AREsp 3015730 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque os agravantes não impugnaram de forma específica e adequada a incidência da Súmula n. 7 do STJ, limitando-se a alegação genérica de que não seria necessário o revolvimento de matéria fático-probatória; assim aplicou-se a Súmula n. 182 do STJ, por ausência de impugnação...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: IGOR GILLER DOS SANTOS; Agravante: AMEXSANE DE ANGELIS RAFAEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Interposto Contra Decisão De Relator Que Não Conheceu Do Agravo Em Recurso Especial (aplicação Da Súmula N. 182 Do Stj)
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica, Súmula N. 182 Do STJ, Súmula N. 7 Do STJ, Súmula N. 283 Do STF, Reexame De Prova, Ilegalidade Da Prova Decorrente De Ordem De Serviço
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
IGOR GILLER DOS SANTOS
Agravante
AMEXSANE DE ANGELIS RAFAEL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Interposto Contra Decisão De Relator Que Não Conheceu Do Agravo Em Recurso Especial (aplicação Da Súmula N. 182 Do Stj)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula n. 182 do STJ pela ausência de impugnação específica de fundamentos da decisão agravada
- 2 necessidade de reexame de prova (Súmula n. 7 do STJ) como motivo de inadmissibilidade do recurso especial
- 3 deficiência na fundamentação do recurso (Súmula n. 283 do STF)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque os agravantes não impugnaram de forma específica e adequada a incidência da Súmula n. 7 do STJ, limitando-se a alegação genérica de que não seria necessário o revolvimento de matéria fático-probatória; assim aplicou-se a Súmula n. 182 do STJ, por ausência de impugnação específica de parte dos fundamentos da decisão agravada.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE PARTE DOS FUNDAMENTOS ESPECÍFICOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. É ônus do agravante impugnar as causas específicas de inadmissão do recurso especial, sob pena de incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Nas razões do agravo em recurso especial, os agravantes deixaram de impugnar parte dos fundamentos invocados pelo Tribunal a quo para obstar o prosseguimento do recurso especial. 3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO IGOR GILLER DOS SANTOS E AMEXSANE DE ANGELIS RAFAEL interpõem agravo regimental contra decisão de minha relatoria, em que não conheci do agravo em recurso especial, em razão do enunciado na Súmula n. 182 do STJ. A defesa alega, em síntese, que, ao contrário do que afirmado, todos os fundamentos invocados para não admitir o recurso especial foram devidamente impugnados no agravo em recurso especial. No mais, basicamente reitera a sua compreensão de que "é ilícita a prova decorrente de "ordem de serviço" determinando que investigadores de polícia "vasculhem" os celulares apreendidos, como no presente caso" (fl. 575). Requer, assim, a reconsideração do decisum anteriormente proferido ou a submissão do feito a julgamento pelo órgão colegiado, para que, em suma, sejam acolhidas as teses aventadas no apelo especial. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE PARTE DOS FUNDAMENTOS ESPECÍFICOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. É ônus do agravante impugnar as causas específicas de inadmissão do recurso especial, sob pena de incidência da Súmula n. 182 do STJ. 2. Nas razões do agravo em recurso especial, os agravantes deixaram de impugnar parte dos fundamentos invocados pelo Tribunal a quo para obstar o prosseguimento do recurso especial. 3. Agravo regimental não provido. VOTO Em que pesem os argumentos despendidos pela defesa, entendo que não lhe assiste razão. O Tribunal a quo obstou o prosseguimento do recurso especial pelos seguintes fundamentos: a) deficiência na fundamentação do recurso (Súmula n. 283 do STF); b) necessidade de reexame de prova (Súmula n. 7 do STJ). Todavia, os agravantes, nas razões do agravo em recurso especial, não impugnaram, de maneira adequada, a apontada incidência da Súmula n. 7 do STJ, limitando-se a afirmar, en passant, que "os elementos apontados nas razões recursais para amparar a tese defensiva foram integralmente apreciados pelos E. Desembargadores, constando expressamente no V. Acórdão e na Sentença de piso, o que possibilita não só sua análise, mas a revaloração jurídica da questão, sem qualquer necessidade de revolvimento fático probatório dos autos, prequestionada todas as questões suscitadas" (fl. 490). Contudo, em nenhum momento, desenvolveram, com um mínimo de profundidade, as razões pelas quais, na visão da defesa, a pretensão de alterar o que já pelas instâncias ordinárias não demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória. Assim, entendo irretocável a conclusão do decisum ora agravado, ao haver aplicado o enunciado na Súmula n. 182 do STJ, in verbis: É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Essa, aliás, também foi a compreensão do Ministério Público Federal, que, em seu parecer, assim se manifestou, no que interessa (fl. 554): O agravo, entretanto, não merece ser conhecido, a teor do art. 932, III, do CPC, pois não houve impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial. A propósito, é consagrada a jurisprudência firmada na Corte segundo a qual " a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, não admitiu o recurso especial" (AgRg no AREsp n. 1.949.904/GO, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 10/6/2022). Com efeito, ao se valerem de alegação genérica relativa aos conceitos de reexame e de revaloração probatória, os agravantes não se desincumbiram do ônus de demonstrar que, efetivamente, a insurgência não demandaria o revolvimento de provas, notadamente diante do pleito absolutório veiculado no recurso especial, tendente a modificar as premissas fáticas do acórdão e a fragilizar o arcabouço probatório dos autos. Saliento, por oportuno, que, consoante o entendimento da Corte Especial do STJ, a decisão que inadmite o recurso especial não pode ser impugnada parcialmente (EAREsp n. 746.775/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Rel. p/ acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, DJe 30/11/2018).Segundo o entendimento que prevaleceu (do Ministro Salomão), não há diversos capítulos no decisum que inadmitiu o recurso especial, que é formado por um único dispositivo, qual seja, o da inadmissão do recurso: "A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo". O ministro sustentou, categoricamente, que "a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade", sob pena de incidência do enunciado na Súmula n. 182 do STJ. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.