AREsp 2777153 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante não rebateu adequadamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, notadamente quanto à incidência das Súmulas n. 83 do STJ e n. 283 do STF, e não cumpriu o ônus de impugnar de forma específica e detalhada todos os motivos de fato e de direito,...
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- Parties
- Agravante: CLAUDINEI KEHL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade
- Outcome
- Não conhecido o agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula N. 83 Do STJ, Súmula N. 283 Do STF, Súmula N. 182 Do STJ, Dosimetria Da Pena, Aumento De Pena Por Quantidade De Droga (art. 42 Lei N. 11.343/2006), Lavagem De Dinheiro, Continuidade Delitiva, Bis in Idem, Princípio Do Non Reformatio in Pejus
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Parties
CLAUDINEI KEHL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Inadmissibilidade
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula n. 83 do STJ como óbice à admissibilidade do recurso especial
- 2 incidência da Súmula n. 283 do STF como óbice à admissibilidade
- 3 necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante não rebateu adequadamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, notadamente quanto à incidência das Súmulas n. 83 do STJ e n. 283 do STF, e não cumpriu o ônus de impugnar de forma específica e detalhada todos os motivos de fato e de direito, nos termos da Súmula n. 182/STJ; com base no art. 932, III, do CPC c/c art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, decidiu-se pelo não conhecimento do agravo.
Court Disposition
Não conhecido o agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO CLAUDINEI KEHL agrava da decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a" e "c", da CF, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná na Apelação Criminal n. 0006764-96.2015.8.16.0117. Consta dos autos que o agravante foi condenado a 28 anos, 9 meses e 13 dias de reclusão, em regime inicial fechado, mais multa, pela prática dos crimes previstos nos arts. 33, 35, 36, 40, V, todos da Lei n. 11.343/2006 e 1º, § 4º, da Lei n. 9.613/1998. A defesa aduz, em síntese, violação dos arts. 42 da Lei n. 11.343/2006 e 59 do CP, e postula o afastamento da causa de aumento e a reforma da dosimetria da pena em relação ao delito de lavagem de dinheiro (fls. 11.239-11.254). Apresentadas as contrarrazões, a Corte de origem não admitiu o recurso especial (fls. 11.286-11.292), em razão dos óbices previstos nas Súmulas n. 7 e 83 do STJ, 283 do STF e pela impossibilidade de admissão por divergência jurisprudencial, o que ensejou a interposição deste agravo (fls. 11.331-11.349). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do recurso (fls. 11.690-11.715). Decido. O agravo é tempestivo, mas não infirmou adequadamente todas as motivações lançadas na decisão de inadmissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece conhecimento. No caso, o agravante não rebateu adequadamente os fundamentos relacionados à incidência da Súmula n. 83 do STJ quanto às seguintes teses: a) dosimetria da pena - circunstâncias; b) aumento da pena em razão da quantidade de drogas - art. 42 da Lei n. 11.343/2006; c) fração relativa à continuidade delitiva. Também não rebateu adequadamente o óbice da Súmula n. 283 do STF, tendo em vista que a decisão que inadmitiu o recurso neste aspecto assim asseverou (fl. 11.291): "E mais, forçoso reconhecer a subsistência de fundamentos inatacados pelo Recorrente (quais sejam - não há como se falar em caracterização de "bis in idem" na referida valoração negativa, haja vista que os delitos de tráfico de drogas e de associação para o tráfico, se tratam de crimes autônomos; e a observância ao princípio do "non reformatio in pejus"), aptos a manter a conclusão do aresto impugnado", o que não foi rebatido pelo agravante. Com relação ao seguinte argumento da Corte estadual: "Por fim, salienta-se, ainda, que "o recurso especial também não pode ser conhecido com fundamento em divergência jurisprudencial, porquanto prejudicado dada a impossibilidade de análise da mesma tese desenvolvida pela alínea a do permissivo constitucional pela incidência de óbices de admissibilidade" (AgInt no REsp n. 1.912.329/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 17/2/2023)", também não se insurgiu adequadamente o agravante. É c onsolidado o entendimento deste Superior Tribunal de que para impugnar o óbice da Súmula n. 83, a parte deve demonstrar que os precedentes citados na decisão agravada não se aplicavam ao caso, ou trazer precedentes contemporâneos ou supervenientes que apontem orientação em sentido oposto ou divergência jurisprudencial, o que não foi feito adequadamente. Ilustrativamente: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É inviável o agravo em recurso especial que deixa de impugnar todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo extremo, incidindo, na espécie, o teor da Súmula n.182/STJ. 2. Na hipótese em que se pretende impugnar a incidência da Súmula n. 83 do STJ, deveria a parte agravante demonstrar que os precedentes indicados na decisão agravada não se aplicavam ao caso, ou então trazer precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, de forma a demonstrar que outra é a orientação jurisprudencial nesta Corte Superior, ou, que a divergência é atual, o que deixou de fazer (AgInt no AREsp 885.406/MS, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO,TERCEIRA TURMA, julgado em 20/3/2018, DJe 3/4/2018). .. (AgRg no AREsp n. 1.620.996/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 4/5/2020) Portanto, verifica-se que o agravante não rebateu, com particularidade, todos os óbices de admissão do REsp. Assim, é inegável que a defesa não se desincumbiu do ônus de expor integral, específica e detalhadamente os motivos de fato e de direito por que entende incorreta a decisão agravada, a atrair, à espécie, a Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". À vista do exposto, com fundamento no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA