AREsp 1817293 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento das matérias suscitadas perante o tribunal de origem (Súmula 211/STJ); em consequência, decidiu-se não conhecer do recurso especial e, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoraram-se os honorários advocatícios em favor...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: NILSON UMBERTO SACCHELLI RIBEIRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Despejo Por Falta De Pagamento, Ônus Da Prova, Prova Documental, Prorrogação Tácita De Contrato De Locação, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NILSON UMBERTO SACCHELLI RIBEIRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 prequestionamento e Súmula 211/STJ
- 2 necessidade de prova do contrato para ação de despejo (art. 9º, II, Lei 8.245/91)
- 3 ônus da prova (art. 373, I, CPC)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento das matérias suscitadas perante o tribunal de origem (Súmula 211/STJ); em consequência, decidiu-se não conhecer do recurso especial e, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoraram-se os honorários advocatícios em favor da parte adversa.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por NILSON UMBERTO SACCHELLI RIBEIRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO C/C COBRANÇA DE ALUGUEIS. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RECURSO DOS REQUERIDOS. INSUBSISTÊNCIA. CONTRATO ESCRITO VENCIDO EM MARÇO DE 2009. COBRANÇA DE ALUGUEIS DEVIDOS A PARTIR DE 2016. POSSIBILIDADE. CONTRATO PRORROGADO POR PRAZO INDETERMINADO. INTELIGÊNCIA DO ART. 56, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 8.245/91. INEXISTÊNCIA DE NEGATIVA DE DÉBITO. INADIMPLEMENTO CONFIGURADO. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS RECURSAIS. POSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 85, § 11, DO NCPC. - Nos termos do art. 56, parágrafo único, da Lei nº 8.245/91, "findo o prazo estipulado, se o locatário permanecer no imóvel por mais de trinta dias sem oposição do locador, presumir-se-á prorrogada a locação nas condições ajustadas, mas sem prazo determinado". - Inexistindo dúvidas de que, após o vencimento do contrato escrito, a locatária permaneceu no imóvel sem qualquer oposição do locador, forçoso concluir que o pacto foi prorrogado indefinidamente. - Em se tratando de contrato por prazo indeterminado, e levando em consideração que os requeridos não negaram a existência do débito e nem tampouco se insurgiram contra o valor cobrado, a manutenção da sentença da procedência é medida que se impõe. - Com amparo no art. 85, § 11, do NCPC, majora-se a verba honorária a que foram condenados os requeridos para 11% (onze por cento) sobre o valor da condenação. Recurso não provido. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do art. 9º, II, da Lei n. 8.245/91, no que concerne à inexistência dos requisitos bastantes para o despejo, trazendo os seguintes argumentos: Importante mencionar que descumprimento contratual, de acordo com o artigo 9º, II , da Lei do Inquilinato é uma das motivações da ação de despejo. No entanto, do argumento apresentado admitir o despejo sem que haja a devida é contrariar o disposto no art. 9, II, da Lei do comprovação Inquilinato. Urge destacar que, no caso em comento, não há comprovação do argumento apresentado pelo Recorrido, vez que o documento hábil a comprovar a congruência entre os fatos e os pedidos contrato ou aditivo prorrogando o prazo de vigência do contrato objeto da ação não existe. Sendo assim, não há o que se falar em despejo e cobrança por força de obrigação que nem mesmo é certa (leia-se obrigação de pagar aluguéis decorrentes de mensalidade de 7 anos depois da extinção do contrato), ou melhor, obrigação cuja existência ao menos foi comprovada. (fls. 606/607) Quanto à segunda controvérsia, afirma que foi malferido o art. 373, I, do Código de Processo Civil de 2015, no que tange à inexistência de documento que comprove vínculo jurídico entre as partes no período entre 2016 e 2018, com base nas seguintes razões de recurso: Nessa linha, evidente a caracterização de violação do art. 373, I do CPC, uma vez que incumbe ao Recorrido demonstrar os fatos que corroboram para o direito alegado, o que in casu, consiste da comprovação da existência de contrato que obriga os Recorrentes ao pagamento mensal de aluguel do imóvel no período de entre os anos de 2016 e 2018. Assim, (i) não tendo o Recorrido se desincumbido do ônus da prova e (ii) não existindo prova alguma de que a obrigação pleiteada pelo locador é devida, não há como os pedidos do autor serem procedentes. (fl. 607). Quanto à terceira controvérsia, alega violação do art. 485, I, do Código de Processo Civil de 2015, atinente à ausência de documentos bastantes para instruir a inicial, apresentando a fundamentação a seguir: Ora, como se sabe, a exordial da ação de despejo deve vir acompanhada de documento apto a conferir verossimilhança, quanto à existência do vínculo entre as partes contrato e, por consequência, do crédito supostamente devido, configurando pressuposto objetivo intrínseco de validade do processo. Portanto, ante a ausência de documentos essenciais que deveriam instruir a inicial, ora seja, o contrato de locação relativo ao período das mensalidades ora cobradas, o v. acordão viola claramente o art. 485, I, do NCPC. (fl. 609). É, no essencial, o relatório. Decido. Preambularmente, em relação às controvérsias delineadas no recurso, incide o óbice da Súmula n. 211/STJ, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Assim, ausente o requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo - Súmula n. 211 - STJ". (AgRg nos EREsp 1138634/RS, relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, Corte Especial, DJe de 19/10/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgRg nos EREsp n. 554.089/MG, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Corte Especial, DJ de 29/8/2005; AgInt no AREsp n. 1.264.021/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 1º/3/2019; REsp n. 1.771.637/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 4/2/2019; e AgRg no AREsp 1.647.409/SC, relator Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 1º/7/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.