AREsp 1765447 - DECISAO
O agravo foi negado provimento porque o Tribunal de origem analisou e fundamentou adequadamente as questões relevantes, não havendo omissão apta a ensejar reforma; não houve prequestionamento quanto ao art. 1.013; e a pretensão de reexame do ônus da prova e das premissas fático-probatórias encontra óbice na Súmula...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: WANESSA MARCHON HANZAK; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Interposição Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Agravo negado provimento
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão E Fundamentação De Acórdão, Ônus Da Prova, Prequestionamento, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7 STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
WANESSA MARCHON HANZAK
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Interposição Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do acórdão quanto ao inadimplemento da cláusula contratual (cláusula 9.3)
- 2 Suposta violação dos arts. 1.022, 489 §1º IV, 373 I e 1.013 do CPC/2015
- 3 Prequestionamento de dispositivos não atendido (art. 1.013)
Ratio Decidendi
O agravo foi negado provimento porque o Tribunal de origem analisou e fundamentou adequadamente as questões relevantes, não havendo omissão apta a ensejar reforma; não houve prequestionamento quanto ao art. 1.013; e a pretensão de reexame do ônus da prova e das premissas fático-probatórias encontra óbice na Súmula 7/STJ, sendo certo que a parte autora não se desincumbiu do seu ônus probatório conforme art. 373, I, do CPC/2015. Além disso, foi determinada a majoração dos honorários advocatícios em 10% nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Agravo negado provimento
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Majoração dos honorários de advogado em 10% sobre o valor já arbitrado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites dos §§ 2º e 3º e eventual concessão da gratuidade da justiça
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO 1. Cuida-se de agravo interposto por WANESSA MARCHON HANZAK e OUTROcontra decisão que não admitiu o seu recurso especial, por sua vez manejado em face de acórdão proferido peloTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESFAZIMENTO DE NEGÓCIO JURÍDICO C/C PEDIDO INDENIZATÓRIO. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE CESSÃO DE DIREITOS AQUISITIVOS IMOBILIÁRIOS. ALEGAÇÃO DE FALHA DE INFORMAÇÃO CONSUBSTANCIADA EM PROJEÇÕES DE RENTABILIDADE QUE NÃO SE CONCRETIZARAM. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE AUTORA QUE NÃO MERECE ACOLHIDA. OS DEMANDANTES NÃO SE DESINCUMBIRAM DE COMPROVAR MINIMAMENTE OS FATOSCONSTITUTIVOS DE SEU DIREITO, A TEOR DO QUE PRECEITUA O ART. 373, I, DO CPC/15, NOTADAMENTE QUANTO OS DESCUMPRIMENTO DOS TERMOS CONTRATUAIS. ADEMAIS, É DE CURIAL SABENÇA QUE A PREVISIBILIDADE DE RENDIMENTOS NÃO TEM O CONDÃO DE VINCULAR OS RÉUS POR SE TRATAR DE INVESTIMENTO SUJEITO A VARIAÇÕES.RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, aponta a parte recorrente, além de dissídio jurisprudencial, ofensa ao disposto nos arts. 1.022, inciso II, 489, § 1º, inciso IV, 373, inciso I e 1.013 e incisos, do CPC de 2015. Defende ter havido omissão, já que o acórdão recorrido não teria se pronunciado acerca do inadimplemento da cláusula 9.3, que estabeleceu o pagamento de aluguel fixo mensal e este não ocorreu em nenhum mês, tornando a parte ora agravada inadimplente. Enfatiza que o julgador deve fundamentar suas decisões. Ressalta ter juntado aos autos os documentos comprobatórios de sua tese. É o relatório.DECIDO. 2. Inicialmente, observa-se que não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação do artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2.015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, o Tribunal de origem indicou adequadamente os motivos que lhe formaram o convencimento, analisando de forma clara, precisa e completa as questões relevantes do processo e solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em prestação jurisdicional lacunosa ou deficitária apenas pelo fato de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão do recorrente. 3. Também não se verifica a alegada vulneração do artigo 489, § 1º, inciso IV, do Código de Processo Civil de 2015, por ausência de fundamentação no acórdão, o qual apreciou a lide, discutindo e dirimindo as questões fáticas e jurídicas que lhe foram submetidas. O teor do acórdão recorrido resulta de exercício lógico, ficando mantida a pertinência entre os fundamentos e a conclusão. Ao contrário, verifica-se mera pretensão de reexame do mérito do recurso, o qual foi exaustivamente analisado, circunstância que, de plano, torna imprópria a invocação do referido dispositivo e o eventual provimento do recurso nessa parte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE DANOS MORAIS. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. VIOLAÇÃO DO ART. 489, § 1º, IV E VI, DO CPC/2015. AUSÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. Indicação do dispositivo legal violado. Ausente. Súmula 284/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. .. . 3. Inexiste afronta ao art. 489, § 1º, IV, do CPC/2015 quando a Corte local pronunciou-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 4. A ausência de decisão acerca dos argumentos invocados pelo agravante em suas razões recursais, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 5. O recurso especial não pode ser conhecido quando a indicação expressa do dispositivo legal violado está ausente. 6. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1665837/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/06/2017, DJe 23/06/2017) - g.n. 4. Por outro lado, amatériareferenteaoartigo 1.013 do CPC de 2015não foiobjeto de discussão no acórdão recorrido, apesar da oposição de embargos de declaração, não se configurando o prequestionamento, o que impossibilita a sua apreciação na via especial (Súmula 282/STF). 5. No mais, em relação à alegada violação ao artigo 373, inciso I, do CPC de 2015, relacionadas ao ônus da prova, o Tribunal local, após análise do conjunto probatório dos autos, concluiu que: O recurso não merece prosperar. Isto porque a parte autora não se desincumbiu do dever de produzir provas quanto ao fato constitutivo do seu direito (art. 373, I, do Código de Processo Civil/15). Nesse contexto, o acolhimento da pretensão recursal, a fim de acolher as alegações da parte agravante e verificar questões relacionadas ao ônus da prova, exigiria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas pelo acórdão recorrido, com o revolvimento das provas carreadas aos autos, atraindo o óbice da Súmula 7 do STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA. INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE TOTAL POR DOENÇA (IFPD). INVALIDEZ TOTAL E PERMANENTE COMPROVADA. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA DEVIDA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. ÔNUS PROBATÓRIO. AFERIÇÃO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. .. . 2. A aferição do cumprimento do ônus probatório de qualquer das partes encontra óbice na Súmula 7/STJ. .. . 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1588374/RS, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 01/10/2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ÔNUS PROBATÓRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. VERIFICAÇÃO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. No que tange à violação ao art. 373 do CPC - cerceamento de defesa - destaca-se que cabe ao magistrado, como destinatário final, respeitando os limites adotados pelo Código de Processo Civil, a interpretação da prova necessária à formação do seu convencimento. 2. A questão probatória do ônus do autor ou do réu é questão inviável de ser analisada por esta Corte Superior, em virtude do óbice da Súmula nº 7 do STJ. 3. Ademais, "a Jurisprudência do STJ entende que não há como aferir eventual ofensa ao art. 333 do CPC/1973 (art. 373 do CPC/2015) sem que se verifique o conjunto probatório dos presentes autos. A pretensão de simples reexame de provas, além de escapar da função constitucional deste Tribunal, encontra óbice na Súmula 7 do STJ, cuja incidência é induvidosa no caso sob exame" (REsp 1.665.411/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/9/2017, DJe 13/9/2017). 4. Ao autor incumbe a prova dos atos constitutivos de seu direito, situação bem evidenciada pela Corte de origem, que afirmou textualmente que não se comprovou o dever de prestar contas do recorrido. 5. Reconhecer a pretensão do recorrente, no sentido de ser possível exigir contas no caso sub examine, demandaria a incursão no contexto fático-probatório, prática vedada pela Súmula nº 7 do STJ. 6. Os demais dispositivos legais apontados, mesmo com a oposição de embargos de declaração, não foram objeto de apreciação pela Corte de origem, razão pela qual incide, na espécie, a Súmula nº 211 do STJ. 7. Uma vez aplicada a Súmula 7/STJ quanto à alínea a, fica prejudicada a divergência jurisprudencial, pois as conclusões divergentes decorreriam das circunstâncias específicas de cada processo e não do entendimento diverso sobre uma mesma questão legal. 8. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1200103/MT, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 20/09/2018, DJe 25/09/2018) Ademais, "a Jurisprudência do STJ entende que não há como aferir eventual ofensa ao art. 333 do CPC/1973 (art. 373 do CPC/2015) sem que se verifique o conjunto probatório dos presentes autos. A pretensão de simples reexame de provas, além de escapar da função constitucional deste Tribunal, encontra óbice na Súmula 7 do STJ, cuja incidência é induvidosa no caso sob exame" (REsp 1.665.411/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/9/2017, DJe 13/9/2017). 6. Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Havendo nos autos prévia fixação de honorários de advogado pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se.