AREsp 2996262 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e dialética, o fundamento da decisão que inadmitiu o recurso especial (ó bice da Súmula n. 7), incidindo a Súmula n. 182/STJ e o art. 932, III, do CPC, aplicáveis por analogia ao processo penal (art. 3º do CPP).
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- Parties
- Agravante: JOÃO FRANCISCO DE CAMPOS; Manifestante/parte: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Por Inadmissão Do Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prova Digital, Cadeia De Custódia, Súmula 7 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
JOÃO FRANCISCO DE CAMPOS
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante/parte
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Por Inadmissão Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula n. 7 do STJ e necessidade de impugnação específica dos fundamentos da inadmissão (Súmula 182/STJ)
- 2 questão sobre admissibilidade de prova digital e exigência de cadeia de custódia (arts. 158-A a 158-F do CPP)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e dialética, o fundamento da decisão que inadmitiu o recurso especial (ó bice da Súmula n. 7), incidindo a Súmula n. 182/STJ e o art. 932, III, do CPC, aplicáveis por analogia ao processo penal (art. 3º do CPP).
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por JOÃO FRANCISCO DE CAMPOS contra a decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional, em face de acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA na Apelação Criminal n. 5001025-92.2023.8.24.00721. Em suas razões o agravante sustenta, genericamente, a inaplicabilidade da Súmula n. 7 do STJ alegando que a controvérsia não exige reexame de fatos e provas, mas sim a análise de questão jurídica relativa à admissibilidade de prova digital no processo penal. Reitera as razões de mérito no sentido de que a condenação do agravante baseou-se em um print de ligação via WhatsApp e que não foi submetido aos procedimentos de cadeia de custódia previstos nos artigos 158-A a 158-F do Código de Processo Penal. Argumenta que a ausência de certificação técnica compromete a validade da prova digital, sendo esta uma questão de direito estrito, que não demanda revaloração probatória. Requer o conhecimento do presente agravo para que seja admitido o recurso especial (fls. 275-279). Contrarrazões às fls. 285-287 e 293-296. O Ministério Público Federal manifesta-se pelo não conhecimento do recurso especial (fls. 316-321). É o relatório. Decido. O cotejo entre a decisão de inadmissibilidade e as razões do presente agravo revela a ausência de impugnação efetiva ao fundamento adotado para inadmissão do recurso especial, qual seja, o óbice da Súmula n. 7. Com efeito, a parte deixou de impugnar o referido fundamento de inadmissibilidade da decisão agravada, limitando-se a reiterar as teses de mérito do recurso especial. O agravante deixou de esclarecer, por meio do cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, de que forma o conhecimento da insurgência dispensaria o revolvimento probatório. A propósito: São insuficientes, para rebater a incidência da Súmula n. 7 do STJ, assertivas genéricas de que a apreciação do recurso não demanda reexame de provas. O agravante deve demonstrar, com particularidade, que a alteração do entendimento adotado pelo Tribunal de origem independe da apreciação fático-probatória dos autos (AgRg no AREsp n. 2.176.543/SC. Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 21/03/2023, DJe de 29/09/2023). Sobre o tema, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça pacificou a seguinte orientação: A falta de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial obsta o conhecimento do agravo, nos termos dos arts. 932, III, do CPC, e 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula 182 do STJ, aplicável por analogia (AgRg no AREsp 2.225.453/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023; AgRg no AREsp 1.871.630/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/2/2023). Conclui-se, portanto, que o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade, uma vez que deixou de impugnar, de forma dialética, o fundamento da decisão que, na origem, ensejou a inadmissão do recurso especial, o que faz incidir a Súmula n. 182/STJ e o comando do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável à seara processual penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. Cito, nesse sentido, os seguintes acórdãos: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS.AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA.SÚMULA 182, STJ. PRETENSÃO DE ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA.SÚMULA N. 7, STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. AFASTAMENTO DA VALORAÇÃO DAQUANTIDADE DE ENTORPECENTES NA PRIMEIRA FASE DA DOSIMETRIA.IMPOSSIBILIDADE. QUANTIDADE RELEVANTE DE DROGAS. CONSONÂNCIA COM OENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA N. 83, STJ. DESPROVIMENTO DOAGRAVO REGIMENTAL. I - A ausência de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do recurso por violação ao princípio da dialeticidade, sendo insuficientes as assertivas de que todos os requisitos de admissibilidade foram preenchidos. Incidência da Súmula n. 182, STJ. Precedentes. II - A pretensão esbarra, ainda, no óbice da Súmula n. 7, STJ, não cabendo a esta Corte Superior reexaminar o conjunto fático-probatório dos autos ,por ser inviável nesta via estreita. III - A questão julgada pelo Tribunal de origem está em conformidade com a orientação do Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula 83, STJ. Agravo regimental desprovido (AgRg no AREsp n. 2.3 64.703/PR, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 3/10/2023, DJe de 11/10/2023 - grifamos). Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA