AREsp 1219751 - DECISAO
Não conheço do agravo porque a parte agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial, e porque o Tribunal a quo atuou dentro de sua competência ao avaliar os pressupostos de admissibilidade, tendo constatado consonância do acórdão...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Celso Bedin; Agravante: outro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
- Outcome
- não conheço do agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Súmula 123/stj, Coisa Julgada, Jurisprudência Pacífica, Competência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Celso Bedin
Agravante
outro
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo
Legal Issues
- 1 se o Tribunal a quo usurpou competência do STJ ao analisar o mérito do recurso especial
- 2 se o agravo impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada
- 3 aplicabilidade da Súmula 7/STJ quanto à necessidade de reexame de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo porque a parte agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial, e porque o Tribunal a quo atuou dentro de sua competência ao avaliar os pressupostos de admissibilidade, tendo constatado consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência pacífica do STJ; aplicam-se, portanto, as Súmulas 123 e 182/STJ.
Court Disposition
não conheço do agravo
Orders
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Celso Bedin e outro, desafiando decisão da Presidência da Seção de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que não admitiu recurso especial com base nos seguintes fundamentos: (I) o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência pacífica do STJ sobre a matéria; (II) não ocorrência de violação aos dispositivos invocados como malferidos nas razões de recurso especial; (III) o recurso especial não impugnou fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido; e (IV) incidência da Súmula 7/STJ, tendo em vista a necessidade de reexame do contexto fático-probatório dos autos. Nas razões de agravo em recurso especial, a parte agravante sustenta, em síntese, que: (I) "Não compete ao Tribunal a quo analisar o mérito do recurso especial interposto desde que não seja para o exercício do juízo de retratação ou que o v. acórdão combatido esteja em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consoante redação do artigo 1.030 do Código de Processo Civil. In casu, dentre os pedidos formulados na exordial e objetos do Recurso Especial que ora se visa destrancar, a r. decisão guerreada demonstrou que tão somente um dos pedidos formulados restou indeferido com espeque em entendimento consonante com o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça, qual seja, a impossibilidade de tributação do ISSQN incidente sobre os serviços registrais e notariais nos termos do artigo 9º, do Decreto-Lei 406/68. No que tange aos demais pedidos abaixo novamente listados por extremo desvelo, a r. decisão combatida, data maxima venia, sequer os albergou." (fl.745); e (II) "da simples análise do teor dos pedidos formulados na exordial e que figuram como objeto do Recurso Especial interposto, é forçoso concluir que versam sobre matérias unicamente de direito, desprovidos de fatos e/ou provas, razão porque inaplicável a suscitada Súmula 7." (fl.746). No mais, a parte agravante reproduz as razões do recurso especial interposto às fls. 689/728, apontando, em síntese, violação aos arts. 1º da LC nº 116/2003, 505 do CPC/73, 52 da Lei nº 3.750/71 - Código Tributário Municipal de Santos, e 9º, §1º, do Decreto-Lei nº 406/68, eis que: (I) "a alegada coisa julgada material aproveita aos ora Agravantes, na medida em que restou declarada a inconstitucionalidade da tributação do ISSON sobre os serviços registrais e notariais exercidos no Município de Santos, conforme artigo 1º da Lei Complementar nº 116/2003, apontado como ofendido pelo v. acórdão guerreado, justamente os serviços que os Agravantes exercem na atualidade, e, portanto, estão encampados pelo manto da coisa julgada ao considerar a eficácia prospectiva do julgado das relações continuadas como é o caso do ISSQN." (fl.751); (II) "é de rigor a declaração de inexistência de relação jurídico tributária sobre os serviços de que se fala, em razão da r. sentença de fls. 122/127, confirmada pelo v. acórdão de fls. 128/135, que somente podem ser rescindidos mediante a noticiada ação rescisória, autos nº 0302615-07.2011.8.26.0000 (..)." (fl.757); "Os serviços prestados por delegação encontram-se fora do campo de incidência da norma tributária federal atinente ao ISSQN." (fl.758); (III) "salutar a declaração de inexistência de relação jurídica tributária havida entre os Agravantes e o Agravado no que concerne ao ISSQN Municipal, uma vez que o próprio Código Tributário de Santos, Lei nº 3.750/71, republicada em 10 de abril de 2005, contém previsão de não incidência do ISSQN sobre os serviços da União Federal, Estados, Distrito Federal e outros Municípios" (fl.762); e (IV) "o princípio fundamental que rege a ordem econômica e financeira, qual seja, a livre concorrência, o que inclui a livre fixação dos preços, não se vislumbra na prestação de serviço por delegação dos notários e registradores, não havendo que se falar, portanto em caráter empresarial nessas atividades." (fl.773). É O RELATÓRIO. PASSO À FUNDAMENTAÇÃO. De início, impende ressaltar não possuir razão a parte agravante ao alegar que a instância de origem, ao realizar o juízo de admissibilidade do recurso especial, usurpou a competência do Superior Tribunal de Justiça. Isso porque, nos termos da Súmula 123/STJ ("A decisão que admite, ou não, o recurso especial deve ser fundamentada, com o exame dos seus pressupostos gerais e constitucionais."), é atribuição do Tribunal a quo, naquele momento processual, analisar os pressupostos específicos e constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia. Confiram-se, nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: RCDESP no AREsp 211.716/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA DJe 25/9/2012; AgRg no Ag 1.424.298/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 27/10/2011; AgRg no Ag 1.147.395/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe 12/11/2010; e AgRg no Ag 1.134.224/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe 2/2/2010. Passo seguinte, verifica-se que o inconformismo nem sequer ultrapassa a barreira do conhecimento, pois não foram impugnados todos os motivos adotados pelo Tribunal de origem para negar trânsito ao apelo especial, a saber, o fundamento de que o apelo raro não teria impugnado fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido, bem como aquele de que o entendimento do Tribunal de origem estaria em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria discutida nos autos. No caso, como o recurso especial foi inadmitido tendo por base o fundamento de que o acórdão recorrido se encontra em consonância com o entendimento desta Corte acerca da matéria controvertida, caberia à parte ora agravante demonstrar que o entendimento jurisprudencial não está pacificado no mesmo sentido do acórdão recorrido ou, ainda, que o precedente citado na decisão agravada não se aplicaria ao caso dos autos. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.254.077/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 11/11/2011. Logo, considerando que a parte agravante não rebateu, de modo específico, todos os fundamentos adotados pela decisão recorrida para negar trânsito ao apelo especial, incide, desse modo, a Súmula 182/STJ ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão recorrida."). Por fim, registre-se que essa foi a linha de entendimento recentemente confirmada pela Corte Especial do STJ, na assentada de 19 de setembro de 2018, ao julgar o EAREsp 701.404/SC e o EAREsp 831.326/SP (Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018), na qual se reforçou a compreensão de que o recorrente deve impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento do agravo, por aplicação da Súmula 182. ANTE O EXPOSTO, não conheço do agravo. Publique-se.