRIME DE AMEAÇA - AÇÃO PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA DECADÊNCIA - IMPOSSIBILIDADE - REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA OFERTADA - TERMO DE DESINTERESSE JUNTADO AOS AUTOS - NECESSIDADE DE DESIGNAÇÃO DA AUDIÊNCIA DO ART. 16 DA LEI 11.340/06 - REFORMA DA DECISÃO - PROVIMENTO DO RECURSO. 1. No crime de ameaça, de ação penal pública condicionada à representação, a audiência prevista no artigo 16 da Lei 11.340/06 visa a confirmar a retratação da vítima. 2. A realização da audiência preliminar é medida impositiva, na hipótese de manifestação da ofendida acerca da intenção de desistir do prosseguimento do feito, antes do recebimento da denúncia." Em suas razões, o recorrente aponta violação do art. 103, do CP, e arts. 38, 39, §2º, c. c. art. 564, III, "a", todos do Código de Processo Penal, argumentando, em síntese, que (i) a vítima assinou termo de desinteresse e não formalizou representação dentro do prazo, de modo que a punibilidade deve ser extinta em razão da decadência; (ii) é inviável designar audiência de retratação quando não houve representação válida nem remanescem condições processuais. Com contrarrazões (fls. 97 - 101), o recurso especial foi inadmitido (fls. 104 - 105), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do recurso (fls. 148 - 150). É o relatório. Decido. O recurso não deve ser conhecido. A decisão de inadmissibilidade do recurso especial baseou-se na incidência da Súmula 7/STJ, uma vez que o acórdão resolvera a controvérsia considerando aspectos específicos da demanda: (i) oferta de representação na fase policial; (ii) prescindibilidade de formalidades rígidas para manifestar interesse da responsabilização; (iii) necessidade de se confirmar a retratação em audiência específica, nos termos do art. 16 da Lei 11.340/2006. No agravo o art. 1.042 do CPC, todavia, o agravante não infirmou adequadamente os referidos fundamentos. Afinal, s obre a aplicação da Súmula 7/STJ, o agravante trouxe apenas razões genéricas de inconformismo (aduzindo que não seria necessário reexaminar as provas dos autos), o que não satisfaz a exigência de impugnação específica para viabilizar o conhecimento do agravo. Isso porque, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local. Nesse sentido: " .. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, de modo específico e concreto, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação das Súmulas n. 7 e 83, ambas do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula n. 7/STJ, a Agravante limitou-se a sustentar, genericamente, que as pretensões elencadas no apelo nobre envolvem mero debate jurídico, não demandando, assim, reexame de provas, sem explicitar, contudo, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 1.789.363/SP, relator Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021.) " .. 1. A falta de impugnação específica dos fundamentos utilizados na decisão ora agravada atrai a incidência do enunciado sumular n. 182 desta Corte Superior. Como tem reiteradamente decidido esta Corte, os recursos devem impugnar, de maneira específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Não são suficientes meras alegações genéricas ou à insistência no mérito da controvérsia. .. 11. Agravo regimental não conhecido". (AgRg no RHC n. 128.660/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe de 24/8/2020.) Ademais, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, não conheço do agravo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA