AREsp 2950386 - DECISAO
O agravo não foi conhecido por violar o princípio da dialeticidade, pois a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, não demonstrou adequadamente o dissídio jurisprudencial e não indicou de forma concreta quais pontos do acórdão seriam matéria de direito puro, sendo, portanto,...
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- Parties
- Agravante: TEREZA ANIZIA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento/inadmissibilidade Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- agravo não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Honorários Advocatícios
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
TEREZA ANIZIA DOS SANTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento/inadmissibilidade Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada (princípio da dialeticidade)
- 2 necessidade de demonstração da similitude fática e cotejo analítico para configuração de dissídio jurisprudencial
- 3 impropriedade de alegações constitucionais genéricas como fundamento para recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido por violar o princípio da dialeticidade, pois a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, não demonstrou adequadamente o dissídio jurisprudencial e não indicou de forma concreta quais pontos do acórdão seriam matéria de direito puro, sendo, portanto, mantida a inadmissibilidade do recurso conforme art. 932, III, do CPC/2015 e súmulas pertinentes; determinou-se ainda majoração de honorários em 2% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo.
- Majorar os honorários advocatícios em 2% sobre o valor já fixado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por TEREZA ANIZIA DOS SANTOS contra decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em embargos de terceiro. Em juízo de admissibilidade, a Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de origem negou seguimento ao reclamo, fundamentando a inadmissibilidade em quatro pontos principais: (i) alegação de violação a normas constitucionais inadequada para recurso especial; (ii) fundamentação adequada do acórdão recorrido, afastando violação ao art. 489, §1º, do CPC; (iii) ausência de demonstração da violação aos arts. 3º, 4º, 6º, 9º, 11, 506, 674 e 677 do CPC, com incidência da Súmula 7/STJ; e (iv) falta de demonstração de similitude jurisprudencial e ausência de juntada dos precedentes originários da Súmula 375/STJ. Nas razões do agravo em recurso especial, a recorrente sustenta: (a) tempestividade do recurso; (b) violação aos dispositivos legais mencionados; (c) divergência jurisprudencial; (d) impropriedade da aplicação da Súmula 7/STJ; e (e) invasão de competência pelo tribunal a quo. Contraminuta apresentada. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. As razões de agravo violam o princípio da dialeticidade. Infere-se das razões do agravo que a insurgência da parte recorrente quanto ao juízo de admissibilidade realizado na origem não refutou adequadamente todos os fundamentos da decisão agravada, especificamente nos pontos que seguem analisados. 1.1 Alegação de violação a normas constitucionais A decisão agravada foi expressa ao consignar que "a assertiva de ofensa a dispositivos constitucionais não serve de suporte à interposição de recurso especial por fugir às hipóteses versadas no art. 105, III e respectivas alíneas, da Constituição da República." Deveras, o agravante limitou-se a reiterar as citações constitucionais presentes no recurso especial, sem demonstrar especificamente como tais dispositivos serviriam de fundamento infraconstitucional para as violações alegadas. A mera invocação de preceitos constitucionais, sem demonstração de sua correlação direta com as normas infraconstitucionais supostamente violadas, não supre a deficiência apontada pelo tribunal de origem. 1.2 Dissídio jurisprudencial A decisão agravada foi expressa ao consignar que "não ficou demonstrada na peça recursal a similitude de situações com soluções jurídicas diversas entre os Vv. Acórdãos recorrido e paradigma" e a "falta de cotejo analítico entre o V. Acórdão recorrido e os precedentes". Com efeito, o agravante não logrou demonstrar adequadamente a configuração do dissídio jurisprudencial alegado. Para a caracterização da divergência jurisprudencial é indispensável a demonstração da similitude fática entre os casos confrontados, bem como a realização de cotejo analítico que identifique as soluções jurídicas diversas para situações idênticas ou semelhantes. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE ÊXITO. RESCISÃO IMOTIVADA. ARTS. 1.022 E 489 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015 . OMISSÃO. AUSÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. .. 5. A divergência jurisprudencial com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ, exige comprovação e demonstração, esta, em qualquer caso, com a transcrição dos trechos dos arestos que configurem o dissídio, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não sendo bastante a simples transcrição de ementas sem o necessário cotejo analítico a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.020.560/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 5/12/2022, DJe de 9/12/2022.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DE OBRA. DANOS MORAIS. DESCARACTERIZAÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme o entendimento desta Corte Superior, "a mera transcrição de ementas de acórdão e/ou trechos isolados de voto, não caracteriza o cotejo analítico, inviabilizando-se, por consequência, a abertura da via especial, pelo dissídio jurisprudencial" (AgInt no AREsp n. 1.835.604/SP, relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/8/2021, DJe de 26/8/2021), essa é a situação dos autos. .. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.114.811/BA, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 30/9/2022.) Inafastável, portanto, a ausência de demonstração adequada do dissídio jurisprudencial. 1.3 Aplicação da Súmula 7/STJ A decisão de inadmissibilidade consignou que "ao decidir da forma impugnada, a D. Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice, certo que as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame desses elementos." Com efeito, o agravante limitou-se a sustentar genericamente que as questões seriam "de direito", sem especificar concretamente quais trechos do acórdão recorrido tratariam de matéria jurídica pura, dissociada do conjunto fático-probatório. A alegação genérica de que não haveria revolvimento de provas, desacompanhada de demonstração específica, não elide o óbice apontado pelo tribunal de origem. 1.4 Deficiência global de dialeticidade A falta de ataque específico a todos os fundamentos da decisão agravada atrai, por analogia, o óbice contido na Súmula 182 desta Corte, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." Assim, o agravo em recurso especial que não afasta os fundamentos que levaram à não admissão do recurso não deve ser conhecido, nos termos do artigo 932, III, do CPC/15, que assim dispõe: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; É dever da parte agravante, à luz do princípio da dialeticidade, demonstrar o desacerto da decisão impugnada, atacando especificamente e em sua totalidade o seu conteúdo, nos termos do art. 932, III, do NCPC. Consoante jurisprudência desta Corte, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 26/11/2008). A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO COMBATIDA. ART. 932, III, DO CPC/2015. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE NÃO ATENDIDO. O agravo em recurso especial, interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial, que não impugna, especificamente, os fundamentos por ela utilizados não deve ser conhecido. (AgInt no AREsp 830.527/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 15/05/2017) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus do qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficientes alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. Para afastar o fundamento da decisão agravada de incidência do óbice da Súmula n. 5/STJ, não basta apenas deduzir alegação genérica de inaplicabilidade do referido óbice ou que a tese defensiva não demanda análise de cláusula contratual. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.103.654/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 5/9/2022.) Inafastável, portanto, o teor da Súmula 182/STJ. 2. Do exposto, não conheço do agravo. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA