AREsp 1801125 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF (ausência de indicação precisa dos dispositivos legais e de acórdãos paradigmas), além de não restar comprovada divergência jurisprudencial quanto à alegada aplicação da Súmula 84 do STJ,...
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- Parties
- Agravante: MARIA SANTANA RAMOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Súmula 84/stj, Embargos De Terceiro, Registro Imobiliário
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Parties
MARIA SANTANA RAMOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF
- 2 ausência de indicação de acórdão paradigma impeditiva da demonstração de dissídio jurisprudencial
- 3 impossibilidade de cotejo analítico com súmula em substituição aos julgados que a originaram
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação nos termos da Súmula 284/STF (ausência de indicação precisa dos dispositivos legais e de acórdãos paradigmas), além de não restar comprovada divergência jurisprudencial quanto à alegada aplicação da Súmula 84 do STJ, o que impede o manejo do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MARIA SANTANA RAMOS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO IMÓVEIS VENDIDOS À AUTORA POR MEIO DE COMPROMISSOS DE COMPRA E VENDA NÃO REGISTRADOS E POSTERIORMENTE ALIENADOS A TERCEIRO DE BOAFÉ PARA QUE O COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA TENHA EFEITOS ERGA OMNES E NÃO MERAMENTE INTER PARTES MISTER SUA INSCRIÇÃO NO REGISTRO PÚBLICO O QUE NÃO SE VERIFICA EFICÁCIA DAS ESCRITURAS PÚBLICAS DE COMPRA E VENDA CELEBRADAS ENTRE OS RÉUS IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL RECURSO PROVIDO Quanto à controvérsia, aponta como paradigma a Súmula n. 84 do STJ, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Em que se pese o incontestável conhecimento do nobre relator, o qual prolatou a r. decisão sobre o v. acórdão, "data máxima venha" impõe-se a reforma da decisão exarada. Isto porque, consoante leciona a Súmula 84 do Superior Tribunal de Justiça, é admissivel o oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido de registro, como é o caso dos autos (fls. 323). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, pois, a despeito de ter sido apontada a alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente não indicou específica e expressamente o acórdão tido por paradigma, o que impede eventual análise da divergência de interpretações. Nessa linha: "Nas razões do recurso especial, não foram apresentados acórdãos paradigmas para a comprovação do alegado dissídio jurisprudencial a respeito da configuração do dano moral. Tal deficiência impede a abertura da instância especial, nos termos da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, aplicável, por analogia, neste Tribunal". (AgRg no AREsp 728.706/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 13/10/2015.) Vejam-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no AgRg no AREsp 1.019.207/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgRg no AREsp 545.856/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 19/2/2015; e AgRg no AREsp 431.782/MA, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/5/2014. Além disso, em relação à apontada Súmula 84 do STJ, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que "não é admissível a realização do cotejo analítico com súmula, mas apenas com os julgados que a originaram". (AgInt no REsp 1.681.656/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 27/6/2019.) Observem-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no REsp 1.293.337/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 29/11/2016; AgInt no AREsp 959.727/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 20/10/2016; e AgRg no AREsp 468.219/RS, relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, DJe de 13/6/2014. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.