AREsp 1784057 - DECISAO
Determina-se a devolução dos autos ao tribunal de origem porque a Vice‑Presidência do TRF4 inadmitiu o recurso especial sem observar o juízo de conformidade exigido pelo art. 543‑C do CPC/73 (art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015), devendo o tribunal de origem verificar se o acórdão recorrido está em conformidade com...
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- Parties
- Agravante: CONSELHO REGIONAL DE ODONTOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL - CRO/RS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Denegatória De Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão Do STJ Determinando a Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Observância Do Art. 1.030, I, B, E Ii, Do Cpc/2015 (procedimento Do Art. 543 C Do Cpc/73)
- Outcome
- Autos devolvidos ao tribunal de origem para observância do rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015 (art. 543‑C do CPC/73)
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Sistema De Precedentes E Recursos Repetitivos (art. 543 C Cpc), Constituição Do Crédito Tributário, Notificação Do Contribuinte, Presunção Da Certidão De Dívida Ativa
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Parties
CONSELHO REGIONAL DE ODONTOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL - CRO/RS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Denegatória De Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão Do STJ Determinando a Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Observância Do Art. 1.030, I, B, E Ii, Do Cpc/2015 (procedimento Do Art. 543 C Do Cpc/73)
Legal Issues
- 1 Se o tribunal de origem deveria verificar a conformidade do acórdão recorrido com precedente repetitivo (art. 543‑C CPC/73) antes de decidir sobre a admissibilidade do recurso especial
- 2 Validade da constituição do crédito tributário por ausência de notificação regular do executado
Ratio Decidendi
Determina-se a devolução dos autos ao tribunal de origem porque a Vice‑Presidência do TRF4 inadmitiu o recurso especial sem observar o juízo de conformidade exigido pelo art. 543‑C do CPC/73 (art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015), devendo o tribunal de origem verificar se o acórdão recorrido está em conformidade com o julgamento repetitivo ou, em caso de divergência, submeter o caso ao órgão colegiado para eventual retratação.
Court Disposition
Autos devolvidos ao tribunal de origem para observância do rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015 (art. 543‑C do CPC/73)
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja observado o rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo CONSELHO REGIONAL DE ODONTOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL - CRO/RS, desafiando decisão denegatória de admissibilidade a recurso especial, este interposto com base no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 162): EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. ANUIDADES. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE REGULAR NOTIFICAÇÃO DO EXECUTADO.NULIDADE. 1. O lançamento das contribuições do interesse de categoria profissional (anuidades) se aperfeiçoa com a notificação do contribuinte para efetuar o pagamento do tributo, sendo considerada suficiente a remessa do carnê com o valor da anuidade, ficando constituído em definitivo o crédito a partir de seu vencimento, se inexistente recurso administrativo. 2. A notificação do sujeito passivo é condição de eficácia do lançamento. A presunção de legitimidade da certidão de dívida ativa descrita no art. 3º da Lei 6.830/80 somente deve ser considerada estando a dívida regularmente inscrita. Assim, a falta de notificação válida implica ausência de aperfeiçoamento do lançamento e de constituição do crédito tributário. 3. Hipótese em que ausente a comprovação de regular notificação do executado, ensejando a nulidade do título executivo e a extinção da execução fiscal. Opostos embargos de declaração foram rejeitados (fl. 185/191). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 489, § 1º, IV, 917, I e 1022 do CPC/15, 3º, 16 § 2º, da Lei 6830/80 e 11 do Decreto 70235/72, refere-se ainda ao REsp 1.111.124/PR, julgado sob o rito dos feitos repetitivos. Sustenta, a recorrente, em resumo: (I) omissão no acórdão recorrido que não se pronunciou acerca das questões postas nos aclaratórios; (II) impossibilidade de o julgador, "de ofício, extinguir a execução por ausência de comprovação de que a parte executada foi regularmente notificada de sua dívida" (fl. 208); (III) cabe à parte executada, "através da oposição de embargos, impugnar o eventual não recebimento dos boletos de cobrança e a constituição do crédito tributário aqui cobrado, que goza de presunção relativa" (fl. 209); (IV) ausência de dispositivo legal que obrigue o credor a conceder, expressamente, prazo para impugnação da dívida (fl. 209). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se que, a despeito de o recorrente especial haver alegado que o acórdão recorrido destoa de entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça em recursos submetidos à sistemática do art. 543-C do CPC/73, a saber, REsp 1.111.124/PR e REsp 1.114.780/SC, a Corte de origem deixou de efetuar o juízo de conformidade (art. 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC/73; art. 1.030, I, b, CPC/2015) antes de analisar os pressupostos de prelibação do recurso especial. Com efeito, na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2009. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: "A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida." Nessa linha de intelecção, foi editada a Resolução STJ n.º 17, de 4 de setembro de 2013, cujo art. 2º, II, expressamente dispõe: Art. 2º Verificada a subida de recursos fundados em controvérsia idêntica a controvérsia já submetida ao rito previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil, o presidente poderá: I - determinar a devolução ao tribunal de origem, para nele permanecerem sobrestados os casos em que não tiver havido julgamento do mérito do recurso recebido como representativo de controvérsia; II - determinar a devolução dos novos recursos ao tribunal de origem, para os efeitos dos incisos I e II do § 7º do art. 543-C do Código de Processo Civil, ressalvada a hipótese do § 8º do referido artigo, se já proferido julgamento do mérito do recurso representativo da controvérsia. No caso, a Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região inadmitiu, de pronto, o recurso especial, sem que antes fosse cumprido o rito previsto no § 7º do art. 543-C do CPC/73 (art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015), isto é: ou negativa de seguimento do recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgado repetitivo; ou encaminhamento do processo ao órgão colegiado para eventual juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. ANTE O EXPOSTO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que seja observado o rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC/2015. Publique-se.