AREsp 2997283 - DECISAO
Não conheço do agravo em recurso especial porque os agravantes não refutaram adequadamente os fundamentos da decisão agravada (incidência das Súmulas 7 e 83/STJ) nem atenderam ao requisito de impugnação específica exigido pela Súmula 182/STJ, de modo que a Corte não pode ultrapassar o juízo de admissibilidade para...
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- Parties
- Agravante: JENNIFER KETHLEN DO PRADO SILVA; Agravante: WALLACE CRISTIAN DO PRADO SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial (inadmissão).
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Crimes Previstos Na Lei Nº 11.343/06, Tráfico Privilegiado, Associação Para O Tráfico
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Parties
JENNIFER KETHLEN DO PRADO SILVA
Agravante
WALLACE CRISTIAN DO PRADO SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por incidência das Súmulas 7 e 83/STJ
- 2 necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ)
- 3 distinção entre reexame de provas e valoração jurídica das provas
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo em recurso especial porque os agravantes não refutaram adequadamente os fundamentos da decisão agravada (incidência das Súmulas 7 e 83/STJ) nem atenderam ao requisito de impugnação específica exigido pela Súmula 182/STJ, de modo que a Corte não pode ultrapassar o juízo de admissibilidade para apreciar o mérito.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial (inadmissão).
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por JENNIFER KETHLEN DO PRADO SILVA e WALLACE CRISTIAN DO PRADO SILVA contra decisão que não admitiu recurso especial (fls. 730/733). No recurso especial inadmitido, apontou violação aos artigos 202, 214 e 381, III, do Código de Processo Penal, bem como ao artigo 33, § 4º, e artigo 35, ambos da Lei nº 11.343/06. Pleiteou a absolvição de Jennifer Kethlen do Prado Silva dos delitos previstos nos artigos 33, caput, e 35, caput, da Lei nº 11.343/06, ou, subsidiariamente, a absolvição do crime de associação para o tráfico (art. 35, caput, da Lei nº 11.343/06) e o reconhecimento do tráfico privilegiado, com aplicação da causa de redução de pena prevista no artigo 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, no patamar máximo, além da aplicação do regime aberto ou semiaberto e substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos (fls. 740/741). E a absolvição de Wallace Cristian do Prado Silva do delito previsto no artigo 35, caput, da Lei nº 11.343/06, com o reconhecimento da causa de redução de pena prevista no artigo 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, no patamar máximo, além da aplicação do regime aberto ou semiaberto e substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos (fls. 740/741). O recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 731/732), ao que se seguiu a interposição de agravo (fls. 736/741). Os agravantes alegam que o recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, sustentando que a decisão agravada não analisou adequadamente a valoração jurídica das provas e que a matéria discutida é de ordem pública, podendo ser analisada em qualquer grau de jurisdição. Argumentam, ainda, que não se trata de reexame de provas, mas de valoração jurídica, e que houve violação aos dispositivos legais apontados no recurso especial (fls. 737/741). Rem etidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se (e-STJ, fls. 767/772). É o relatório. Decido. O Tribunal inadmitiu o recurso especial pela incidência das Súmulas 7 e 83, ambas do ST J. Por outro lado, os agravantes não refutaram em sede de agravo em recurso especial, adequadamente, os referidos fundamentos. Esta Corte firmou o entendimento de que, "quando o inconformismo excepcional não é admitido pela instância ordinária, com fundamento no enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, a impugnação deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida"(AgRg no AREsp 709.926/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 28/10/2016, grifou-se), o que não ocorreu no caso destes autos. Ademais, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local. Ilustrativamente: "PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL, NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. PEDIDO DE CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. BUSCA VEICULAR. EXISTÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Na decisão recorrida, não se conheceu do agravo pela incidência da Súmula 182/STJ, porquanto não atacados os fundamentos erigidos pela Corte local para inadmitir o recurso especial: deficiência de cotejo analítico e Súmulas 7 e 83 do STJ. 2. Nas razões do agravo em recurso especial, a parte deixou de combater, de forma adequada, esses óbices. Limitou-se a reprisar exatamente as mesmas questões meritórias trazidas no recurso especial. 3. "Para afastar a aplicação da Súmula 7 do STJ, não é bastante a mera afirmação de sua não incidência, devendo a parte apresentar argumentação suficiente a fim de demonstrar que, para o STJ mudar o entendimento da instância de origem sobre a questão suscitada, não é necessário reexame de fatos e provas da causa." (AgRg no AREsp 1.713.116/PI, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 8/8/2022). 4. A superação da Súmula 83/STJ exige demonstração de divergência estabelecida entre o entendimento adotado pelo Tribunal e a jurisprudência do STJ, com indicação de precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, o que não ocorreu. 5. Esta Corte pacificou orientação de que a ausência de efetivo ataque a um dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, na origem, impede o conhecimento do agravo, nos termos da Súmula 182 do STJ. 6. Constatada a justa causa para a busca veicular, não há flagrante ilegalidade a ser corrigida de ofício por esta Corte. 7. Agravo regimental desprovido." (AgRg no AREsp n. 2.410.763/MT, relator Ministro João Batista Moreira (Desembargador Convocado do Trf1), Quinta Turma, julgado em 3/10/2023, DJe de 6/10/2023.) A Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA