AREsp 1816989 - DECISAO
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, em razão da deficiência de fundamentação que impede a compreensão da controvérsia (Súmula 284/STF), da ausência de prequestionamento das matérias suscitadas (Súmulas 282 e 356/STF) e da necessidade de reexame de matéria fático-probatória para acolhimento da...
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- Parties
- Agravante: DARCI DOS REIS ALVES DA SILVA; Recorrido: Instituição financeira
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ, Contrato De Cartão Consignado, Juros Remuneratórios, Danos Morais, Repetição De Indébito, Honorários Advocatícios
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Parties
DARCI DOS REIS ALVES DA SILVA
Agravante
Instituição financeira
Recorrido
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por deficiência de fundamentação (Súmula 284/STF)
- 2 ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF)
- 3 vedação ao reexame de prova em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial, em razão da deficiência de fundamentação que impede a compreensão da controvérsia (Súmula 284/STF), da ausência de prequestionamento das matérias suscitadas (Súmulas 282 e 356/STF) e da necessidade de reexame de matéria fático-probatória para acolhimento da pretensão (Súmula 7/STJ); determina-se, ainda, a majoração dos honorários advocatícios em 15% conforme art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados os limites legais e eventual concessão de justiça gratuita.
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por DARCI DOS REIS ALVES DA SILVA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: "APELAÇÃO - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C.C. DANOS MORAIS E REPETIÇÃO DE INDÉBITO CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO - INTERESSE RECURSAL - Decisão que não abordou eventual necessidade de demonstração detalhada de parcelas e impossibilidade de pagamento em parcela única, matérias sequer aventadas expressamente na inicial - Ausência de interesse recursal reconhecida Apelo não conhecido, nestes aspectos." "LIMITAÇÃO DE JUROS - Portaria INSS/PRES nº 623, de 22 de maio de 2012, vigente na data da celebração do contrato, prevê a taxa máxima de 3.06% ao mês para o cartão consignado (artigo 1º, inciso II) - Cabível a aplicação dos juros praticados pela instituição financeira, que estão em conformidade com o pactuado e com o ordenamento jurídico vigente - Impossibilidade de limitação dos juros remuneratórios - Apelo improvido". "INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - DEVOLUÇÃO DE VALORES - SUCUMBÊNCIA - Os fatos narrados pelo autor não ensejam a pretendida reparação por eventuais danos morais sofridos - Instituição financeira que não praticou nenhum ato ilícito - Ausência de ofensa aos direitos da personalidade - Descabida qualquer devolução de valores ao apelante - Tendo em vista o trabalho adicional desenvolvido, pelo recorrido, em sede recursal, majoram-se os honorários advocatícios de 10% para 15% sobre o valor atualizado da causa (R$ 1.000.00, sem atualização), nos termos do art. 85, §11, do NCPC, observada a gratuidade de justiça concedida ao apelante - Apelo improvido." (fl. 478). Quanto à primeira controvérsia, aponta divergência jurisprudencial quanto à ilegalidade na contratação do cartão de crédito com o banco recorrido, defendendo a relatividade do princípio do pacta sunt servanda (fls. 492/499). Quanto à segunda controvérsia, alega violação dos arts. 39, I, IV, V e 51, I, IV, VX, do CDC, no que concerne à ocorrência de descontos indevidos no benefício previdenciário do recorrente, trazendo os seguintes argumentos: AFRONTA A LEGISLAÇÃO FEDERAL. Ao que pese a decisão recorrida, a mesma afrontou diretamente o Art. 39, I, IV, V e Art. 51,1, IV, VX da lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990: .. A afronta deu-se no momento em que o Autor ficou obrigado a adimplir uma obrigação abusiva, o colocando em desvantegem exagerando, ficando totalmente em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor. De igual maneira, de pleno direito deveria ter sido declarado o vício constante no contrato, uma vez que é vedado ao fornecedor praticar condutas abusivas prevalecendo-se da idade do consumidor; nota-se excelência que o Autor é aposentado vive de maneira simples e da maneira ao qual foi oferecido o contrato ao mesmo, este foi completamente abusado por sua simplicidade, sendo ludibriado a cerca da movimentação financeira que estava sendo realizada. Sendo assim, mesmo que evidente nos autos, a decisão afrontou diretamente a lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 em seus artigos 39, I, IV, V e 51,I, IV, VX. (fls. 500/501). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Quanto à segunda controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgRg nos EDcl nos EDcl no AREsp 516.419/RJ, relator Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 26/2/2020; AgInt no AREsp n. 1.261.044/AM, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 12/9/2018; e AgInt no AREsp n. 1.291.631/GO, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 30/8/2018; EDcl no REsp 1.656.489/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/9/2017; REsp 650.070/RS, relator Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, relatora p/ Acórdão Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ 17/9/2007, p. 249. Ademais, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no Resp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. Além disso, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Por fim, incabível, como pretende o apelante, "a readequação do empréstimo no cartão de crédito para empréstimo consignado", vez que restou incontroverso nos autos que o autor aderiu livremente a contrato de cartão de crédito consignado, com desconto em folha de pagamento. (fl. 481). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.