AREsp 548867 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente suas decisões, não havendo omissão quanto ao art. 535, II do CPC/1973; o dispositivo invocado (art. 125, I) mostrou-se impertinente à matéria, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF; e não foi...
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- Parties
- Agravante: AREAL AREMINAS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Divergência Jurisprudencial, Negativa De Prestação Jurisdicional, Cerceamento De Defesa, Prova Testemunhal, Ação Reivindicatória
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Parties
AREAL AREMINAS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada violação dos arts. 125, I; 284, parágrafo único; 535, II do CPC/1973
- 2 divergência jurisprudencial não comprovada
- 3 alegação de negativa de produção de prova testemunhal e cerceamento de defesa
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente suas decisões, não havendo omissão quanto ao art. 535, II do CPC/1973; o dispositivo invocado (art. 125, I) mostrou-se impertinente à matéria, atraindo a aplicação da Súmula 284/STF; e não foi comprovada a divergência jurisprudencial nos termos exigidos pelos arts. 541, §único do CPC/73 e 255, §1º do RISTJ, além da observância do Enunciado 2 do Plenário do STJ quanto aos requisitos de admissibilidade.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto por AREAL AREMINAS LTDA, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REIVINDICATÓRIA -POSSE INJUSTA -A AÇÃO REIVINDICATÓRIA CABECONTRA AQUELE QUE NÃO TEM POSSE JUSTA DOIMÓVEL REIVINDICANDO EÉ DE SER JULGADAPROCEDENTE SE O REIVINDICANTE POSSUI TÍTULOPERFEITO DE PROPRIEDADE.NÃO HÁ CONFUNDIR, A NOÇÃO AMPLA DE POSSEINJUSTA A QUE ALUDE O CAPUT DO ART. 1.228 DOCÓDIGOCIVIL(CC/16,ART.524) COM OCONCEITO ESTRITO DE POSSE INJUSTA ESPELHADONO ART. 1.200 DO CC (ART. 489, CC/1916), POSTO QUE MAIS EXTENSA.A POSSE ATACADA NA AÇÃO REIVINDICATÓRIA ÉAQUELA QUE, MESMO OBTIDA PACIFICAMENTE, DESPIDA DE VIOLÊNCIA, CLANDESTINIDADE E PRECARIEDADE, SOBEJA DESAMPARADA DE CAUSA JURÍDICA EFICIENTE CAPAZ DE RESPALDAR A ATIVIDADE DO POSSUIDOR, OU SEJA, FALECE DE UM TÍTULO QUE A JUSTIFIQUE." (fl. 613) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 681/695). Opostos embargos infringentes, estes foram rejeitados, restando assim ementados: EMBARGOS INFRINGENTES. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. EXTRAÇÃO DE AREIA. DANOS MATERIAL E AMBIENTAL. . Evidenciada a ocorrência de danos material e ambiental oriundos da extração dá areia lavada em propriedade alheia,impõe-se o dever de indenizar os danos materiais daíadvindos, bem como o de reflorestar a área degradada." (fl. 733) Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação dos arts. 125, inciso I, 284, parágrafo único e 535, inciso II, do Código de Processo Civil de 1973, e divergência jurisprudencial, sustentando, em síntese: (a) negativa de prestação jurisdicional;(b) para acolhimento do pleito reivindicatório não é suficiente a simples descrição enunciativa dos limites do bem reivindicado, devendo haver a individualização da área; (c) houve cerceamento do direito de defesa da agravante com anegativa deprodução de prova testemunhal a fim de comprovar a prescrição aquisitiva, estabelecida como ponto controvertido no despacho saneador. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 1030). É o relatório. O presente recurso será examinado à luz do Enunciado 2 do Plenário do STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça". Não se vislumbra a alegada violação ao art. 535, inciso II, do Código de Processo Civil de 1973, na medida em que a eg. Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide, conforme se verá adiante. Impende ressaltar que "se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte" (AgRg no Ag 56.745/SP, Relator o eminente Ministro CESAR ASFOR ROCHA, DJ de 12.12.1994). Ademais, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o magistrado não está obrigado a se pronunciar sobre todos os pontos abordados pelas partes, mormente quando já tiver decidido a controvérsia sob outros fundamentos (EDcl no REsp 202.056/SP, 3ª Turma, Rel. Min. CASTRO FILHO, DJ de 21.10.2001). Com relação à alegada violação do art. 125, inciso I, do Código de Processo Civil de 1973, observa-se que o dispositivo apontado não guarda pertinência temática com a matéria discutida nas razões do recurso especial, uma vez que dizrespeito igualdade de tratamento entre as partes,e a parte recorrente se insurge contra a negativa de produção de prova a fim de comprovar a prescrição aquisitiva do imóvel, resultando em cerceamento de defesa do direito de defesa do agravante, sem se manifestar sobre eventualtratamento desigual dispensado à parte adversa,o que significa que não é capazde infirmar o aresto recorrido no ponto, incidindo, por analogia, o óbice da Súmula 284/STF. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. MARCA. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INPI. LEGITIMIDADE. NULIDADE DE REGISTRO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. SÚMULA N. 284 DO STF. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. REEXAME DE CONTEÚDO FÁTICOPROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. "Não há ilegitimidade passiva do Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI em ação ordinária que busca invalidar decisão administrativa proferida pela autarquia federal no exercício de sua competência de análise de pedidos de registro marcário, sua concessão e declaração administrativa de nulidade" (REsp n. 1.184.867/SC, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 15/5/2014, DJe 6/6/2014). 3. Incide a Súmula n. 284 do STF quando a fundamentação recursal alega violação de dispositivo legal cujo conteúdo jurídico é dissociado da tese defendida no recurso especial. 4. A simples indicação dos dispositivos legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, mesmo após a oposição de embargos declaratórios, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento. Incidência da Súmula n. 211/STJ. 5. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 6. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp 1753736/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 09/03/2020, DJe 16/03/2020, g.n.) "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. OMISSÃO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. IRRESIGNAÇÃO FORMULADA GENERICAMENTE. SÚMULA 284/STF. INCIDÊNCIA. VALOR INDENIZATÓRIO. REVISÃO DO CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. DATA DA CITAÇÃO. DPVAT. DEDUÇÃO DOS VALORES INDENIZATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PERTINÊNCIA TEMÁTICA. SÚMULA 284/STF. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. 1. Recurso especial que suscita negativa de prestação jurisdicional, nos termos do art. 1.022 do CPC/2015, sem indicar precisamente o ponto que supostamente estaria omisso, contraditório, obscuro ou com erro material, é deficiente em sua fundamentação e atrai a aplicação do óbice descrito na Súmula 284/STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ). 3. O Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de que o termo inicial dos juros de mora, nas indenizações por danos materiais e morais decorrentes de ilícito contratual, é a data da citação. 4. Na forma da jurisprudência, "a impertinência do dispositivo legal apontado como violado, no sentido de ser incapaz de infirmar o aresto recorrido, revela a deficiência das razões do recurso especial, fazendo incidir a Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"" (STJ, AgRg no AREsp 144.399/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 18/6/2012). 5.Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1343812/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI , QUARTA TURMA, julgado em 09/04/2019, DJe 12/04/2019, g.n.) O recurso também não merece prosperar pela alínea "c" do permissivo constitucional em razão do descumprimento do disposto nos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 e 255, § 1º, do RISTJ. Com efeito, para a caracterização da sugerida divergência jurisprudencial, não basta a simples transcrição de ementas. Devem ser mencionadas e expostas as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, sob pena de não serem atendidos, como na hipótese, os requisitos previstos nos mencionados dispositivos. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DA DEMANDADA. 1. Não há usurpação de competência quando o Tribunal de origem, no juízo de admissibilidade, procede a uma análise valorativa do mérito recursal, isso porque a decisão que inadmite o recurso especial deve ser fundamentada nos pressupostos gerais e constitucionais, devendo verificar se o acórdão recorrido violou ou negou vigência a dispositivo de lei federal. 2. Tampouco há, no caso em tela, violação ao artigo 535 do CPC/73, na hipótese em que o Tribunal de origem julga contrariamente aos interesses das partes, tendo enfrentado as questões relevantes que lhe foram submetidas, bem assim quando inexiste contradição interna no acórdão recorrido. 3. Nos termos dos artigos 541, parágrafo único, do CPC/73 e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, a indicação de divergência jurisprudencial demanda comprovação e demonstração, por meio da transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, apontando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não sendo suficiente a simples transcrição de ementas sem realizar o necessário cotejo analítico a fim de evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações. 4. Agravo regimental desprovido." (AgRg no AREsp 336.102/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 15/09/2016, DJe 22/09/2016, g.n.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se.