AREsp 2915858 - ACORDAO
Não conhecer do recurso especial: a via especial é inadequada para análise de suposta afronta a dispositivo constitucional (competência do STF) e não se verificou omissão no acórdão recorrido, que apresentou fundamentos suficientes, razão pela qual o recurso não foi conhecido.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: PLAYCE COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Da Admissibilidade Do Recurso Especial (não Conhecimento Do Recurso)
- Outcome
- Não conhecer do recurso especial (por unanimidade)
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão Do Acórdão, Preparo Recursal, Afronta a Dispositivo Constitucional
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Parties
PLAYCE COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA.
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Da Admissibilidade Do Recurso Especial (não Conhecimento Do Recurso)
Legal Issues
- 1 Cabimento do recurso especial para verificação de afronta a dispositivo constitucional
- 2 Configuração de omissão ou negativa de prestação jurisdicional no acórdão recorrido
- 3 Aplicação da exceção à regra de complementação do preparo recursal prevista na Lei Estadual n. 11.608/2003, art. 4º, §2º
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial: a via especial é inadequada para análise de suposta afronta a dispositivo constitucional (competência do STF) e não se verificou omissão no acórdão recorrido, que apresentou fundamentos suficientes, razão pela qual o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
Não conhecer do recurso especial (por unanimidade)
Orders
- Não conhecer do recurso especial
- Inaplicável ao caso a majoração de honorários
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/08/2025 a 25/08/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. AFRONTA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE ESPECIAL. OMISSÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. 1. Inadequada a via especial para verificação de afronta a texto constitucional, sob pena de usurpação da competência atribuída ao STF. 2. Não configurada a alegada omissão ou negativa de prestação jurisdicional, tendo em vista que houve manifestação suficiente acerca dos temas postos em discussão desde a origem. 3. Recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por PLAYCE COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA. (PLAYCE) pretendendo a reforma da decisão que negou seguimento ao seu recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, Relator CAMPOS MELLO, assim ementado: AGRAVO INTERNO. INTERPOSIÇÃO CONTRA DECISÃO DO RELATOR QUE DETERMINOU O RECOLHIMENTO DA DIFERENÇA DO PREPARO RECURSAL. EIVA NA DECISÃO AGRAVADA NÃO CONFIGURADA. DECISÃO MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. (e-STJ, fl. 766) Foi apresentada contraminuta. É o relatório. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. AFRONTA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE ESPECIAL. OMISSÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. 1. Inadequada a via especial para verificação de afronta a texto constitucional, sob pena de usurpação da competência atribuída ao STF. 2. Não configurada a alegada omissão ou negativa de prestação jurisdicional, tendo em vista que houve manifestação suficiente acerca dos temas postos em discussão desde a origem. 3. Recurso especial não conhecido. VOTO O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, em que PLAYCE alegou violação dos arts. 93, IX, da CF; e 11 e 489, § 1º, do CPC ao sustentar que (1) o Tribunal de origem se omitiu quanto à exceção à regra de complementação do preparo recursal no art. 4º, § 2º, da Lei Estadual n. 11.608/2003. Primeiramente, no que diz respeito à arguição de afronta ao art. 93, IX, da CF, este STJ tem entendimento sedimentado no sentido de que inadequada a via especial para verificação de afronta a texto constitucional, sob pena de usurpação da competência atribuída ao STF. Nesse sentido: (AgInt nos EREsp n. 1.082.463/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, DJe de 1º/2/2019) (1) Omissão Verifique-se que devidamente esclarecidas as razões de decidir pelo Tribunal de origem, não se configurando o alegado vício. Confira-se: Não há qualquer omissão no acórdão embargado. A Turma Julgadora externou de forma clara os fundamentos da decisão proferida. Restou expressamente assentado que incide o disposto no inciso II do art. 4º da Lei Estadual 11.608/2003, segundo o qual o preparo é calculado a partir do valor da causa. Mas não é necessário. No mais, o aresto não padece de qualquer nulidade, pois devidamente fundamentado, à luz do disposto no art. 93, IX, da Constituição Federal. Se a embargante não concorda com o resultado proclamado, isso diz respeito ao mérito recursal. O que não pode é pretender invalidar uma decisão externada com a necessária fundamentação. (e-STJ, fl. 777) A jurisprudência desta Casa é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR DANO AMBIENTAL. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, §1º, DO NCPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. PRESCRIÇÃO. AJUIZAMENTO DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA QUE INTERROMPE O PRAZO PARA AS AÇÕES INDIVIDUAIS. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022, II, do NCPC (art. 535 do CPC/1973), não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 3. Os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado. 4. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do NCPC quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. 5. A citação válida em ação coletiva configura causa interruptiva do prazo de prescrição para o ajuizamento da ação individual. Precedentes. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.842.775/RS, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 1º/6/2022) Nessas condições, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Inaplicável ao caso a majoração de honorários. É o voto. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação nos termos do art. 1.026, § 2º, do CPC.