AREsp 3002836 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por vícios de admissibilidade: quanto à primeira controvérsia, falta de impugnação específica aos fundamentos do acórdão, atraindo a Súmula 284/STF; quanto às demais questões, ausência de prequestionamento conforme Súmula 211/STJ; ainda, não é cabível...
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- Parties
- Recorrente/agravante: LUCIO OLIVEIRA SOUSA; Recorrida/ré: Light
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Ônus Da Prova, Responsabilidade Objetiva Do Fornecedor, Perícia Metrológica, Cobrança Por Recuperação De Consumo, Negativação Creditícia
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Parties
LUCIO OLIVEIRA SOUSA
Recorrente/agravante
Light
Recorrida/ré
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial (juízo De Admissibilidade)
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 489, §1º, IV, CPC (fundamentação)
- 2 inépcia da petição inicial vs julgamento de mérito (art. 330, §1º, I, CPC)
- 3 direito à informação e inversão do ônus da prova (art. 6º, III e VIII, CDC)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial por vícios de admissibilidade: quanto à primeira controvérsia, falta de impugnação específica aos fundamentos do acórdão, atraindo a Súmula 284/STF; quanto às demais questões, ausência de prequestionamento conforme Súmula 211/STJ; ainda, não é cabível recurso especial para discutir interpretação de resolução normativa; e não foi comprovada divergência jurisprudencial nos termos regimentais, razão pela qual restou incabível o conhecimento do Recurso Especial. Por consequência majoraram-se os honorários advocatícios em 15%.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial (art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ)
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por LUCIO OLIVEIRA SOUSA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. DECLARATÓRIA C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZA TÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. COBRANÇA POR RECUPERAÇÃO DE CONSUMO. TOLS. DESNECESSÁRIA INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTES DA INSPEÇÃO. DOCUMENTO UNILATERALMENTE PRODUZIDO PELA CONCESSIONÁRIA QUE NÃO GOZA DE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA 256 TJRJ. HISTÓRICO QUE APONTA CONSUMO ÍNFIMO NO PERÍODO QUESTIONADO. IRREGULARIDADE COMPROVADA. LEGITIMIDADE DA CONDUTA DA RÉ. AUSÊNCIA DE DANO A SER REPARADO. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 489, § 1º, IV, do CPC, trazendo a seguinte argumentação: O artigo 489, §1º, inciso IV, do CPC exige que as decisões judiciais enfrentem os argumentos das partes. A sentença ignorou o artigo 590 da Resolução ANEEL nº 1.000/2021 e a Súmula 256 do TJRJ, transcritos na petição inicial (index 60910816), enquanto o acórdão considerou "desinfluente" a ausência dos TOIs, sem justificar a dispensa dos requisitos regulatórios. Essa omissão configura ausência de fundamentação, violando o dispositivo. (fls. 295). Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 330, § 1º, I, do CPC, trazendo a seguinte argumentação: A sentença de primeira instância considerou a petição inicial "confusa" e "precária", mas julgou o mérito improcedente. Nos termos do artigo 330, §1º, inciso I, do CPC, a inépcia da petição inicial enseja a extinção do processo sem resolução do mérito, não a improcedência. A decisão viola o dispositivo ao adotar fundamentação incompatível com a realidade processual, configurando erro de procedimento que prejudicou o Recorrente. (fls. 293). Quanto à terceira controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 6º, III e VIII, do CDC. Argumenta o seguinte: O artigo 6º, inciso III, do CDC assegura o direito à informação clara e adequada, enquanto o inciso VIII prevê a inversão do ônus da prova. O acórdão presumiu que o Recorrente recebeu cópias dos TOIs por ter interposto recurso administrativo, ignorando que o site da Light permite recursos a qualquer momento, sem relação com a emissão de TOIs. A ausência dos TOIs nos autos, conforme destacado no REsp 1.196.429/SP, impede o exercício do contraditório, violando o direito à informação e à defesa. (fls. 294). Quanto à quarta controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 14 do CDC, trazendo a seguinte argumentação: O artigo 14 do CDC estabelece a Responsabilidade Objetiva do fornecedor por falhas na prestação de serviços. A Light, ao imputar fraude sem anexar os TOIs ou realizar perícia metrológica, incorreu em falha grave, causando prejuízo ao Recorrente, inclusive com negativação indevida. O acórdão, ao validar a cobrança sem prova, desrespeitou a responsabilidade objetiva, configurando violação ao dispositivo. (fls. 294). Quanto à quinta controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 373, II, do CPC. Argumenta o seguinte: Nos termos do artigo 373, inciso II, do CPC, cabia à Light comprovar a regularidade da medição e a existência da fraude. A sentença e o acórdão presumiram a regularidade de TOIs não anexados, sem perícia técnica, transferindo ao Recorrente o ônus de provar fato negativo (ausência de fraude). A decisão contraria a Súmula 256 do TJRJ, que nega presunção de legitimidade aos TOIs, e o REsp 1.196.429/SP, que exige prova técnica nos autos. (fls. 294). Quanto à sexta controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 590 da Resolução ANEEL n. 1.000/2021. Argumenta: O artigo 590 da Resolução ANEEL nº 1.000/2021 exige, para caracterização de irregularidade: (i) emissão do TOI; (ii) perícia metrológica, quando necessária; (iii) relatório técnico; e (iv) avaliação do histórico de consumo. A sentença e o acórdão consideraram suficiente o histórico de consumo ínfimo, ignorando a ausência de perícia e dos TOIs nos autos, contrariando a norma regulatória. (fls. 295). Quanto à sétima controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao Tema 699 do STJ, no que concerne, trazendo a seguinte argumentação: O Tema 699 do STJ exige: (i) Procedimento administrativo com contraditório; (ii) Cobrança limitada aos 90 dias anteriores à constatação; e (iii) Proibição de corte de energia para débitos superiores a 90 dias. O acórdão violou esses parâmetros ao considerar válida a cobrança sem comprovação de procedimento administrativo e sem limitar o período de recuperação (ex.: TOI nº 10350494 abrange 06/2019 a 05/2022, ultrapassando os 90 dias). (fls. 295). Quanto à oitava controvérsia, a parte recorrente aponta a necessidade de fixação de indenização por danos morais, porquanto a Light promoveu a negativação indevida do seu nome. Aduz: O provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido, declarando a nulidade dos TOIs e das cobranças por recuperação de consumo, com a devolução em dobro dos valores pagos (artigo 42, parágrafo único, do CDC) e a condenação da Light ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 20.000,00, em razão da negativação indevida; (fls. 297). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Por fim e sem prejuízo, diga-se que o artigo 489 §1º, IV do Código de Processo Civil somente determina o enfretamento de questão que, por si só, possa comprometer a ratio adotada pelo julgador, o que não se verifica no caso em comento. (fls. 285). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados:AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Quanto à segunda, à terceira, à quarta, à quinta, à sexta, à sétima e à oitava controvérsias, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo Tribunal a quo, não obstante oposição de embargos declaratórios, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 211/STJ" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.738.596/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, ;DJEN de 26/3/2025). Na mesma linha: "A alegada violação ao art. 489, § 1º, I, II, III e IV, do CPC não foi examinada pelo Tribunal de origem, nada obstante a oposição de embargos de declaração. Logo, incide a Súmula n. 211/STJ, porquanto ausente o indispensável prequestionamento" (AgInt no AREsp n. 2.100.337/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: EDcl nos EDcl no AgRg no AREsp n. 2.545.573/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.466.924/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AREsp n. 2.832.933/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/3/2025; AREsp n. 2.802.139/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AREsp n. 1.354.597/PR, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.073.535/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.623.773/GO, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgRg no REsp n. 2.100.417/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 10/3/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.569.581/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.503.989/MG, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 27/2/2025. Quanto à sexta controvérsia, na espécie, não é cabível a interposição de Recurso Especial fundado na violação ou interpretação divergente de resolução, ato normativo secundário que não está compreendido no conceito de lei federal. Nesse sentido: ;"O recurso não comporta con hecimento no tocante à tese de omissão quanto à análise do disposto no art. 163 da Resolução Normativa n. 414/2012, pois as resoluções, portarias e instruções normativas não se enquadrava no conceito de lei federal constante do art. 105, inciso III, da Constituição da República" (AgInt no AREsp n. 2.569.035/RS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg no AREsp n. 2.829.916/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.673.275/AL, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.628.976/PB, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.740.046/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.170.990/DF, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 17/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.697.630/BA, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.551.761/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no REsp n. 2.079.128/PR, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 29/8/2024. Quanto à sétima controvérsia, não é cabível o Recurso Especial quando se busca analisar a violação ou a interpretação divergente de norma diversa de tratado ou lei federal. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp n. 2.126.160/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 4/9/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.518.816/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 22/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.461.770/TO, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 29/2/2024; AgInt no AREsp n. 1.565.020/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no REsp n. 1.832.794/RO, relator Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.425.911/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 15/10/2019; AgInt no REsp n. 1.864.804/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 7/6/2021. Quanto à oitava controvérsia, por sua vez, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26.8.2020.) Na mesma linha: "Considera-se deficiente de fundamentação o recurso especial que não indica os dispositivos legais supostamente violados pelo acórdão recorrido, circunstância que atrai a incidência, por analogia, do enunciado nº 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal" (REsp n. 2.187.030/RS, Rel. ;Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 5/3/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.663.353/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 1.075.326/SP, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgRg no REsp n. 2.059.739/MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 24/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.787.353/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 17/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.554.367/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 23/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.699.006/MS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Por fim, quanto à primeira, à segunda, à terceira, à quarta, à quinta, à sexta, à sétima e à oitava controvérsias, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, porquanto não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20.5.2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: ;AgInt no AREsp n. 2.100.337/MG, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; REsp 1.575.943/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, ;Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA